Uma força humana imparável, num desejo comum: a vinda do Metro à Trofa. Já assim tinha sucedido, há mais de doze anos, quando o poder político teve de se vergar perante a força da vontade popular para a Criação do Concelho da Trofa. Também nessa causa, os Murenses estiveram na vanguarda com denodo, na exigência autonómica.

Nas eleições presidenciais, a luta mais que justa pela vinda do “Metro para a Trofa” veio mostrar aquilo que já muitos sabiam: o peso político da Trofa é tão diminuto que nenhum candidato presidencial marcou um acto de campanha eleitoral na Trofa. Já se tinha notado essa triste realidade na falta de estruturas como as variantes rodoviárias e agora com a situação aberrante do Metro.
A confirmação dessa triste realidade foi feita a poucos quilómetros da Trofa, quando em campanha eleitoral um candidato, por acaso o vencedor e de novo o alto magistrado da nação, foi confrontado com a hipótese de a Freguesia do Muro não ir votar, afirmou que todos os trofenses deveriam ir votar. Mas, quando confrontado em Coimbra com uma situação semelhante à da Trofa, afirmou que essa situação era um exemplo de promessas não cumpridas. Dois pesos e duas medidas perante situações semelhantes mas em terras diferentes em termos de peso eleitoral.
Será que por acaso, depois da contagem dos votos de domingo passado, algum candidato necessitasse dos votos da Freguesia do Muro para ganhar ou para ir à segunda volta não faria campanha na Trofa? E não iria “pedir batatinhas”, como o povo diz, à Freguesia do Muro? Ninguém tem dúvidas que quem quer que fosse na segunda-feira assentava “arrais” no Muro e faria as promessas mais hilariantes para conseguir os seus intentos.
O que se passou no Concelho da Trofa em que muitos e muitos Trofenses utilizaram a arma da abstenção para dizer bem alto ao poder político, que basta de mentiras, a Freguesia do Muro foi o baluarte dessa luta, que em peso quis dizer, e disse-o bem alto, para que todo o Portugal ouvisse, e ouviu afirmar: Os que ignoram a Trofa no caso Metro, a Trofa ignora-os em eleições!
Foi com um civismo exemplar, que o Povo da Freguesia do Muro demonstrou ao poder político, central, regional e local, que se não há peso eleitoral, há o peso da razão. Foi assim há doze anos para a criação do Concelho, é assim agora na luta mais que justa no “Metro para a Trofa”
Neste belo exemplo de civismo, os Murenses sentiram muitos apoios de Trofenses de outras freguesias mas também de algumas instituições, que devem ser realçadas: A Junta de Freguesia do Muro, que sendo a única autarquia do Concelho a ver a justeza da pretensão e da luta, esteve sempre ao lado do seu povo; a Juventude Socialista da Trofa, com a sua irreverência mas com maturidade política tem erguido bem alto a bandeira do “Metro para a Trofa”; a imprensa nacional e local, TrofaTv e Jornal “O Notícias da Trofa”, com as suas informações em cima dos acontecimentos, dignificaram o papel da imprensa; as redes sociais, mais concretamente o Facebook, que permitiu a muitos Trofenses a difusão on-line de ideias e partilha da informação
E, assim, a Freguesia do Muro deu, mais uma vez, uma bela lição de cidadania; exerceu o seu direito à indignação. Perante tanta promessa não cumprida, os Murenses e muitos e muitos Trofenses sentiram-se humilhados e indignados. Não fizeram um boicote às eleições presidenciais. Como voto de protesto, fizeram uma abstenção generalizada. Espera-se os resultados: a vinda do “Metro para a Trofa”!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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