Veja a entrevista em www.trofa.tv

Foi com estupefacção que Renato Pontes chegou ao campo na segunda-feira da passada semana e foi informado pelo director desportivo do Bougadense que três jogadores tinham sido dispensados. "A minha admiração foi tal que quis saber os motivos, mas fiquei ainda mais espantado quando o presidente não tinha nenhuma explicação. Disse que se tinha que fazer alguma coisa, tinha que haver um abanão na equipa".

   Uma alegada decisão de Adalberto Maia, presidente do AC Bougadense, sem consultar a equipa técnica foi a "gota de água" na relação de Renato Pontes e a restante equipa com a direcção do Atlético Clube Bougadense. Numa altura delicada da vida do clube o treinador "bateu com a porta", alegando "quebra de confiança" com o presidente do emblema.

Em entrevista ao NT, Renato Pontes explicou a razão pela qual não concordou com a dispensa de três atletas, Mó, Queirós e Ricardo Costa, numa fase em que o clube ocupa o antepenúltimo lugar da Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto: "Há uma decisão precipitada (do presidente), face o momento que a equipa estava a atravessar. Pedia-se tranquilidade, porque era o que faltava aos jogadores. Eles não conseguiam fazer mais não por falta de vontade, mas sim atendendo ao momento de ansiedade. Este sentimento inibia-os de produzir o que eles conseguiam. Não era nesta altura que esta decisão do presidente fazia sentido, mas pior de tudo foi a quebra de confiança".

Segundo Renato Pontes chegou ao campo na segunda-feira da passada semana e foi informado pelo director desportivo que três jogadores tinham sido dispensados. "A minha admiração foi tal que quis saber os motivos, mas fiquei ainda mais espantado quando o presidente não tinha nenhuma explicação. Disse que se tinha que fazer alguma coisa, tinha que haver um abanão na equipa".

Face a esta situação "os jogadores não queriam que isto acontecesse, estavam solidários com os três jogadores que estavam de saída". Surgiram, então, umas tomadas de posição das quais o treinador acabou por se solidarizar e que passava pela continuidade de toda a gente. Só essa condição o conseguia manter no comando da equipa até ao final da época. "O presidente não entendeu assim" e Renato Pontes decidiu abandonar o clube, juntamente com os restantes membros da equipa técnica.

Com eles mais cinco jogadores saíram, solidários com os dispensados: Lírio, Vila Cova, Henrique, Luís Carlos e Pinto.

O técnico confessou ter um sentimento de "tristeza por esta relação ter acabado assim", numa altura que em o clube "está a viver uma das piores épocas desportivas, desde sempre, quer em termos desportivos, quer em termos de direcção", mas não deixou de sublinhar que "aconteceram coisas que são lamentáveis", nomeadamente os ataques pessoais referentes ao salário que auferia como treinador do Bougadense. "Era um salário normal e equivalente a todos os salários atribuídos a antigos treinadores do clube".

"Para mim o mais fácil era abandonar a equipa em Dezembro, quando estávamos a quatro pontos da linha de água e sem direcção. Se fosse egoísta saía, mas não me arrependo das decisões que tomei, porque acreditava que era possível. A equipa do Bougadense produziu futebol para somar mais pontos e podia estar numa situação mais confortável se não houvessem estas peripécias no futebol, onde por vezes as arbitragens têm uma influência negativa", referiu.

Apesar de não descartar uma possível manutenção, Renato Pontes frisou que a equipa, agora muito desfalcada, vai ter muitas dificuldades para somar os pontos suficientes para conseguir manter na Divisão de Honra: "Eu acho que mesmo todos juntos, direcção, equipa técnica e jogadores, ia ser difícil, porque infelizmente o Bougadense joga contra muita coisa e agora vai ser uma tarefa árdua, mas espero que consigam tirar o Bougadense desta situação", asseverou.

Agora sem clube, o treinador já pensa no futuro e pretende encontrar equipa rapidamente. "Estou no início da minha carreira como treinador. Atendendo às adversidades que nos foram colocadas no nosso caminho, acho que neste momento sinto-me mais preparado para que noutros clubes consiga resolver situações complicadas", concluiu.

 

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