afonsopaixao 

Surpresa?

Os resultados eleitorais para as Autarquias trouxeram importantes alterações a nível concelhio.

O PS, como que embalado pelos resultados das Legislativas, partiu para uma campanha animada, que contou com a importante e, porventura, decisiva presença do Primeiro-Ministro e alcançou um resultado que, para muitas pessoas, parecia improvável.

Os resultados eleitorais para as Legislativas não constituíram uma grande surpresa uma vez que as sondagens, com maior ou menor erro, já indicavam uma vitória do Partido Socialista sem maioria absoluta, mas muitas pessoas entendiam, a começar pelo PSD, que não existiria o efeito arrastamento.

Pode questionar-se se os resultados das Legislativas terão tido influência nas Autárquicas, dada a sua proximidade.

Acredito que possa existir algum efeito arrastamento. Não creio, contudo, que esse efeito seja tão significativo ou decisivo. Parece-me mais significativo o efeito causado pelas divisões no seio do partido do Poder na Autarquia do que o arrastamento das Legislativas.

As divisões dentro do PSD e o elan com que o PS arrancou, motivaram muitos eleitores que acreditaram no PS ou desacreditaram no PSD nas Autárquicas.

Confirma-se, na minha modesta opinião, que o Poder não se conquista. A alternância ocorre quando o Poder perde e o Partido Socialista aproveitou bem a oportunidade criada pelas divisões no adversário.

Há mérito e demérito nesta campanha. O Partido Socialista conseguiu fazer uma campanha alegre e mobilizadora que foi visível a partir de certa fase da campanha.

As promessas foram mobilizadoras da opinião pública e as fraquezas do adversário foram exploradas.

Quanto ao PSD, que exercia o Poder, foi vítima de si próprio. Teve divisões internas que lhe foram fatais e penso que, até certa fase da campanha, esteve demasiado confiante.

Há quem defenda, e eu concordo, que construir redes de saneamento não rende votos. São obras caras, demoradas e que incomodam as pessoas. No fim, continuam a incomodar porque as ligações às redes custam dinheiro aos munícipes.

As hesitações relativas à localização dos Paços do Concelho podem ter sido também um importante factor que causou desgaste no partido do Poder. Penso também que a localização, originariamente deliberada para a serração da capela, estava interiorizada pelas pessoas e aceite e a reabertura da discussão foi prejudicial ao Poder.

O Presidente da Câmara cessante tem o seu lugar na História. Foi o Presidente da Comissão Instaladora e das duas primeiras Câmaras Municipais eleitas. Coube-lhe a tarefa, nada fácil, de instalação dos serviços municipais, fez algumas obras estruturantes e acabou por ser vítima da principal aposta: o saneamento que não rende votos e gera muitos protestos.

Fica na memória o estilo afável, educado, trabalhador e empenhado. Mostrou bairrismo, pese embora as diferenças de opinião sobre o que é bairrismo.

Merece o nosso respeito e consideração.

A Dra Joana Lima foi vencedora e está de parabéns pela vitória. Fez uma campanha alegre e mobilizadora acompanhada por muita e entusiasta juventude.

Há natural curiosidade acerca do modo como vai exercer o seu mandato.

É bom para os trofenses que seja bem sucedida e apresente bom trabalho. Nesse sentido há que desejar-lhe boa sorte no desempenho das suas funções.

Afonso Paixão