Realizaram-se mais uma vez na Vila de Barrancos as tradicionais festas em honra da Nossa Senhora da Conceição, mais uma festa popular como tantas outras que se realizam no Verão por este país fora.

 Mais uma, mas com uma particularidade marcante.

É que nesta festa realizam-se touradas com touros de morte, ou seja após a tourada o touro é morto na arena à vista de todos.

Desde 2002, que esta pratica é legal em Barrancos, pois foi concedido a esta Vila um regime de excepção, para que durante as festas populares, se pudesse cumprir com a tradição e matar o touro na arena.

A palavra mais suave que me ocorre para qualificar esta "tradição" é lamentável.

Não consigo perceber qual a tradição cultural que estará patente neste tipo de iniciativas que mais não são do que barbarás demonstrações de crueldade e violência contra a vida de um animal.

Haverá nisto alguma piada para que hajam pessoas a querer assistir e ainda por cima a baterem palmas?

Não consigo perceber o interesse nisto!

Posso até compreender, mas não aceitar, que haja alguma arte na lide do touro (sem as farpas) e até nos forcados porque aqui há de facto um confronto Homem vs Animal, embora sempre com desvantagem para o animal.

Mas tudo o que passa além disto não é compreensível, nem muito menos aceitável.

A definição de cultura é muito abrangente e com a evolução dos tempos este conceito altera-se adaptando-se aos novos tempos, mas de uma forma geral cultura é tudo aquilo que contribui para tornar a Humanidade mais sensível, mais inteligente e mais civilizada.

Cultura é leitura, é teatro, é artesanato, é pintura, é festas populares, é escultura, é arquitectura, é dança, é música, é tecelagem, é trabalhos manuais e tanta outra coisa, mas, não vejo onde se encaixe aqui a tourada e muito menos os touros de morte.

O Tribunal Internacional dos Direitos dos Animais condenou simbolicamente no passado mês de Junho, o ex-presidente da Republica Portuguesa Dr. Jorge Sampaio e o ex primeiro-ministro Dr. Durão Barroso, por atentados contra os direitos dos animais por abolirem parcialmente a legislação de 1928, que protegia a morte de touros na arena, ao permitir por exemplo o regime de excepção para Barrancos.

Este foi de facto um acto simbólico, mas registado com muito agrado pelas associações de protecção dos animais, que esperam que este simbolismo se transforme um factor de pressão para os políticos e para a sociedade e que se terminem definitivamente com as touradas e as mortes do touro na arena.

Cultura não é isto, isto é crueldade, violência e profundo desrespeito pela vida de um animal.

Recuso-me terminantemente a ver sequer imagens deste "espectáculo" na televisão, pois considero que não devemos compactuar com estes actos cruéis e desumanos e sempre que possível demonstrarei a minha indignação para com tais actos não compatíveis com uma sociedade que se diz civilizada e justa.

 

Teresa Fernandes