Os vereadores do Partido Socialista da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão propuseram na última reunião do executivo municipal, que decorreu na semana finda, um voto de louvor e reconhecimento pela organização da exposição "Pedra Formosa – Arqueologia Experimental de Vila Nova de Famalicão", que está patente até ao final de 2007, no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa.

De acordo com a proposta apresentada, "a exposição da Pedra Formosa e da zona de banhos do Castro das Eiras, patente no Mosteiro dos Jerónimos, tem constituído um grande êxito que se tem estendido ao estrangeiro, nomeadamente à vizinha Espanha, com reflexos positivos no prestígio e na divulgação dos valores culturais do município de Famalicão". Os vereadores da oposição ao  executivo liderado por Armindo Costa (PSD-CDS/PP), destacaram ainda que a realização desta exposição só foi possível porque "houve vontade política de a concretizar" e devido "ao envolvimento de vários técnicos e trabalhadores da Câmara Municipal, que durante cerca de um ano colocaram o seu saber, as suas capacidades e a sua energia ao serviço destas pedras carregadas de História que atestam a importância do território famalicense no passado, conseguindo por esta via uma grande visibilidade para os valores da Cultura Castreja tão abundante entre nós".

Refira-se que a exposição que já recebeu a visita de milhares de turistas, dá a conhecer uma réplica exacta e em tamanho natural do complexo de banhos e da sua magnífica Pedra Formosa, datados do primeiro milénio antes de Cristo e descobertos no Castro Alto das Eiras, na freguesia de Pousada de Saramagos, em 1880 pelo arqueólogo Martins Sarmento.

A reconstituição do complexo dos banhos, com a sua pedra formosa envolveu o transporte de 200 toneladas de granito para o MNA, proveniente da região. A pedra foi depois utilizada para a construção da réplica usando os mesmos materiais e tecnologias de fabrico da época, ou seja, do primeiro milénio antes de Cristo.

Acrescente-se que o monumento do Alto das Eiras foi identificado em 1880 por Martins Sarmento tendo o Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão retomado as escavações, em 1990, sob direcção do arqueólogo Francisco Queiroga. Na altura, o monumento foi identificado como uma composição arquitectónica, com átrio, ante-câmara, câmara e fornalha, e elementos decorativos tal como outros monumentos congéneres. No entanto, o maior destaque revelou ser a descoberta da riqueza ornamental da sua Pedra Formosa.

A exposição pode ser visitada até ao final do mês de Dezembro, de terça a domingo, das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00. Durante o período de permanência da exposição será realizado um ciclo de acções de arqueologia experimental em torno de matérias-primas e processos de fabrico, como a ourivesaria, a olaria, a arquitectura e a alimentação, visando a divulgação do património arqueológico.

De acrescentar ainda que a singularidade dos monumentos expostos, de longa historiografia e diversidade interpretativa, desde os primórdios da Arqueologia portuguesa até à actualidade, tornou-se neste desafio de Arqueologia experimental, reconstituindo a sua estrutura para ensaio de seu funcionamento e debate científico, ora se interpretando segundo contextos da antropologia religiosa das comunidades indígenas do Noroeste peninsular.

Destinados a banhos públicos, sobressaem pelo seu aparato e técnica construtiva como construções singulares do conjunto arquitectónico castrejo, de que se conhecem diversos exemplares por todo o Noroeste da Península Ibérica, desde o Norte da Galiza e Astúrias à margem esquerda do rio Douro.

 FICHA TÉCNICA

Exposição: "Pedra Formosa – Arqueologia Experimental de Vila Nova de Famalicão"

Local: Museu Nacional de Arqueologia, Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa

Horário: Terça a domingo, das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00

Data: Patente até ao final do ano de 2007

Ingressos:

– Adulto – 3 €

– Jovens entre 15 e 25 anos – 1,50 €

– Professores e reformados – 1,50 €

– Jovens até aos 14 – gratuito

– "Cartão-jovem" – 1,20 €

– Escolas (visitas previamente marcadas não guiadas) – gratuito

– Domingos e feriados das 10h.00 às 14.h00 – gratuito