Decorria o mês de abril do ano de 1902, numa das noites como todas as outras em que nada se fazia prever, quando decorreu algo que iria colocar a população em alvoroço.

Na noite de 7 para 8 daquele mês, no lugar da Lagoa, em Santiago de Bougado, o tradicional som do silêncio da noite era quebrado pelo estampido de dois tiros de revólver, causando enorme sublevação naquela comunidade.

Alguém de um número de indivíduos, impossível de quantificar, teria disparado uma arma de fogo e atingido com dois tiros um transeunte que por ali passava, deixando-o estendido no chão em consequência dos ferimentos.

A vítima era Narciso, morador em Santiago de Bougado, e tinha como ocupação profissional ser carregador da Companhia de Caminhos de Ferro do Minho. Não existem mais dados biográficos sobre a vítima e a distância temporal da ocorrência dos factos também é inimigo da história.

Os agressores (ou agressor), ao pensar que a vítima tinha morrido, acabaram por fugir e o pobre infeliz ficou estatelado na rua, certamente a esvair-se em sangue, e teria de ser rapidamente socorrido, caso contrário iria morrer em consequência dos danos que os projéteis lhe causaram e das respetivas hemorragias.

A vítima acabaria por ser socorrida por populares e seria conduzido ao Hospital da Misericórdia do Porto, uma viagem tortuosa de poucos quilómetros, mas realizada certamente em péssimas condições. Felizmente, que as condições de socorro foram melhorando.

Na entrada das urgências do referido hospital, o médico que estava de serviço informava após observar o doente que o seu estado de saúde era gravíssimo, pois as balas perfuraram o estômago e ficaram alojadas naquele órgão.

O presente artigo foi escrito com base nas informações de uma reportagem do Jornal de Santo Thyrso de 10 de abril de 1902 e nas semanas seguintes não foi possível encontrar mais informações sobre este acontecimento, desconhecendo-se se a vítima chegou a falecer decorrente daquele episódio ou se sobreviveu, como também perceber quem foram os autores materiais do crime.

No final, mantém-se a pergunta: quem tentou matar Narciso?