As tempestades de areia ainda não se abateram sobre os mais de cinquenta pilotos que partiram da Trofa e que deverão chegar este sábado à capital do Senegal. Para conduzir neste rali não é necessário ter carta de condução e muito menos ter 18 anos porque os comando são para qualquer idade.

 O exemplo do Gonçalo Costa de seis anos ou da Ana Veloso de nove são a prova de que, para se conduzir estas máquinas a idade não conta. Ana Veloso começou a participar nas provas de Slotcar há cerca de quatro anos quando "por influencia de uns familiares, vim aqui com o meu pai experimentar e fiquei a gostar", assegurando que "competir não é muito complicado, só é preciso ter um pouco de paciência e apetência nos dedos. Ser a única mulher a competir nesta prova não me mete confusão e prefiro estas máquinas às verdadeiras, pois assim não há perigo de termos acidentes", frisou.

José Gil, veio do Porto e apesar da idade, 60 anos, nada o impede de competir. "Sempre gostei de carros, o meu filho faz karting e isto é uma espécie de complemento, pois a idade já não permite as outras emoções dos carros a sério, mas às vezes dá sensações parecidas", brincou.

"Acho esta competição fabulosa, o clube tem uma organização exemplar, há uma confraternização que são agradáveis e estou a ser acolhido magnificamente, como se viesse cá todos os dias há muito tempo".

E porque aqui as avarias também acontecem e todos os dias antes da prova é preciso preparar as maquinas e fazer as afinações finais antes da etapa seguinte.

Esta quinta-feira a caravana do Slotcar faz duas etapas nas dunas da Mauritânia, fortemente guardadas por tropas mauritanas, e chegam à capital do Senegal no sábado, disputando aí as duas derradeiras etapas.

Quem também fez o gosto ao dedo foi o piloto famalicense Adélio Machado que, depois de cancelada a prova do Dakar com máquinas a sério decidiu experimentar a adrenalina dos carros de comando. Adélio mostrou-se um pouco desagradado com o cancelamento do rali pois "significa um prejuízo muito grande não só para a organização mas também para a toda a equipa que durante um ano preparou os carros, camiões e motas e na última hora vêm tudo desmoronar-se", frisou.

Quanto ao Trofa Dakar, o piloto da Padock Competições reconhece o excelente trabalho do Clube de Slotcar da Trofa, frisando que "deveria existir mais clubes deste em Portugal". Adélio Machado garante que virá à Trofa mais vezes pois "experimentei e fiquei a gostar".

 João Pedro Costa presidente do Clube de Slotcar da Trofa granate que o clube "foi bafejados pela sorte, porque a desmarcação do Lisboa Dakar deu uma projecção ao Trofa-Dakar, ao slotcar e inclusive à cidade da Trofa, porque passamos a ter muitos participantes vindos de várias zonas do país".

O presidente salientou que " o clube tem cerca de 70 associados, dos quais 30 a 40 são praticantes regulares, logo estamos acima desse número, o que para nós é um motivo de satisfação".

Quanto à chegada ao final da prova, João Pedro garante que alguns pilotos vão chegar ao fim da prova, outros se calhar vão ficando pelo caminho, de qualquer forma as questões de segurança aqui não se colocam, a caravana certamente vai seguir toda para o Senegal", brincou. "Todos aqueles que entram no Dakar à escala real tem sempre o objectivo chegar à meta e aqui essa meta é chegar a uma confraternização na última prova num restaurante, penso que toda a gente vai querer chegar a esse dia", concluiu.