No dia do 37º aniversário do Bougadense, Adalberto Maia confessou que ainda não sabe se continua na direcção do clube

Depois de atravessar algumas dificuldades que causaram um fosso financeiro no clube, o Bougadense festejou o 37º aniversáro com a garantia de estar “mais organizado”. Adalberto Maia, presidente do emblema de Santiago de Bougado, estava “contente” com a presença de cerca de uma centena de pessoas, mas afirmou que ainda está “indeciso” quanto a uma recandidatura à direcção.

 Doze de Março de 1972. Dia de uma semana europeia, com o Benfica nas bocas de Portugal. Em Santiago de Bougado também. Numa conversa de café dois bougadenses decidem formar um clube de futebol, que pudesse ocupar os tempos livres dos jovens. O Trofense jogava já numa divisão exigente e os juniores nunca conseguiam singrar no único emblema da cidade. Júlio Cruz e outros homens de Santiago formaram então o Atlético Clube Bougadense, um clube “sem a intenção de ter expressão europeia, claro está”, mas que pudesse ser uma referência na freguesia. Trinta e sete anos depois, o sócio fundador e dezenas de dirigentes e atletas que contribuem actualmente para a sobrevivência do clube juntaram-se num jantar de aniversário, realizado num restaurante de Santiago de Bougado.

Adalberto Maia, presidente da direcção do emblema estava “contente” com as cerca de cem pessoas que encheram a sala. Ali estava “a família bougadense”, que luta todos os dias “para arrastar mais pessoas ao clube, no sentido de lhe dar mais vida”.

Para além do apoio à equipa sénior que luta pela manutenção na Divisão de Honra, da Associação de Futebol do Porto, o emblema bougadense precisa também de pessoas “que auxiliem na gestão” e da compreensão dos sócios, no pagamento das quotas, pois “agora não é possível arranjar pessoas que as cubra porta a porta”.

Sobre se se vai recandidatar à direcção do Bougadense, Adalberto Maia afirmou que ainda não tomou uma decisão. “Ainda estou indeciso. Tenho que conversar com a restante direcção para saber se posso contar com as mesmas pessoas e ter certezas quanto ao apoio de outras entidades, como da Junta de Freguesia e empresas”, referiu.

Em jeito de balanço, o presidente afirmou que a época tem sido “muito cansativa”, não só no que toca à vertente desportiva, como também na gestão do clube: “a fiscalização das finanças tirou-nos muito tempo e obrigou-nos a outros encargos que causaram um grande desgaste”, acrescentou.

Adalberto Maia sente que “ganhou muita experiência” e “tomara arranjar mais pessoas para vir para a direcção”, que contribuam para “um clube melhor”.

Depois de todas as dificuldades financeiras que assolaram o Bougadense, hoje o presidente garante que o clube “está mais organizado”, mas não descarta medidas para melhorar o seu funcionamento.

Relativamente à equipa principal, que ocupa o 17º lugar do campeonato e está em posição de descida, o responsável acredita na salvação. “Já tive exemplo de épocas e resultados piores e não me esqueço do que deixei para trás, vários problemas que tivemos à última hora. Começámos mal, mas sei com o que posso contar e com balneário que temos”, afirmou.

Júlio Cruz, sócio fundador do Bougadense, sentia-se “muito feliz e orgulhoso” por o clube “ter aguentado e crescido”. O adepto relembrou os primeiros passos do clube e destacou as dificuldades vividas pela falta de apoios da Câmara Municipal de Santo Tirso. “Hoje aparece tudo feito e justiça seja feita, a Câmara da Trofa colabora bastante com as agremiações desportivas”, sublinhou.

 

Construir pavilhão municipal é intenção da autarquia

Bernardino Vasconcelos foi um dos convidados de honra do jantar e ao NT afirmou que o Bougadense “é um clube de referência” não só no âmbito da competição, mas também no que toca à formação. “Sempre apostou bastante nos jovens e ultimamente com uma expressão muito forte. Hoje tem cerca de 200 jovens nos escalões, o que representa uma função social que é importante realçar”, referiu.

No que respeita à equipa principal “não correm melhores dias, mas também não está em situação perigosa”. O que realmente importa para o edil é a ” projecção do desporto”. Surge, no entanto, a necessidade de “apoiar o clube”, o que, segundo Vasconcelos, “não cabe apenas à Câmara Municipal”. “O apoio tem que vir das pessoas e dos adeptos residentes em Santiago, no sentido de dar ao clube a estabilidade financeira que ele merece”, sublinhou.

O presidente da autarquia confirmou ainda a intenção de construir um pavilhão municipal, que agregue um estádio, com bancadas mais pequenas, para que possa ser dotado de mais equipamentos desportivos, como um campo de ténis. “Com esta construção vamos possibilitar que outras modalidades se desenvolvam no concelho”, concluiu.