Milhares de pessoas cumpriram a tradição e rumaram a Covelas no domingo.

Durante quatro dias todos os caminhos foram dar a Covelas. A festa em honra de S. Gonçalo atrai milhares de romeiros todos os anos e este não foi excepção. Uns pela fé, outros pela gula… a pé, a cavalo, de mota ou bicicleta, milhares de pessoas mantiveram a tradição e rumaram a Covelas. O bom tempo ajudou à festa e animação não faltou…

De Vespa, no sábado, vieram pela primeira vez os “Vespistas do Norte”, um grupo de amigos e amantes deste tipo de mota, que “tiveram um fabuloso repasto numa das casas de lavoura” da freguesia. No final ficou a certeza: “Para o ano voltamos”.

Pela estrada ou pelo monte, os grupos de romeiros, que vieram no domingo, davam vida à pacata terra. No meio dos mais de mil “betetistas”, José Teixeira, que pedalou desde Vila Nova de Famalicão, considerou o percurso para chegar até Covelas “fácil”, uma vez que, tem já “uma certa preparação”.

Mas não foi o único, porque Augusta Gomes, de Santiago de Bougado, fez o mesmo caminho a pé com um grupo de 30 caminheiros, pela “primeira vez”, e garantiu: “Não tenho dores nas pernas e estou com vontade de voltar outra vez”. “É uma boa caminhada e vale a pena vir ao S. Gonçalo, não só por estar em família, mas porque é um bom passeio”, reiterou a bougadense Cátia Silva.

Menos cansativo terá sido o percurso de Jorge Ferreira que veio da Maia, de charrete puxada pelo cavalo. “Esta festa é diferente das outras”, confessou, adiantando que “já há muitos anos” que cumpre esta tradição.

A Confraria do Cavalo também fez parte da romaria, onde 120 cavalos e 40 charretes desfilaram, surpreendendo miúdos e graúdos. O almoço foi na Feira e Mercado da Trofa, em S. Martinho de Bougado, onde foram servidas cerca de 800 sandes de porco no espeto, vinho e caldo verde.

Depois do desgaste físico, as tasquinhas esperam os romeiros que retemperam as energias com o bom vinho e o rojão, para beber e comer sem restrição. Era o que tencionava fazer  António Silva, de Vila Nova de Famalicão, que já há dois anos deixa o carro no Parque Nossa Senhora das Dores e caminha com os amigos até Covelas. “O percurso não é difícil e quando se vem por gosto é uma maravilha. Depois chega-se cá a cima bebem-se uns copinhos e comem-se uma sande de rojão”, confirmou.

Já com uma na mão, Mário Martins, saía de uma das tasquinhas que rodeiam a capela, satisfeito pelo simples facto de a tradição ainda se manter viva. “Aproveitamos a romaria ao Santo e provamos o rojão”, garantiu, seguindo o seu caminho com o grupo de 30 pessoas que vieram a caminhar desde Santo Tirso.

No final, para adoçar a boca, não podem faltar os doces e os figos. Na barraquinha de Deolinda da Cruz, os doces estavam à vista para atrair os clientes, mas com a crise, o pregão dava uma ajuda ao negócio. “Já venho cá há 30 anos, porque esta é uma festa boa. Ontem o negócio foi fraco, mas hoje já veio mais gente, vamos vender mais doces”, dizia esperançada.

Durante a tarde de domingo, a procissão em honra de S. Gonçalo atraiu os devotos do Santo casamenteiro, que vão a Covelas para cumprir as suas promessas. Esta festa marca assim o início das romarias no concelho da Trofa.

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