Utentes dos transportes alternativos da Metro do Porto estão descontentes com os novos horários e gostavam que os autocarros fossem até à Estação da Trofa para evitarem fazer o percurso a pé.

Estudante no ISMAI (Instituto Superior da Maia), onde até existe uma estação de Metro e onde termina o percurso dos transportes alternativos da Metro do Porto (MP), Nélia Gonçalves recorre diariamente a autocarros de “outra transportadora”. Existem “bastantes senãos” que fizeram esta jovem famalicense deixar de utilizar o serviço da MP: “É muita confusão, os autocarros não param onde deviam, os horários são confusos. Basicamente, não entendo nada. Acho que há muita polémica e alguém devia tomar medidas, porque ouço muitas queixas nas paragens”. “Eu mudei, mas há pessoas que não podem mudar, porque não têm alternativa”, explicou.

Que o diga José Barbosa, que faz o percurso entre Barcelos e Leça do Balio, diariamente, recorrendo aos transportes públicos. O trajecto é extenuante: vai “de carro até à estação em Nine” e apanha “o comboio para a Trofa”, percorre “a pé” o caminho que separa a Estação da Trofa e a paragem da MP (cerca de dois quilómetros) e entra nos “autocarros para a Maia”, onde apanha “o metro para o trabalho”. Todos os dias, de manhã e à noite, faça chuva ou faça sol, esta é a rotina de José, que se levanta “às cinco da manhã” e para chegar a casa às 19 horas, tem de “despegar meia hora mais cedo, senão só depois das 20 horas”. Este é um exemplo do descontentamento dos utentes da MP e para minorar o transtorno desta rotina, José Barbosa pede para que “os autocarros vão até à Estação da Trofa”. “Evitava que tivéssemos de andar 20 minutos a pé de manhã e à noite”, desabafou.

António Correia utiliza os transportes alternativos para o percurso Muro-Trofa todos os dias. Também percorre a pé o caminho até à nova estação, onde apanha o comboio para Santo Tirso. “A vinda do metro é mais que necessária, é quase obrigatória, mas ao menos que remedeiem a situação e que levem os autocarros até à estação nova, que tem condições e serviria melhor os utentes”, atestou. Sem se queixar da caminhada diária, porque até tem “saúde” para a fazer, António lembra “as pessoas com mobilidade reduzida” e “os dias de chuva e vento que são os mais desagradáveis”. “Tenho feito reparo da situação no ‘caixotinho’ que existe no Parque Nossa Senhora das Dores, mas nunca sabem nada. Na Estação da Trofa fiz a mesma questão e deram-me um impresso para preencher”, contou antes de iniciar mais uma viagem até ao Muro. Também os novos horários dos autocarros foram alvo das críticas de António Correia: “Para quem tem de fazer uma caminhada de mais de 15 minutos e apanhar outro transporte no mesmo período de tempo é complicado”. Apesar de tudo, “em termos de gastos é mais económico utilizar os transportes públicos”.

Assunção Sousa conhece bem esta realidade e está solidária com os protestos: “Já fiz vários tipos de queixas à MP e algumas nem sequer tiveram resposta, como a última. Fiz denúncia da falta de transportes ao fim-de-semana”. Há 16 anos na Trofa, Assunção trabalha na Maia e garante que este é um dos maiores problemas, porque “quem trabalha aos fins-de-semana deixa de usar os alternativos”. “Quem sair daqui (centro da Trofa) às 7.10 horas para chegar às oito horas à Maia não consegue, porque só apanha o metro das 7.34 horas. Nós não trabalhamos todos no centro da Maia e muitos ainda têm de apanhar autocarros depois do metro”, explicou. Outra das críticas lançadas por Assunção Sousa é a inexistência de transportes alternativos à noite: “Se uma pessoa quer ir a um espectáculo à Casa da Música não há um alternativo e a juventude fica mais dependente do comboio, não podendo ir a espectáculos culturais”.

No guiché de venda de bilhetes da MP, o funcionário referiu que apenas uma pessoa se queixou. Já a empresa, contactada pelo NT, não respondeu a todas as questões colocadas, mas fez saber que “não está prevista qualquer alteração no ponto de partida e chegada dos autocarros ao centro da Trofa” e explicou também que as recentes mudanças introduzidas apenas se prenderam com “ajustes ao anterior traçado de comboio existente”.