Afonso Paixão Aquele que foi o 1.º dia duma nova fase da Trofa e do novo concelho já aconteceu há 10 anos e, para muitos, parece que foi a semana passada.   Criou-se o concelho e muita gente pensou que todos os nossos problemas se iriam dissipar no dia seguinte sem se aperceber que o desenvolvimento se consegue com muito trabalho e tempo.

      Naqueles dias, que deixaram saudades, as pessoas ficaram como que inebriadas com a nova realidade e foi tempo, sobretudo, de festejos.

      Tivemos o nosso PREC: tivemos a nossa fase de caça às bruxas: tivemos os nossos exageros e as nossas ingenuidades. Talvez tivesse que ser assim. E quem não pensou e não viveu assim, com ou sem razão, viveu descontextualizado.

      Visto hoje, parece que alguns dos nossos comportamentos deviam ser diferentes.

      Depois veio a desilusão. Afinal, as coisas só se resolvem com o tempo, com trabalho e com muito senso. As coisas não aparecem com a rapidez desejada e há coisas que são iguais em todo o país porque as leis são as mesmas.

     Penso que, hoje, já vivemos as duas primeiras fases e estamos na fase de normalidade, de realismo.

     Tive a honra e o privilégio de integrar a Comissão Instaladora e a primeira Câmara Municipal eleita.

      Fui testemunha dos primeiros passos deste concelho e das primeiras decisões tomadas. Assumi, muitas vezes posições discordantes da maioria. Cada um à sua maneira, pensava o melhor para o concelho. Talvez hoje, depois das experiências, muitas posições, de todos, fossem diferentes, mas não seria diferente a procura do melhor para o concelho

      Hoje, creio, pensamos como concelho, vivemos, criticamos e aplaudimos como concelho que somos, sem a euforia inicial nem o desânimo subsequente.

      Todos pensamos, no entanto, que valeu a pena: constituimos uma nova comunidaade administrativa, sem necessidade de atirarmos pedras ao vizinho, culpado de todos os nossos males, e vamos pensando segundo os nossos méritos ou deméritos.

      Aos poucos, se vai construindo uma nova mentalidade, que não existia há 10 anos e os outros concelhos começam a ver-nos como um par, coisa que não acontecia ainda naquela época.

      Os serviços públicos foram aparecendo, a centralidade vai-se criando e os desafios serão enfrentados com cada vez maior realismo.

      Ainda nos falta muito. Apesar dos progressos com a construção das infra-estruturas de água e saneamento e da instalação dos serviços públicos, ainda nos falta, as variantes rodoviárias que estão prometidas para breve.

     As variantes rodoviárias permitir-nos-ão desfrutar do nosso centro urbano de modo como até agora não pudemos desfrutar. 

     O Plano Director Municipal alterado é também uma das nossas necessidades e que permitirá uma definição das nossas prioridades, dos zonamentos, das zonas de equipamentos, das reservas agrícola e ecológica, dos equipamentos, das vias de comunicação, etc.

     Falta-nos a definição do Centro Cívico, e a sua construção, pondo fim à polémica que existe quanto à sua localização.

     Enfim, falta-nos muitas coisas que serão construídas com o tempo e que todos os trofenses têm reivindicado, como infra-estruturas desportivas, culturais, como o museu, etc.

     Não tenho ouvido falar muito mas considero importante: uma verdadeira identidade trofense, porque quem, como eu, conhece o concelho, rapidamente se apercebe que há muitas sensibilidades e falta-nos criar uma sensibilidade e identidade trofense dentro da rica diversidade, felizmente, existente no concelho.

     O futuro do concelho continuará a depender de todos e do trabalho das autarquias. Sem optimismos, entendo que não me parece que devamos receá-lo. 
 
 

     Afonso Paixão