Filipe Couto Reis já perdeu a conta aos anos que dedicou à raça Holstein Frísia. A poucas semanas da Feira Anual da Trofa, o NT foi conhecer melhor esta raça bovina.

As manchas brancas e pretas ou castanhas são um dos atributos da raça Holstein Frísia, a mais representativa na região da Trofa. Filipe Couto Reis é criador destes animais “há muito tempo” e conhece-os como ninguém.

Enquanto uma das vacas fazia impor a sua presença e insistia em descobrir o sabor do vestuário da jornalista, Filipe Couto Reis explicava que estes “são animais muito temperamentais”. “Gostam muito de mimo e de ser acariciados. Têm hábitos muito regulares e não gostam que contrariem a forma delas estarem. Por exemplo, gostam de ter sempre a sua cama e o mesmo lugar para comer. Gostam de frequentar sempre o mesmo lugar na ordenha e de ser manejadas pela mesma pessoa durante o processo. São animais de hábitos, que não gostam de ser contrariados”, explicou Filipe Couto Reis, com um sorriso nos lábios e um brilho no olhar.

Da vacaria saem diariamente cerca de 2600 litros de leite, produzidos por duas centenas de animais. Doze devem participar no concurso que vai decorrer durante a Feira Anual da Trofa. Filipe Couto Reis trabalhou “muito” para que esta prova fosse uma realidade na Trofa, mas mesmo assim ponderou muito bem a participação na edição deste ano do certame: “A actual conjuntura não cativa os criadores para a participação em concursos devido aos custos que essas presenças acarretam”. “Perde-se produção e tempo. Para além do transporte de animais e ração, há ainda o stress das vacas que, mesmo habituadas a este tipo de eventos, demoram cerca de uma semana a recuperar a produtividade depois das provas”, explicou.

Preparar as Holstein Frísia para os concursos não é tarefa fácil: “Temos de as habituar a andar à corda, que não é o normal. As vacas têm de estar muitas horas presas, devemos tentar caminhar com elas o maior número de horas possível e dar-lhes muitos banhos por dia. Depois desta preparação, a etapa seguinte é cortar-lhe o pêlo e, assim, o animal já fica preparado para o concurso”.

Durante as provas, a avaliação é feita “com base no carácter leiteiro do animal, bem como através da avaliação das pernas e do úbere (vale 40 por cento da classificação)”. Para tentar suprimir os defeitos dos animais, os criadores fazem “cruzamentos genéticos”.

“Dar a conhecer a raça à população em geral e sobretudo aos mais novos é uma das vertentes mais importantes da Feira Anual da Trofa”, garante o criador de Santiago de Bougado. Filipe Couto Reis atestou que “nesta altura o certame deveria preocupar-se em manter a qualidade que atingiu, porque já é uma das melhores do país e pouco há a fazer para melhorá-la, até porque o espaço físico da feira é muito limitado”.

A raça Holstein Frísia é “diferente de todas as outras”, específica para a produção de leite e a região onde a Trofa está inserida é “muito produtiva”. Embora o leite seja “um bem essencial”, Filipe Couto Reis reconhece que o sector está a atravessar “muitas dificuldades”, continuando contudo a ser “o mais sustentável”. Os problemas passam pelo “custo muito elevado de produção perante o pouco retorno para o produtor”, mas não só: “É um sector que nos últimos anos se sentiu acomodado, tanto por parte de quem trabalha nele, como por parte de quem o dirige. Foi preciso bater no fundo para que as pessoas tivessem vontade de perceber porque é que muitas explorações fechavam”. “Nunca houve incentivo à produção, porque se gastou o dinheiro onde não se devia e hoje temos explorações mal estruturadas”, acrescentou.

No próximo dia 3 de Março Filipe Couto Reis vai levar os seus animais para participar no concurso que vai decorrer na edição 2011 da Feira Anual da Trofa.