Uma das grandes aspirações da Trofa, mesmo quando ainda fazia parte de Santo Tirso, era a eliminação da divisão da cidade que a linha-férrea fazia e ainda faz. Até chegaram a existir projectos bem interessantes, para uma linha inter modal, que servisse o futuro da Trofa, sem a existência de qualquer divisão da cidade.

      O sonho das gentes da Trofa era antigo e consistia no rebaixamento da linha-férrea e a consequente união do Parque da Nª. Sr.ª. das Dores com o Parque Dr. Lima Carneiro, onde ficaria uma zona de lazer à superfície. Por isso lutou, até que Trofa foi a Concelho; e aqueles que foram colocados no poder municipal; para gerirem os destinos do novo Concelho, depressa se esqueceram dos sonhos das gentes da Trofa e começaram a inventar alternativas, não para satisfação da Trofa e dos Trofenses, mas para gáudio de entidades externas à Trofa, como a Refer.

     Com o objectivo da defesa do rebaixamento da linha-férrea foram feitas concentrações, manifestações e até os quatro grandes partidos políticos que existiam, e tinham força na Trofa (CDS/PP; PSD/PPD; PS e PCP), subscreveram um documento histórico. Nesse documento, que foi assinado pelos responsáveis desses partidos políticos da Trofa, além de ter os símbolos desses quatro grandes partidos políticos, coisa inédita, era defendido aquilo que era o melhor para a cidade, e obviamente, para o Concelho e passado pouco tempo, já muitos deixavam cair a bandeira do rebaixamento e começaram a defender as tais alternativas.

     Nesse tempo, também Espinho aspirava e já tinha o processo, em bom ritmo, do rebaixamento da sua linha-férrea, que também dividia a cidade. Na Trofa, aqueles que tinham responsabilidades, não acreditavam que alguma vez a linha fosse rebaixada e até alegavam que em Espinho o rebaixamento era de uma extensão muito superior à necessidade da Trofa, e como tal era muito dispendioso e nunca seria efectuado. Ainda alguém se lembra destes argumentos e destas "certezas"?!

     É verdade, Espinho irá inaugurar ainda este ano, dentro do prazo previsto, o rebaixamento da linha-férrea que teve um investimento superior a 60 milhões de euros (para a Trofa a necessidade era muito menos de metade) e que vai permitir eliminar uma barreira arquitectónica que desde o século XIX corta a cidade ao meio.

     A obra tem uma infra-estrutura que comporta um túnel com cerca de 950 metros. A gare ficará no centro de Espinho, junto à zona do casino. O edifício terá dois corpos: Um principal, onde se localizarão as zonas de apoio aos utentes, e um secundário para as instalações da Refer e CP. Em termos de acessibilidades, o edifício de passageiros contempla duas entradas principais – uma a sul, outra a norte – e duas secundárias na fachada poente. As entradas principais vão permitir o acesso à estação a partir de duas zonas distintas: zona sul, onde está prevista a localização de um interface rodoviário, e zona norte, onde haverá diversos espaços de lazer. As entradas poente destinam-se, sobretudo, a acolher passageiros que se desloquem a pé do centro da cidade para a estação, sobretudo na época balnear. A partir do átrio central haverá acesso directo à plataforma, através de escadas fixas e rolantes e um elevador.

     Apesar dos inconvenientes causados pela obra, a população de Espinho concorda com a obra que vai unir a cidade e aproximá-la da praia. Foi bom enterrar a linha, diz o Povo de Espinho!

     As gentes de Espinho, sonharam, lutaram e concretizaram o seu sonho de rebaixarem a linha-férrea e eliminarem a divisão da cidade. Que diferença!?! 

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                 José Maria Moreira da Silva

           moreira.da.silva@sapo.pt