O Rotary Clube da Trofa promoveu uma palestra sobre as azenhas existentes no Rio Ave. O orador, Bruno Matos, estuda os edifícios e a sua história há já três anos.

Estão destruídos, abandonados, esquecidos e até há pouco tempo cobertos por vegetação, mas os edifícios das azenhas existentes ao longo do curso do Rio Ave são um património histórico importante para a região e para o desenvolvimento do turismo. Esta é a convicção do arquitecto Bruno Matos, que apresentou alguns dos resultados de um estudo, que começou há três, numa palestra promovida pelo Rotary Clube da Trofa, na noite de segunda-feira. Durante cerca de duas horas, o técnico mostrou gráficos e fotografias do passado e do presente destes locais, explicando o seu funcionamento, as suas características e a importância para o desenvolvimento das populações.

“A minha avó ia levar a roupa para o Rio Ave, para o lugar da Barca (em S. Martinho de Bougado) e ao ver a azenha eu gostava de um dia poder brincar naquele edifício”, conta Bruno Matos, explicando como nasceu o gosto pelos moinhos e azenhas. Começou um estudo mais alargado sobre os edifícios que existem nas duas margens e que estão “abandonados”. “Sem dúvida nenhuma que temos um potencial fantástico. Lá fora, as pessoas mostram-se interessadas neste estudo porque este património local poderia servir, sem dúvida nenhuma, para criar uma Rota das Azenhas do Rio Ave”, referiu ainda o orador convidado pelo Rotary Clube da Trofa.

Na palestra participaram vários estudantes e proprietários das azenhas que se mostraram interessados no tema.

“Pressenti que, de facto, este é um assunto importante para a Trofa, quer em termos ambientais, quer em termos da sustentabilidade do futuro, que não pode ser pensado de costas voltadas para o rio”, referiu António Charro, presidente do clube trofense.

O responsável defende que estes espaços poderiam ser “um ícone e uma grande âncora” para o turismo local, que poderia influenciar entre “outras coisas, a gastronomia”.