Não se sabe muito sobre Gonçalo de Amarante que, apesar de invocado como santo, nunca foi canonizado. A verdade é que, todos os anos, em janeiro é o motivo de atração de milhares de pessoas a Covelas. 

Nascido no princípio do século XII em Arriconha, na freguesia de Tagilde, em Guimarães, Gonçalo de Amarante, tornou-se pároco de São Paio de Vizela e decidiu, algum tempo depois, ir em peregrinação a Roma e à Terra Santa. Segundo um documento da autoria de José Ramos, pároco de Covelas, “volvidos 14 anos, regressou a Portugal”. “Quis retomar o pastoreio da comunidade de São Paio-de-Riba, Vizela, mas o seu sobrinho, que não o reconheceu, não lhe deu a chave da igreja que lhe fora confiada”.
Gonçalo de Amarante viveu, então, vida eremítica e percorreu a província de Entre- Douro-e-Minho em pregações, sendo-lhe reconhecidos muitos milagres. Fixou-se em Amarante, onde continuou a pregar e a multiplicar os milagres. Morreu por volta de 1260. Acabou por ser beatificado pelo Papa Pio IV, a 16 de setembro de 1561, mas, embora seja invocado como santo, Gonçalo nunca chegou a ser canonizado.
São muitas as lendas a ele associadas, uma delas faz saber que, “no dia do seu batizado, viu uma imagem de Cristo crucificado”.
Para o pároco de Covelas, a festa de S. Gonçalo “é absolutamente única nas 477 paróquias da diocese do Porto”.
José Ramos considera a festa não uma romaria mas antes uma romagem, com destaque para a componente gastronómica, o convívio, o passeio e, obviamente, a devoção ao santo, que se denota “pela quantidade de promessas”. Aos olhos do pároco de Covelas, essa mesma devoção “tem aumentado”. “A devoção a S. Gonçalo é antiquíssima. Já em 1758 havia romagem, não a esta capela, mas à ermida, que devia ser muito pequenina. Em 1893 é que é construída a atual”, recordou.

“Quem faz a festa é o povo”
Faça chuva, sol ou frio a multidão de gente mantém-se. “Quando eu vou para Covelas, para celebrar a primeira missa, às 8 horas, na igreja matriz, já encontro grupos a pé e, às vezes, quando vou da matriz para a capela, perto das 9.15 horas, já estão grupos e grupos a comer por lá acima”, descreveu o sacerdote, que admite: “As pessoas não vêm só pela devoção, temos também a componente gastronómica. Ir a Covelas ao S. Gonçalo e não comer uma malga de papas é como ir a Roma e não ver Papa”.
“Quem faz a festa é o povo, que vai de carro, de bicicleta, a pé, de mota, a cavalo. São centenas e centenas”, descreveu, para logo depois acrescentar que “passam por ali muitas dezenas de milhar de pessoas”.
Há cerca de “quatro décadas”, um grupo de Gonçalos mantém viva a tradição e, no sábado de S. Gonçalo, “vão em romagem a Covelas, passam, de manhã, por alguns cemitérios, para fazer memória de Gonçalos que percorreram os caminhos de Covelas e que já partiram, vão à missa ao meio dia e, depois, têm um convívio que se prolonga pela tarde fora”, enumerou José Ramos.
Outra das tradições que não passa despercebida é a causa à qual associam o santo. Santo António partilha a fama de santo casamenteiro com S. Gonçalo, mas este último é direcionado às mulheres encalhadas, que puxam pelo “bordão do peregrino” na esperança deste lhes arranjar um companheiro.
Muitos são os jovens que, por estes dias, se encontram em Covelas. Uma boa oportunidade para que as gerações mais novas mantenham “viva uma tradição que vem não sabemos de onde”. “Os mais novos vão fazendo o caminho com os mais velhos e isto é muito importante”, enalteceu José Ramos