Rui Pedro Silva confessou ao NT o que sentiu ao qualificar-se para os Jogos de Pequim

Os Jogos Olímpicos, apesar se serem um "sonho" nunca se tornaram numa "obsessão" para Rui Pedro Silva. A vitória na prova em Vigo, Espanha, abriu-lhe as portas para Pequim, onde o atleta espera "uma boa classificação" e se possível "ser o melhor da Europa".

{flvremote}http://trofa.otos.tv/videos/ruipedrook.flv{/flvremote}  Há um ano atrás era "um sonho", hoje é pura realidade. A próxima paragem de Rui Pedro Silva são os Jogos Olímpicos de Pequim. O atleta da Trofa é 74º português a representar o país nesta competição. Em Julho de 2007, em entrevista ao NT, o atleta admitia o "sonho de atingir os Jogos Olímpicos" e este mês concretizou-o, ao conseguir os mínimos na modalidade dos 10 mil metros, em Vigo, Espanha, numa corrida completamente alucinante. Ao NT, Rui Pedro recordou os momentos que se seguiram depois de 28.05,78 minutos de corrida: "Quando acabei ainda não tinha a certeza se tinha conseguido ou não. Só passados cinco minutos é que tive a certeza. Foi uma alegria muito grande, mas mesmo assim ainda estava confuso. Só no dia seguinte é que vendo na televisão e nos jornais é que vi que tinha mesmo conseguido".

Rui Pedro sente-se melhor no corta-mato, mas assume-se como um atleta polivalente. Em Pequim vai ter que fazer pista, especialidade em que se classificou na cidade espanhola e que indicia o seu bom momento. Os Jogos Olímpicos, apesar se serem um "sonho" nunca se tornaram numa "obsessão". "Preparei-me a época quase toda para a prova de Vigo, mas objectivo (de chegar às Olimpíadas) só se tornou mesmo há um mês, quando dei sinais que estava em boa forma e que só precisava mesmo da corrida certa. Tive a felicidade de acertar", contou.

Já com o pensamento em Pequim, Rui Pedro Silva entra em estágio no próximo sábado, começando uma intensa preparação para a prova. O objectivo passa por "alcançar uma boa classificação" e se possível "ser o melhor da Europa".

Os seus dias até 4 de Agosto resumem-se a "acordar, tomar o pequeno-almoço, treinar até chegar a hora do almoço para depois cerca das seis horas voltar a treinar".

Fazer desporto profissional não é só "calçar umas sapatilhas e correr", por isso o atleta lamenta o facto de as pessoas não "reconhecerem da mesma forma outros desportos que não o futebol". Não é muito abordado no exterior, porque afinal não é "nenhum Cristiano Ronaldo para poder andar sempre na rua. Tenho que treinar grande parte do dia, já que não há substituições, não posso sair para entrar outro para o meu lugar", explicou o atleta do Maratona, que é treinado por João Campos.

Da Trofa não recebe "apoios de ninguém", e estes cingem-se "à equipa e patrocinadores".

 

Uma carreira iniciada no Ginásio da Trofa

Como toda a criança, Rui Pedro Silva começou a correr desde pequeno, para depois, na escola, começar uma nova fase. Entrou no Ginásio da Trofa com seis anos e tornou-se profissional em 2000. Na sua estante guarda alguns prémios quando estava em escalões inferiores e também troféus já quando se tornou atleta profissional. De todos, os mais especiais são os que ganhou quando foi "campeão nacional em 2007 e quinto classificado no Europeu de 2006".

Agora as expectativas são elevadas, mas Rui Pedro não deixa de ter os pés bem assentes na terra. Até porque já estar nos Jogos Olímpicos é um feito que só os melhores do Mundo conseguem.