A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, garantiu que a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão pode contar com o apoio financeiro do Governo para a construção do Centro de Estudos do Surrealismo, que integra um museu consagrado a esta corrente artística, cuja maqueta foi apresentada recentemente, no âmbito de uma homenagem da Fundação Arthur Cupertino de Miranda, assinalando o primeiro aniversário da morte de Mário Cesariny, artista plástico e figura maior do surrealismo português.

 Isabel Pires de Lima, que esteve na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão no último fim-de-semana como convidada para a estreia nacional da peça de teatro "Os Filhos do Esfolador", pela companhia Jangada Teatro, falava ao canal de televisão Fama TV . A ministra da Cultura afirmou-se conhecedora do trabalho desenvolvido pela Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, "um espaço municipal de uma grande dinâmica cultural", segundo palavras da ministra.

Ainda sobre o trabalho desenvolvido pela Casa das Artes de Famalicão, a governante considerou que estamos perante "um espaço municipal com uma programação de elevada qualidade e com um sentido de serviço público muito forte". Isabel Pires de Lima destacou ainda o trabalho da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, "outro espaço de Famalicão que tem também muito boas práticas e uma actividade rica", que vai receber a biblioteca particular de Eduardo Prado Coelho.

"Vejo Famalicão como um concelho excepcional no investimento que faz na cultura", revelou a ministra, destacando ainda "o prémio de excelência" recebido há dias pela Casa-Museu de Camilo, também gerida pela autarquia e que foi distinguida com um prémio anual da Associação Portuguesa de Museologia como o melhor museu do país.

A ministra da Cultura considerou também como "excelente" o trabalho desenvolvido pela Fundação Arthur Cupertino de Miranda, cujo espólio do surrealismo português classificou como "excepcionalíssimo".

"Como ministra da Cultura acho que devo dar sinais das boas práticas", explicou, à laia de justificação da sua presença entre o público da Casa das Artes.

Entre os rasgados elogios à grande dinâmica cultural de Vila Nova de Famalicão, a ministra da Cultura também não esqueceu o facto de a Câmara Municipal ter tomado a decisão política de construir as instalações do Centro de Estudos do Surrealismo, que irá acolher um museu com o espólio de vários artistas, nomeadamente o de Mário cesariny. "A riqueza do espólio que Famalicão tem, no domínio do surrealismo, merece, de facto, uma atenção muito especial. Fico particularmente satisfeita", afirmou Isabel Pires de Lima, abrindo a porta ao apoio financeiro do Governo para a concretização de uma obra avaliada em três milhões de euros. "Claro que sim, claro que sim…", respondeu a ministra, quando lhe perguntaram se o Município de Vila Nova de Famalicão pode contar com o apoio do Ministério da Cultura. De resto, Isabel Pires de Lima consideroru "uma excelente notícia" o facto de saber que o surrealismo terá um museu em Vila Nova de Famalicão.

SALA DE EXPOSIÇÕES ÚNICA NO PAÍS

O futuro Centro de Estudos do Surrealismo, que será erguido numa das margens do Parque da Cidade, em terrenos localizados entre o Citeve e o Centro Coordenador de Transportes, terá uma sala de exposições com 350 metros de área e nove metros de pé direito, garantindo condições únicas no País para a exposição de obras de arte de grande dimensão. Esta é a grande novidade do projecto que está a ser preparado pela equipa de arquitectos Duarte Nuno Simões e Nuno Simões, do atelier DNSJ.Arq, de Lisboa.

"O Centro de Estudos do Surrealismo será uma obra marcante para a cidade, para a região e para a cultura portuguesa, que o Município de Famalicão se orgulha de lançar no terreno", afirmou o presidente da Câmara, Armindo Costa, ao ser apresentada a maqueta, adiantando que, "com a construção do Centro de Estudos do Surrealismo, onde vamos investir cerca de três milhões de euros, a Câmara de Famalicão, assume o seu papel de agente defensor dos bens culturais e promotor da cultura, que investe na criação de infra-estruturas e na dinamização dos equipamentos culturais".

O Centro de Estudos do Surrealismo será "um espaço para honrar a cidade e as obras que ali serão expostas", como indicou, por seu turno, o arquitecto Duarte Nuno Simões. O concurso público será lançado após a conclusão do projecto de execução, prevista para durante o próximo ano. Composto por três pisos, a estrutura em forma de rectângulo recortado irá receber 1900 obras surrealistas, sobretudo pinturas e desenhos, parte das quais foram doadas por Mário Cesariny. Integrará também uma biblioteca especializada com cerca de 10 mil volumes, um auditório com 120 lugares e um espaço pedagógico. De acordo com o arquitecto Nuno Simões, será "uma construção com uma presença maciça em betão branco com aberturas pontuais dispostas irregularmente". A entrada, a partir do lado da cidade será feita através da passagem por "um pequeno bosque de faias que serve de mediação e prepara as pessoas para a visita", acrescentou o responsável. O arquitecto Nuno Simões destacou também o átrio, "como o espaço mais representativo do Centro de Estudos", pois é o espaço que dará acesso a todas as salas e gabinetes, tendo "uma visão transversal sobre o Parque da Cidade".