Plano de reequilíbrio Financeiro do Município da Trofa era o ponto fulcral desta assembleia extraordinária. PSD e CDS não concordaram com vários pontos do documento e requerem que a sua votação seja adiada, para que este possa ser corrigido por todos os partidos.

Depois de duas horas de discussão sobre o Plano de Reequilibrio Financeiro, a Assembleia Municipal da Trofa terminou de forma abrupta com os eleitos pelas listas do PSD e CDS a abandonarem a sessão. Convocada de propósito para discutir e aprovar o Plano de Reequilibrio Financeiro da autarquia da Trofa, que permitiria que a Câmara pagasse parte da dívida aos seus fornecedores que esperam há mais de três anos por pagamento dos serviços prestados.

Apesar da grande adesão da comunidade trofense, a situação não se resolveu.

Ao longo da discussão da proposta do plano, primeiro ponto, foi louvado a apresentação da proposta, mas, ao mesmo tempo, apontados vários “erros” que podem comprometer , segundo o PSD, “o futuro do concelho”.

José Magalhães Moreira, vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa, começou por assumir a existência de uma falha no documento, relativamente à percentagem de corte nas transferências para as juntas de freguesia. “Lapso de linguagem” entre a consultora e o vice-presidente foi o que originou “o erro”, pois em vez de aparecer um corte de 20 por cento, aparece de 40. José Magalhães Moreira explica que este não foi alterado, devido à urgência da entrega do documento à Direcção Geral das Autarquias Locais (DGAL), mas o que foi acordado com as juntas será cumprido. O autarca apelou ainda “para que cada um assuma a sua responsabilidade e que vote com consciência”.

Autarcas da bancada social-democrata afirmaram que o plano peca por tardio, contudo “há pontos que devem de ser alterados, para que o documento seja sério”. Além disso, apresentaram um requerimento, em que pediam a suspensão da votação deste ponto e, nos próximos dias, fosse agendada uma reunião entre todos os partidos, para que seja celebrado um plano com as devidas alterações.

O requerimento foi negado, com Magalhães Moreira a explicar a urgência em ver este plano aprovado para fazer face à dívida da Câmara. Os eleitos do PSD e CDS abandonaram a assembleia que ficou sem quórum para funcionar sendo suspensa.

Em comunicado de imprensa, a Câmara Municipal da Trofa “lamenta” a atitude dos elementos partidários, que “não entenderam a importância histórica do momento, ao ausentarem-se da Assembleia abandonaram a Trofa e os trofenses num momento mais importante e crucial, pondo em causa o futuro deste concelho”.

“É curioso e até bizarro que o partido responsável pelas dificuldades que o município atravessa, uma vez que o governou durante 11 dos seus 13 anos de vida, tenha optado por continuar a querer fazer parte do problema e não da solução. Com esta atitude inconsciente os eleitos do PSD demonstram o seu desnorte abandonando os trofenses num momento decisivo para o futuro coletivo, fugindo assim às suas responsabilidades como partido político. Esta atitude contrasta em absoluto com a posição assumida pelo Ministro Miguel Relvas, quando numa deslocação partidária à Trofa, a propósito das dificuldades financeiras do Município referiu que incumbia aos responsáveis atuais serem capazes de resolver a situação, avaliando como chegamos a este ponto e mais importante, saber como sair daqui apelando à necessidade de uma nova atitude no poder local. Ao tomar esta atitude por mera tática política, o PSD Trofa vê-se enredado nas suas próprias contradições internas, o que diz bem do desnorte, irresponsabilidade e imaturidade dos seus atuais responsáveis para quem conta apenas o pequeno número político deixando em segundo plano os interesses mais profundos e estratégicos da Trofa”, podia ler-se no comunicado.

Sérgio Humberto, presidente da concelhia da Trofa do PSD,  justifica a saída dos deputados da reunião afirmando que “o documento em causa tinha erros impossíveis de ignorar” e acusando o executivo socialista de “autismo” por não “ouvir a opinião de ninguém”.

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Reconhecendo a “importância a pertinência” do documento,  Sérgio Humberto explicou que “um documento que vai marcar a atividade do município nos próximos 30 anos não pode ser aprovado com erros e omissões”.

Entre os referidos “erros”, o responsável salienta quatro: “a redução do valor a transferir para as juntas de freguesia, cortes cegos na comparticipação para as associações do município, os cinco anos de carência pedidos para começar a pagar o empréstimo previsto e o aumento de taxas e impostos”.

Mas, apontou o responsável, “tão grave quanto estes erros está o facto de o executivo recusar negociar os termos do documento e a sistemática recusa em ouvir associações e juntas de freguesia”.

Esta “atitude”, segundo o PSD – Trofa, “demonstra o autismo que enferma este executivo”.

A autarquia adianta ainda que este plano foi aprovado pelo executivo camarário, com voto favorável da maioria socialista com a abstenção dos vereadores do PSD.

“Os vereadores abstiveram-se porque tinham recebido o documento há pouco tempo e ainda não tinham tido tempo para o analisar”, explica Sérgio Humberto.

Sobre o “abandono” da reunião, o responsável esclarece que “foi a forma de garantir que este documento vai novamente a discussão”.

Na sessão ordinária de abril da assembleia o plano deverá ser novamente levado à votação.

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