quant
Fique ligado
atanagildolobo atanagildolobo

Ano 2011

“…Eles comem tudo e não deixam nada”

Publicado

em

O Povo é soberano. Escolherá no próximo dia 5 de junho a política a implementar nos próximos anos. Cabe-nos respeitar essa decisão no cumprimento rigoroso do imperativo democrático. Não significa isto que a opção venha a ser correta. Os eleitores também se enganam ou são enganados. Caso assim não fosse, não estaríamos no ponto em que nos encontramos. Parece, no entanto, haver apenas dois caminhos a escolher. O prescrito pela dita Troika do FMI e da CE, religiosamente seguido pela Troika nacional. Será pois indiferente para o eleitor votar PS, PSD ou CDS. O resultado será sempre o mesmo. Pelo que se estes partidos tiverem a maioria, por muitas desavenças que finjam ter, os portugueses terão, entre muitas, algumas destas medidas: redução da duração máxima do subsídio de desemprego para 18 meses, com diminuição do seu valor após seis meses; corte nas contribuições das empresas para a Segurança Social, reduzindo a taxa social única, levando à descapitalização da Segurança Social; agravamento do IVA; aumento do IRS por via da redução/eliminação de deduções fiscais (saúde, educação, habitação), incluindo o agravamento da tributação das reformas e pensões; facilitação e embaratecimento dos despedimentos, reduzindo a indemnização paga pelo patronato de 30 para 10 dias (por ano de trabalho) e alargando as possibilidades de despedimento por «justa causa»; diminuição real de todas as pensões e reformas durante três anos, incluindo as pensões mínimas, e corte das pensões e reformas superiores a 1500 euros; eliminação das isenções de IMI nos primeiros anos após a compra da casa; aumento dos preços da energia elétrica e do gás, por via da sua liberalização e do agravamento do IVA e da criação de um novo imposto especial sobre o consumo de energia elétrica; agravamento significativo das taxas moderadoras, diminuição das comparticipações dos medicamentos; encerramento e concentração de serviços (hospitais, centros de saúde, escolas, tribunais, finanças e outros serviços da administração central e regional); congelamento durante três anos dos salários dos trabalhadores da administração pública; redução de dezenas de milhares de postos de trabalho na administração pública; privatização da participação do Estado na EDP, da REN e da TAP; alienação dos direitos especiais do Estado (golden shares) em empresas estratégicas como a PT; privatização da Caixa Geral de Depósitos no seu ramo segurador (mais de 30% da atividade financeira do grupo); ofensiva contra o setor público de transportes de passageiros e mercadorias, designadamente com a privatização da ANA, CP Carga, linhas ferroviárias suburbanas, gestão portuária, etc.; Além disso a Merkel já veio dizer que os portugueses devem ter menos dias de férias. A Troika portuguesa vem dizer que não, mas vai anunciando a necessidade da uniformização fiscal e legal. Mas porque será que não fala da harmonização salarial e das pensões?

Em troca vêm os 78 mil milhões de euros do «empréstimo». 12 mil milhões de euros vão direitinhos para a Banca para aumentos de capital, sustentando a sua solvabilidade e liquidez. Mas os apoios à banca não se ficam por aqui. Apesar de não fazer parte deste pacote financeiro, o Estado irá disponibilizar 35 mil milhões de euros em garantias aos empréstimos que a banca precisar de realizar, baixando assim o juro que a mesma banca terá que suportar. No caso destas garantias serem acionadas por incumprimento da banca, este montante entrará imediatamente na dívida pública, agravando ainda mais o endividamento. Cerca de 55 mil milhões servirão para pagar o montante de dívida que vence durante este período e os juros respetivos. Ou seja, a troika PS/PSD/CDS decidiu aceitar endividar ainda mais o Estado Português para garantir a amortização da dívida e o pagamento dos juros aos setores financeiros detentores de dívida pública portuguesa, muitos dos mesmos que especularam e conduziram a taxa de juro da mesma dívida acima dos 12%. Com a taxa de juros dos «nossos amigos» de 5,7%, no final dos sete anos e meio previstos para o pagamento do empréstimo, Portugal deverá ter pago um total de juros superior a 30 mil milhões de euros. Ou seja, ao endividamento para pagar dívidas, Portugal somará um novo encargo ao montante do empréstimo num valor que representa cerca de 40% deste.

Sabendo nós que nada do empréstimo servirá para investir no tecido produtivo, na agricultura ou nas pescas, sabendo nós da situação de recessão em que se encontra o país e que assim continuará, com o consequente aumento do desemprego, sabendo nós que as receitas do mesmo tipo impostas na Grécia e na Irlanda não deram resultado, não restarão dúvidas que este caminho e o voto no PS, PSD e CDS será um erro que comprometerá o futuro de Portugal e dos Portugueses e fará do nosso país o mais pobre da Europa. O caminho alternativo a seguir, e que parece que começa a ganhar mais seguidores até de outros quadrantes políticos e ideológicos, é o da renegociação da dívida proposta pela Esquerda, nomeadamente pela CDU, com novos prazos e novas taxas de juro, por forma a permitir o investimento e crescimento económico na agricultura, nas pescas e na indústria. Caso contrário continuaremos na dependência da especulação e agiotagem dos «mercados» e estes, já sabemos, «comem tudo e não deixam nada»

 

Guidões, 21 de Maio de 2011.

Atanagildo Lobo

 

{fcomment}

Publicidade
Continuar a ler...
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

Ano 2011

O ano de 2012 não será uma hecatombe, mas…

Publicado

em

Por

A passagem de mais um ano, obriga-nos a meditar sobre o ano que passou e o ano que está a chegar. Não é que se viva de recordações, mas elas são muito úteis para se poder fazer um balanço da nossa vida; de onde viemos, para onde vamos. É o tradicional «reveillon», talvez o mais triste dos últimos anos.

O ano que agora finda é provavelmente, aquele que mais afetou a vida de quase todos nós, que ainda por cá andamos. O ano que virá, não será uma hecatombe, mas será um ano de muitas falências, de desemprego, de recessão e de depressão. Será a continuação da crise, ainda mais agravada com o passar do tempo.

Não vai ser possível escapar a mais um ano de recessão e caos económico, uma situação que não vivemos desde a segunda guerra mundial. O ano que agora festejamos o seu fim, brindou os portugueses com algumas medidas de carácter económico, que fizeram abalar a “carteira” de muitos, a começar com os cortes, para alguns, nos subsídios de férias e de natal, no fim das borlas nas SCUT, o fim do passe social para todos e os diversos e sucessivos aumentos em produtos necessários ao nosso dia-a-dia.

A crise que estamos a atravessar é uma crise quase generalizada a todo o mundo: o Ocidente debate-se com uma grave crise económica, que dura há mais de três anos; a África continua com as suas tradicionais crises humanitárias, económicas e políticas; a Ásia está a viver um conjunto de problemas originados pelo crescimento económico muito rápido de diversos países. A crise – financeira, económica e social -, alastrou-se a todo o mundo e o ano de 2012 vai exigir um combate em todas as frentes, vai exigir soluções globais.

Os decisores políticos mundiais deverão ter em atenção algumas premissas para que o combate tenha o êxito desejado. Em primeiro lugar, deve ser dada a primazia da economia sobre as finanças, mas antes de tudo devem dar a primazia ao ser humano. Não se quer uma economia baseada no «capitalismo selvagem», mas uma economia centrada no homem. É no homem e para o homem e nos princípios da solidariedade, que a economia deve estar focada. Só assim é que faz sentido.

Vai ser preciso um combate eficaz à miséria, à fome, ao desemprego, que grassa por todo o mundo. Seguramente, o ano que se avizinha terá de ser um ano de grandes transformações, pois os desafios são tremendos. Vai ser preciso suster o descalabro das finanças públicas, deter o galopante crescendo da dívida soberana dos Estados e fazer crescer a economia.

A crise que o mundo está a atravessar interpela todos, pessoas e povos, homens e mulheres, jovens e menos jovens, empregadores e empregados, partidos políticos e grupos de reflexão a um profundo discernimento dos princípios e dos valores que estão na base da convivência social. A crise obriga a um empenhamento geral, numa séria reflexão sobre as causas e soluções de natureza política e económica não deixando de ter o homem como epicentro. Para o bem-estar da humanidade. Sempre!

José Maria Moreira da Silva

Publicidade

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

{fcomment}

(mais…)

Continuar a ler...

Ano 2011

Grupo de Jovens de Guidões recria presépio

Publicado

em

Por

O Grupo de jovens S. João Baptista de Guidões deu vida ao presépio, numa iniciativa que é já tradição na freguesia.

Para muitos o dia de Natal é sinónimo de descanso e convívio familiar, mas em Guidões cerca de duas dezenas de jovens abdicam do conforto do lar para dar vida ao nascimento de Jesus, recriando o Presépio ao Vivo.

O último domingo, 25 de dezembro, começou bem cedo para o grupo. Ainda o relógio da Igreja Paroquial, onde é encenado o presépio, não assinalava as 7 horas e já os primeiros elementos chegavam para ultimar os preparativos. “Há certas coisas que apenas podemos fazer no dia, como colocar decorações e trazer os animais”, explicou o presidente do grupo de jovens, José Pedro Campos. Depois de tudo colocado no devido sítio, os animais acomodados nas suas cercas e dos jovens vestirem os trajes da época, era altura de ensaiar a encenação que deveriam levar a cabo durante a eucaristia de Natal. “Este ano, para além do presépio, também fizemos uma pequena atuação no momento de Ação de Graças”, esclareceu o responsável.

Esta é uma iniciativa que o Grupo de Jovens S. João Baptista de Guidões desenvolve há já vários anos: “Naturalmente que dá bastante trabalho”. “Toda a estrutura foi criada de raiz e é da responsabilidade dos elementos do grupo que soldam, pregam, serram e fazem o que for necessário para que tudo esteja pronto no dia de Natal”, acrescentou José Pedro Campos.

Neste presépio existem anjos, pastores, reis, José, Maria e muitas outras personagens que recriam os relatos da Bíblia, como a aparição do anjo a Maria, a falta de lugar na hospedaria em Belém para José e Maria pernoitarem ou a fuga para o Egito, depois de Herodes ordenar a morte de todos os bebés.

O objetivo é “diversificar as cenas todos os anos para não se tornar monótono”. Se ainda não teve a oportunidade de visitar o Presépio ao Vivo, pode fazê-lo no dia 1 de janeiro entre as 14 e as 17.30 horas.

{fcomment}

Publicidade
Continuar a ler...

Edição Papel

Comer sem sair de casa?

Facebook

Farmácia de serviço

 

arquivo

Neste dia foi notícia...

Ver mais...

Covid-19

Pode ler também

} a || (a = document.getElementsByTagName("head")[0] || document.getElementsByTagName("body")[0]); a.parentNode.insertBefore(c, a); })(document, window);