A Valorização do Recurso Humano pela Qualificação e Ensino Profissional – CQEP Trofa” foi o tema das Jornadas de Reflexão, organizadas no auditório da Associação Empresarial do Baixo Ave (AEBA) em conjunto com o CQEP Trofa – Centros para a Qualificação e Ensino Profissional. O momento alto da sessão, que contou com a presença do presidente da Agência Nacional para a Qualificação e Ensino Profissional, Gonçalo Xufre, foi a assinatura de vários protocolos com empresas da região, em que a AEBA “faz a aproximação entre o CQEP e as empresas”.
O diretor do CQEP Trofa, Paulino Macedo, explicou que a iniciativa surgiu “no âmbito da constituição” do centro na Trofa, uma vez que precisavam de “dar visibilidade pública às atividades” e de “proceder à assinatura de protocolos com instituições empresariais que trabalhem e que queiram trabalhar” com eles, aproveitando o momento para “convidar o presidente da ANQEP para dar alguma indicação do futuro, dar alguma sistematização ao trabalho e de alguma forma também uma avaliação do que estão a fazer para poderem corrigir eventuais erros ou situações menos adequadas”.
Durante a sua apresentação, Gonçalo Xufre, presidente da ANQEP, transmitiu “um pouco aquilo que a ANQEP tem feito nesta área de valorização dos recursos humanos”, tentando que “cada vez mais as empresas tenham um papel ativo, de colaboração e de construção daquilo que são as ofertas de qualificação, sejam as ofertas de formação ou de educação ou mesmo em processos de reconhecimento de competências, preferencialmente as competências profissionais adquiridas em contexto de trabalho”. O presidente da ANQEP declarou que a assinatura de protocolos com “um conjunto de empresas muito relevantes” mostra “uma predisposição para essa mesma aproximação”.
A partir do momento que se inicia uma vida profissional, vai-se aprendendo coisas novas, que, na opinião de Gonçalo Xufre, “deve ser sempre reconhecida”. “Enquanto as pessoas forem aprendendo em vários tipos de contexto, mas em particular num contexto da profissão, num contexto da sua atividade profissional, haja esse reconhecimento, haja essa validação e depois haja uma certificação para que as pessoas vejam creditado aquilo que vão aprendendo e possam também atingir níveis de qualificação ainda mais elevados do que aqueles que tiveram no ponto de partida”, concluiu.

CQEP tem mais de 200 formandos
Paulino Macedo explicou que “numa primeira fase” do CQEP é feito “diagnóstico, informação e encaminhamento”. Neste momento, o CQEP Trofa está à “procura de formação externa”, uma vez que, “ao contrário do que acontecia com os anteriores CNO, não é vocacionado para fazer formação”. “Se estas entidades, quer formadoras, quer empresariais, estiverem connosco, vamos com mais facilidade desenhar formação para os formandos que estiverem no nosso caderno, mas ao mesmo tempo vamos criar sinergias com estas instituições para desenharmos essa mesma formação. É uma responsabilidade que queremos partilhar com outras instituições e não ficar dentro dos muros do CQEP”, denotou.
O CQEP Trofa, com sede na Escola Secundária, tem “várias valências, desde a formação escolar de jovens até à formação escolar de adultos”, tendo ainda “várias situações em standby”, que estão “a negociar com o Instituto de Emprego e Formação Profissional”. O centro conta com “133 novos formandos” e “várias turmas na ordem dos 200/250 formandos, que estão a fazer o seu processo normal de encaminhamento”. O diretor do CQEP asseverou que “hoje em dia o mercado de trabalho exige cada vez mais que as competências sejam flexíveis e sejam abrangentes”, sendo que “aquela ideia de termos um curso para fazer sempre a mesma coisa está ultrapassada”.
Também Mafalda Cunha, vice-presidente executiva da AEBA, quis dissipar “tabus”: “Há algumas pessoas que dizem que já não têm idade e que têm super qualificações para aquilo que estão a pedir nas empresas”. “As empresas precisam de pessoas que não encontram dentro das qualificações pretendidas das pessoas que estão disponíveis para trabalho. Há desajustamentos que são precisos trabalhar”, denotou, referindo que as estruturas, como os CQEP, “ajudam as pessoas a tomarem consciência das competências que têm” e isso “ajuda depois no processo de obtenção de emprego”. A vice-presidente da AEBA recordou quando a associação tinha “centro de reconhecimento e validação de certificação de competências” e se “deliciavam a ver os adultos a descobrirem que afinal sabiam fazer coisas que não tinham noção que sabiam fazer”. “Esta confiança e reforço de confiança leva a que as pessoas tenham muito maior capacidade de empregabilidade porque sabem falar melhor, sabem expressar-se melhor, sabem explicar melhor o que são capazes de fazer na empresa e mudam muitas vezes a atitude e isso é muito diferenciador no mercado de trabalho. Muitas das vezes, mais do que a própria competência técnica, a competência comportamental/atitude faz a diferença”, concluiu.