Depois das críticas lançadas em Assembleia Municipal (AM), o Partido Socialista (PS) da Trofa denunciou, esta quarta-feira, em conferência de imprensa, o “embuste” daquilo que são os resultados apresentados pelo executivo camarário liderado por Sérgio Humberto, no que diz respeito às contas de 2014. PS está preocupado com a possibilidade de a Trofa perder fundos comunitários.

Estudando o relatório de contas relativo ao ano 2014, o PS da Trofa criticou os resultados apresentados pela autarquia, alegando que as declarações políticas do edil trofense, Sérgio Humberto, são um “ilusionismo e um exercício de propaganda oca”. Entre os vários argumentos apresentados, os socialistas dizem que há uma “incomparabilidade” nas contas. “Trinta milhões de euros é o valor do PAEL (Programa de Apoio à Economia Local) e PRF (Programa de Reequilíbrio Financeiro), alcançados pelo executivo municipal liderado por Joana Lima, que permitiram pagar dívida a fornecedores e libertar compromissos financeiros da Câmara da Trofa,” afirmaram, acrescentando que os valores do PAEL e PRF devem ser isolados da apresentação das contas “em nome da transparência e de uma melhor análise e comparabilidade”. Por sua vez, tendo sido recebidos quase 30 milhões de euros com destino ao pagamento de dívida e, com isso, tendo sido drasticamente ajustado o orçamento municipal (que deixa de contemplar essa dívida vencida), o valor da execução orçamental só podia subir”, explicaram.

Sobre o investimento/obra paga, o PS diz que a Câmara reduziu em “47 por cento,” face a 2013, e que o montante dos custos operacionais do município manteve-se “inalterado”. No entanto, há um “aumento da receita”. “Além dos 30 milhões de euros provenientes de PAEL e PRF, a Câmara vê as receitas correntes aumentarem 2,2 milhões de euros,” que, de acordo com o PS “é feito à custa dos trofenses que, só em impostos diretos, contribuem com mais de 2,1 milhões de euros, nomeadamente em IMI”.

Sobre o “embuste” a que se resume o relatório de contas apresentado, onde é referido que “há melhoria de resultados líquidos”, “lucros” e “redução de endividamento”, o PS alega que se trata de uma “operação contabilística extraordinária” que “contabilizou num ano, receitas de impostos diretos de dois anos de 2015 e 2016, inflacionando este relatório em cerca de seis milhões de euros”. “É isto que politicamente temos que denunciar. É a forma ardilosa como são apresentados estes números, não evidenciando aquilo que são fatores fulcrais para a obtenção dos mesmos e que a Câmara vem desvirtuar aquilo que é o resultado final que é consecutivamente propagandeado”, fez saber Pedro Ortiga, líder da bancada da AM do PS. Já Magalhães Moreira, vereador do PS na Câmara Municipal, explicou que há um princípio fundamental no equilíbrio das contas públicas: “As despesas correntes não podem ultrapassar as receitas, mas verificou-se e foi uma situação extraordinária. É pena que a gente não possa com clareza comparar”, disse, acrescentando que “contabilizar o IMI e a derrama duas vezes no mesmo ano também é uma situação legítima, mas só pode ser feita uma vez. O que é censurável é que o senhor presidente da Câmara, na declaração de voto que fez na votação feita na Câmara, tenha escamoteado isso”, criticou.

Com a denúncia posta em cima da mesa, o PS fez ainda referência a temas como o emprego, a economia ou os fundos comunitários, que “são esquecidos” por parte do atual executivo. Marco Ferreira, presidente da Comissão Política Concelhia do PS Trofa, adiantou que o partido vai continuar com o trabalho de “falar verdade aos trofenses e de esclarecer qual é a real ilusão das contas deste município”.

 

Estado das estradas do Coronado é “lastimável”

Sobre o estado em que se encontram as ruas da freguesia do Coronado, os socialistas adiantaram que “ainda na semana passada, entre 12 e 15 de maio” foi lançado um comunicado à população. “O estado nas estradas é lastimável, a população sofre com isso e a Câmara Municipal é absolutamente inoperante a esse nível”, afirmou Marco Ferreira. Sobre a não assinatura do protocolo de delegação de competências da Câmara com a Junta de Freguesia, ao contrário de todas as outras freguesias do concelho, Marco Ferreira garante que o presidente da Junta, José Ferreira, “tem feito todos os esforços de diálogo para que esse protocolo seja assinado e passe a ser uma realidade ou que, pelo menos, a Câmara cumpra aquilo que é o seu dever”, disse, acrescentando que o PS quer “um tratamento igual para todos os cidadãos do concelho”.

 

“Estamos expectantes e ansiosos pela conclusão das obras do Parque”

Sobre a conclusão das obras dos Parques de Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro, Pedro Ortiga mostrou-se “preocupado sobre aquilo que é a possibilidade da perda de recursos europeus, com um custo financeiro muito expressivo para a população da Trofa”. “Continuamos sem perceber o estado da situação. A informação partilhada, para além daquilo que é a informação pública, é muito pouca”, disse. O socialista fez ainda saber que o PS “não percebe o porquê de inaugurações parcelares nos Parques,” apesar de “não recriminar” essa opção política, referindo-se às recentes iniciativas que a autarquia tem vindo a promover nos Parques, nomeadamente a inauguração dos coretos, marcada para 24 de maio. “Estamos expectantes e ansiosos pela conclusão das obras do Parques”, referiu, acrescentando ainda que “continuam a tentar perceber que tipo de diligências estão a ser feitas junto da CCDR-N e junto das autoridades, para que o custo financeiro não caia sobre a população”.

Também Magalhães Moreira confessou ter “algum receio” com estas inaugurações e entrada de pessoas na obra e teme que possa ser “um pretexto para o empreiteiro defender-se dos atrasos”. “Se assim for é grave, porque não temos como nos defender para conseguir que os subsídios do QREN entrem”, mencionou. O vereador lembrou ainda o Parque das Azenhas cujas obras estão paradas “há mais de um ano e tal” e, se não acabarem dentro dos prazos, “são mais de 2 milhões de euros” que se perdem.