Pelas redondezas da capela pululam espaços improvisados, montados exclusivamente pouco antes da festa para acudir a quem tem fome e, sobretudo, sede. Num ano aqui, no outro uns metros mais ao lado, o importante é montar a “tasca” e que haja fartura de chouriço, moelas, bifanas, rojões, papas de sarrabulho, caldo verde… e vinho. A história do “Basicamente” começa mais ou menos assim, há 11 anos. Criado por um grupo de amigos, o espaço informal de comes e bebes nasceu junto à igreja numa “barraca” feita de troncos e toldos, com mesas improvisadas e cadeiras. Ao ambiente juntou-se música, “regada” com a boa disposição de quem lá para.
Sérgio, Bruno e Ricardo compõem o trio que, todos os anos, não deixa cair o conceito do “Basicamente”. Outrora com epíteto bem mais extenso – “Basicamente Sabes Disso, Agora Pensa!!!” – foi “rebatizado” apenas com o advérbio de modo por quem lá passa. Para conseguirem ter o espaço aberto, os jovens começam a trabalhar no início do mês, e acabam no fim deste. Um fim de semana é exclusivo para a prova do vinho, porque, sustenta Sérgio Araújo, “fazemos questão de escolher sempre o vinho que esta bela terra nos dá”. No final, as contas mais fáceis de se fazer são às horas de sono: “No início, a média era de uma hora e meia a duas horas por noite. Atualmente, como estamos três casais, procuramos fazer escalas. Ainda assim, devem rondar as quatro horas por noite”.

“Abafadinho” é rei num espaço onde se serve “3 mil sandes”

Este ano, o espaço estará montado junto ao viaduto da autoestrada, mantendo-se o menu degustativo à boa moda portuguesa, com uma carta de bebidas que, segundo os organizadores, não vai deixar os romeiros desiludidos, com o vinho verde, branco e tinto, da região. E, claro está, não faltará o “abafadinho”, que mantém reinado no espaço, assim como “a boa da receita” e, para os resistentes, as bebidas brancas já quando a noite não for uma criança. As bifanas e a sande de rojão – são servidas “mais de três mil” -, confessa Sérgio Araújo, “fazem as delícias do povo”.
A fama da festa galga fronteiras a cada ano que passa, prova disso são as pessoas que já passaram pelo “Basicamente” e que se disseram provenientes de “Guimarães, Braga, Vila do Conde, Porto, Gaia, Resende, Torres Vedras, Leiria e Nazaré”.
No final, o primeiro pensamento que surge é “dormir”, o segundo “desistir”. Só que, em setembro, o cansaço já não se sente, os amigos começam a reservar mesa e já só há lugar na cabeça para programar a próxima “maratona”. “O ambiente da festa compensa”, responde Sérgio Araújo.
À procura da placa dos dentes
E, depois, há as lembranças de episódios memoráveis, alguns que ainda hoje arrancam gargalhadas. Como aquela em que os jovens, a preparar o dia seguinte, encontraram uma placa dos dentes dentro de um copo de vinho tinto, quando estavam a levantar a loiça das mesas e do balcão. “Não queríamos acreditar… e entre risos e piadas não conseguimos mexer no copo, apenas o escondemos não fosse aparecer o dono. E ele apareceu, já no último dia, a reclamar a placa, após ter corrido várias tascas à procura”, contou Sérgio Araújo.
Noutro ano, apesar do ambiente de festa que não alertou ninguém, o temporal que se fazia sentir obrigou os jovens a encostar-se aos troncos que seguravam a “barraca”. “A expressão ‘até a barraca abana’ estava na boca do povo”, relatou.