Durante dois dias, a Trofa foi palco da terceira edição do festival Rota Jazz, permitindo aos amantes do jazz e ao público em geral apreciar os sons calmos, mas intensos deste género musical.

O Rota Jazz trouxe à Trofa o músico Mário Laginha e divulgou o projecto local IDRIGBA, que abriram o festival, com um concerto no auditório da Junta de Santiago de Bougado, na sexta-feira à noite.

Os IDRIGBA comemoram este ano o seu décimo aniversário e Miguel Pedrosa, membro do grupo, garantiu que “é sempre um privilégio” actuar em casa.

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Durante o concerto, os IDRIGBA apresentaram apenas temas originais, com “uma forte componente de improvisação”. “A nossa opção foi, desde início, arriscada em termos de público e em termos comerciais”, asseverou. No entanto, o que moveu este grupo “foi a vontade de fazer a melhor música”, ainda que exista apenas “uma minoria” a acompanhar o seu trabalho. Para criarem um trabalho original, os IDRIGBA ensaiam “bastante e com muita concentração”. O improviso característico dos seus concertos depende “do estudo e do tempo que cada um passa com o seu instrumento”, mas sobretudo do “convívio e da amizade, que também são muito importantes”.

Joana Lima, Presidente da Câmara Municipal da Trofa, considerou a iniciativa “muito positiva”, sublinhando, no entanto, que a realização do festival implicou um “esforço financeiro muito grande” por parte da autarquia. A autarca defende que “a cultura não pode ser esquecida e tem um espaço próprio, que deve ser preenchido”.

 

Mário Laginha rendido à Trofa

No final do concerto de sábado, em que Mário Laginha actuou na Casa do FC Porto, o músico confessou estar “rendido” ao público trofense. “É o tipo de público que um músico realmente gosta, que está em silêncio quando estamos a tocar e, depois, quando se pára de tocar, são muito calorosos”, revelou.

Mario Laginha acredita que iniciativas como o Rota Jazz “fazem falta”, até porque defende “a diversificação de pólos culturais”. O conceituado músico português destacou que esta possibilidade de dar a conhecer outros géneros musicais ao público, permite que “mais gente se aproxime e goste de outro tipo de música” que não se enquadra nos estilos mais comerciais.

Laginha ficou “com muita vontade de voltar cá à Trofa”, quem sabe, até acompanhado por Maria João, com quem costuma tocar e que também já actuou na Trofa.

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Já a edil Joana Lima garantiu que a actuação “fica marcada na história da Trofa, pois Mário Laginha ofereceu um show de jazz e de música, sempre com uma grande interactividade com o público”. A autarca garantiu ter ficado “muita satisfeita com o concerto”.

Muitos foram os trofenses que assistiram aos concertos e a presidente de Câmara defende que para a presença do público é, também, necessário que as actividades culturais sejam “mais divulgadas”, tendo em conta o tipo de público de cada iniciativa. “Temos espaço para todos os tipos de música”, garantiu, dando como exemplo o concerto que Quim Barreiros vai protagonizar durante a ExpoTrofa.