Filipa Silva e Telma Carneiro decidiram ajudar o pequeno Raúl, pagando na totalidade o equipamento Standing Frame.

“Miúdas, eu sei que sou giro mas tenham calma deixem-me crescer!” A frase figurava na t-shirt que Raúl Santos, de quatro anos, usava quando se encontrou com Filipa Silva e Telma Carneiro que lhe ofereceram o equipamento Standing Frame, que serve para ajudar a fazer extensão das pernas e a apoiá-lo para se colocar de pé.

A completar cinco anos em finais de julho, Raúl recebeu assim o seu presente de aniversário antecipado. Recorde-se que o menino, residente em Santiago de Bougado, nasceu com hidrocefalia e a espinha bífida. A espinha bífida é uma malformação da coluna vertebral resultante de um defeito na formação das vértebras que causa danos no sistema nervoso central, assim como a perda de sensibilidade e mobilidade nos membros inferiores.

Com um custo de 1200 euros, a mãe, Cristina Oliveira, encontrou uma pessoa que tinha um destes equipamentos usados e que o tinha à venda por 600 euros. Como a família não tinha disponibilidade para a compra imediata do equipamento, lançou uma campanha apelando a comunidade a fazer um donativo através de uma transferência bancária para a conta do BPI, criada com esse propósito.

Apesar de os donativos que recebeu, Cristina Oliveira ainda não tinha o dinheiro necessário para a compra do equipamento. É aí que entram as cunhadas Filipa Silva e Telma Carneiro que, quando viram “o anúncio” entraram em contacto com mãe “para ver o que era preciso e dar isto (equipamento) ao menino”. “Esta senhora já tinha estado no estaleiro da nossa empresa(Sucatas Real) a dizer que precisava de uma cadeira de rodas e eu fiquei com o número de telefone, mas por desmazelo meu nunca mais a contactei. Desta vez não deixei passar”, contaram.

Cada uma com “três filhos”, as cunhadas são “muito sensíveis com estas coisas”, estando disponíveis a ajudar “se souber que é preciso”, pois, se fossem com eles, também “gostavam que lhes ajudassem”.


Já a mãe do Raúl afirmou que “era isto mesmo que precisavam”, contando que as cunhadas além de terem pago “na totalidade” o equipamento referiram que “estavam disponíveis para ajudar se precisasse de mais alguma coisa”. “Para mim isso significa muito vindo de pessoas que só me viram uma vez. Às vezes, grandes amigos esqueceram-se um bocadinho do Raúl”, complementou.

Relativamente às verbas que foram depositadas na conta do BPI, Cristina Oliveira salientou que estão “numa conta poupança”, em que “todos os depósitos que foram feitos até agora e os que ainda continuarem a cair são passados diretamente para um mealheiro para o Raúl”. “Estamos à espera que o Raúl seja operado, talvez daqui a um mês e pouco, e se for necessário adquirir mais algum equipamento, que às vezes são precisas umas talas ou coisas do género, o dinheiro será utilizado nessas coisas, assim como nas fraldas que ainda gasta”, reforçou, frisando que o dinheiro será para “uso do Raúl e não para os pais, como algumas pessoas pensavam”.