Ao saber que os membros do PS na Assembleia Municipal votaram de formas distintas (uns contra e outros abstiveram-se) o Relatório e Contas da Câmara Municipal da Trofa relativo ao ano de 2006 tive que recorrer à página deste Jornal na Internet para confirmar uma notícia que tinha lido há umas semanas.

Lá estava de forma clara, com data de 12 de Abril, que "a primeira reunião do Executivo Municipal realizada em  Abril ficou marcada pela diferença de pontos de vista entre a maioria PSD, liderada por Bernardino Vasconcelos e a oposição liderada pela Socialista Joana Lima, relativamente à prestação de contas de 2006."

Segundo a mesma notícia, os socialistas votaram contra o Relatório e Contas da Câmara Municipal da Trofa relativo ao ano de 2006!

A argumentação do PS, como de costume, é bastante frágil. Centra-se nos custos com o pessoal e na ausência de relatório de partilhas com Santo Tirso, como se o problema da Trofa (e da gestão da Câmara) estivesse nos custos da Câmara com o pessoal.

Se o PS tem opinião de que a Câmara gasta demais com pessoal, para ser responsável e coerente, tinha a obrigação de dizer em que sector da Câmara é que se gasta em excesso ao pessoal, ou que sector municipal tem trabalhadores a mais.

Contudo, a notícia era clara quanto à convicção do PS de votar contra as contas. Mas, pelos vistos dentro do PS continua a haver vários partidos, continua a haver quem ou não concorde ou não tenha coragem politica para assumir um voto contra este Relatório e Contas. Falo em concreto dos dois presidentes de Junta de freguesia do PS que, apesar das críticas do seu partido insistiram em repetir o que já fizeram em anos anteriores e não votaram contra.

Esta questão leva-nos a questionar qual é a diferença entre o PS e o PSD quando estão no poder?

Se o PS estivesse na presidência da Câmara iria fazer uma gestão diferente da que faz actualmente o PSD?

Qual seria a diferença principal?

O PS acha que o resolução dos reais problemas do concelho passa por ter menos trabalhadores na autarquia e resolver as questões de partilhas ainda pendentes com Santo Tirso?

Ao PS, que diz querer ser poder na Trofa exige-se muito mais!

Para que se saiba, também acho que as contas da Câmara mereciam um voto contra, mas por outros motivos.

Por exemplo o aspecto social, cujo trabalho a Vereadora Joana Lima do PS até elogia, quase metade do dinheiro que se previa investir não foi investido, fazendo com que sejamos um concelho sem creches públicas e onde os problemas sociais se vão avolumando.

A Habitação, nomeadamente a Habitação Social, continua a ser um drama mesmo com as casas aparentemente construídas e ainda por entregar. Na verdade, sabe-se agora pelas contas da Câmara que tinham orçamentado para investir em Habitação €1.000.000 e a execução foi simplesmente €0!

Mas podia prolongar os exemplos concretos do que me leva a reprovar a política seguida por este executivo: Nas escolas a execução na rubrica "aquisição de bens" não vai além dos 17,6% e na drenagem de águas residuais fica-se pelos 18,13%.

Desta forma, com exemplos concretos, fica clara a diferença de políticas e de projectos que me separam do PSD e do PS.

Só que, pela argumentação do PS, não vi onde estava a diferença entre o seu projecto e o projecto deste PSD para a Trofa!

Jaime Toga

http://jaimetoga.blogspot.com/