A Feira Anual da Trofa é, cada vez mais, considerada uma iniciativa de relevância nacional pela qualidade da organização e dos animais a concurso.

“Um animal equilibrado, com bom úbere, com bons pés e boas pernas. Consigo ver um bom futuro para esta vaca”. Foi este o entendimento de Guido Oitana, jurado do 12º Concurso da Raça Holstein Frísia da Feira Anual na escolha da Vaca Grande Campeã. O animal pertence à Sociedade Agropecuária Vilas Boas & Pereira, Lda. e chamou a atenção pelo enorme potencial.

Manuel Pereira, proprietário da exploração, sabia que “dos animais que trouxe, aquele era o que podia fazer a melhor pontuação”, sem contar, porém, que arrebataria a concorrência no prémio mais desejado, inclusive a vencedora da edição anterior, que desta vez não foi além do terceiro lugar. “Ninguém tem problemas em perder contra aquele animal, porque é muito bom, mas teve um problema de saúde e não estava no seu melhor momento e foi uma oportunidade que eu tive. Foi um concurso muito bom, nos últimos anos tem melhorado bastante, ao nível da qualidade dos animais”, afiançou Manuel Pereira.

Quem também estava agradado com a organização do concurso era Vítor Maia, presidente da Cooperativa dos Agricultores de Santo Tirso e Trofa, que considerou que a Feira “foi muito bem organizada” e que o animal vencedor conquistou o título com “justiça”. “Os concursos têm muita relevância nacional. Para o ano vamos tentar que estejam ainda mais produtores para que a Trofa seja cada vez mais um marco da agropecuária”, sublinhou.

Por seu lado, Carlos Salgueiro, presidente da Associação Portuguesa de Criadores da Raça Frisia, assinalou a qualidade dos animais e a normalidade do concurso. “A Trofa tem um concurso com relevância nacional, o único problema, de que já falo há anos, é a falta de espaço e acessos. As condições não são as melhores, mas consegue-se organizar um bom concurso, com 120 animais. Temos de segurar e tentar melhorar a qualidade dos animais”, referiu.

Concursos das raças autóctones superam expectativas

Não menos importantes, os concursos das raças arouquesa, minhota e barrosã são aqueles que melhor conservam a tradição da Feira Anual, que este ano completou 68 edições.

Teresa Moreira, presidente da Associação Portuguesa dos Criadores de Bovinos da Raça Minhota, ficou “muito bem impressionada” com a qualidade do concurso que decorreu no sábado, uma vez que “não contava com tantos animais”. “No dia 27 fizemos um concurso em Guimarães, onde estiveram muito poucos animais e eu fiquei bastante desiludida e estava convencida que o número de animais que viria à Trofa seria idêntico. Mas não, depois de tanto sacrifício e de tantos tempos difíceis, os criadores estiveram á todos a mostrar aquilo que de tao bom temos, que é o património genético das raças autóctones”, asseverou.

Também José Leite, secretário técnico do Livro Genealógico da Raça Bovina Barrosã, ficou satisfeito com “o elevado nível técnico” do concurso de domingo, graças “à grande presença dos criadores” e “à espetacular moldura humana”. “Eu coloco o concurso da Trofa sempre nos primeiros lugares, quer pela organização, quer pelo local. É uma tenda espetacular, com piso espetacular e com pessoas muito boas”, frisou.