Depois de uma crise que a reduziu a 20 músicos, a Banda de Música da Trofa voltou a ser uma “marca de prestígio”. O presidente Luís Lima considera-a “a grande embaixadora do concelho da Trofa.

Arlindo Ribeiro não estava à espera de ser homenageado pela associação que ajudou a criar. Para o sócio número um da Banda de Música da Trofa “foi uma grande surpresa” ver o presidente da colectividade, Luís Lima, e o vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa, Magalhães Moreira, reconhecerem-lhe a paixão por este grupo. Com 82 anos, Arlindo Costa mantém-se fiel à Banda e segue-a por todo o lado desde a sua fundação em 1951.

Arlindo ainda se lembra dos tempos em que começou “a arranjar sócios” e dos elementos do grupo que “nem músicos eram, mas tinham uma grande paixão pela música”. Depois de ensaios feitos numa sapataria e até numa padaria, a dimensão da associação obrigou a novas conquistas. O homenageado afirmou também que foi com a ajuda de José Maria Machado, que cedeu a sua casa para os ensaios, que a Banda de Música ganhou mais expressão.

A homenagem feita a Arlindo Ribeiro encerrou a participação do grupo nas festas de Nossa Senhora das Dores. Em declarações ao NT, Magalhães Moreira, vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa, destacou o facto de este sócio se manter fiel à Banda: “É de louvar. Apesar de viver fora há mais de 50 anos, o senhor Arlindo tem as cotas em dia e nunca se esqueceu da Banda”. O autarca, que usou o exemplo de Arlindo Ribeiro para frisar a importância de uma associação manter os seus sócios. “As instituições, hoje em dia, têm que aprender a viver por si próprias e através da sociedade civil, dependendo cada vez menos das entidades públicas, que atravessam grandes dificuldades”, atestou.

Relativamente à associação, Magalhães Moreira afirmou que a Banda de Música “há quase 50 anos que leva longe o nome da Trofa, de uma forma extremamente digna”. O autarca ainda se lembra de na década de 80, em Lisboa, uma pessoa lhe ter pedido discos em vinil do grupo. “É um dos maiores embaixadores da Trofa”, frisou.

Dois mil e dez “é o ano de afirmação da Banda de Música da Trofa”. Esta é a convicção de Luís Lima, presidente da associação, que, com um ano a liderar os destinos do grupo, enterrou a crise que o grupo viveu a partir de 2003 e relançou-o no panorama cultural do concelho e do país.

“Chegamos aqui e tínhamos cerca de 20 músicos, mais nada. Não tínhamos partituras de música e o fardamento estava muito desactualizado”, contou o responsável que, depois de “colocar mãos à obra” conseguiu fazer da Banda de Música da Trofa “uma marca de prestígio”.

“Demos um fardamento novo e pusemos a banda com o nosso maestro Alberto Freitas”, contou Luís Lima, que acredita que melhor que este grupo “não há no país”. “Somos elogiados em toda a parte”, atestou.

Também a agenda do grupo caiu no abandono, tanto que os únicos serviços que tinha quando os novos dirigentes chegaram “eram os da festa de Nossa Senhora das Dores”. “Hoje temos cerca de 13 serviços por ano. Temos tido muitos contactos para o próximo ano, queremos um máximo de 15 concertos”, revelou.

 

A Banda de Música é a grande embaixadora do concelho da Trofa”

No entanto, Luís Lima confessou que “não é fácil requisitar a Banda”. “Hoje é uma marca de prestígio e tem os seus custos. O cachet é elevado, porque a Banda tem qualidade para isso”, explicou. O presidente afirmou que a estrutura da associação “fica muito cara” e as despesas também são elevadas. Para fazer face aos compromissos financeiros, a Banda de Música conta com o apoio da Câmara Municipal da Trofa, a quem Luís Lima agradece o facto de ser “o pulmão” da colectividade. Segundo o presidente, a autarquia assegura “80 por cento das despesas”: “A Câmara tem-nos apoiado incondicionalmente, ela tem-nos dado tudo o que precisamos”, asseverou.

O vice-presidente da autarquia adianta no entanto que a Câmara, tal como tem feito com outras associações, está a tentar regularizar o pagamento do subsídio em atraso da Banda de Música e assegura que “Só quando conseguir saldar os valores prometidos pelo executivo anterior é que a autarquia poderá analisar as condições para avançar com novos subsídios para as colectividades”, esclareceu Magalhães Moreira.

A fama da Banda de Música já chegou a terras espanholas. Este ano, o grupo participou num festival perto de Santiago de Compostela, onde recebeu os maiores elogios. “Fomos considerados a melhor banda pela organização. Tínhamos cerca de três mil pessoas a assistir ao concerto”, contou. Para além disso, a associação é solicitada em muitos lugares do Norte de Portugal.

Para Luís Lima, poucas pessoas da Trofa têm noção da expressão cultural que a Banda de Música tem no país. “Isto é um tesouro que nós temos que guardar a sete chaves. A Banda de Música é a grande embaixadora do concelho da Trofa em termos culturais e musicais. Os trofenses deviam aderir mais”, considerou. O presidente não deixou, por isso, de apelar para que as pessoas se tornem sócias da associação, onde a cota mínima mensal é de 2,5 euros.