As empresas Águas do Ave, Águas do Cávado e Águas do Minho e Lima, vão ser fundidas numa só, a Águas do Nordeste. O projecto foi aprovado no passado dia 22 de Outubro e pretende a criação de um sistema de abastecimento de água e saneamento único para a região.

 

castrofernandesamave.jpgCom a aprovação do projecto Águas do Nordeste, a fusão das empresas Águas do Ave, Águas do Cávado e Águas do Minho e Lima, fará nascer a maior empresa gestora de sistemas multimunicipais de água e saneamento do país. Este projecto implicará um investimento global de 736 milhões de euros, que será co-financiado a 54,7 por cento pelo Fundo de Coesão da União Europeia.

Nem todos os municípios votaram favoravelmente esta proposta, apesar de serem apoiarem esta fusão, mostraram-se “disponíveis para trabalhar a proposta de forma a esclarecer todas as questões ainda pendentes acerca do impacto tarifário e risco associado a este projecto, de forma a incorporar os seus legítimos interesses”, afirmou uma fonte oficial da Águas de Portugal, AdP, em declarações à Agência Lusa.

A conclusão desta fusão está prevista para o segundo semestre de 2008, e a sua rede de abastecimento de água servirá 1,17 milhões de habitantes, sendo então responsável por 56,9 milhões de metros cúbicos de água para consumo e pelo tratamento de 87,9 milhões de metros cúbicos de efluentes, por ano.

Para o abastecimento de águas ficar garantido, a empresa Águas do Nordeste, trabalhará com 10 estações de Tratamento de Águas, cerca de 920 quilómetros de condutas, 59 estações elevatórias e 190 reservatórios.

Quanto ao saneamento das águas residuais, está previsto o funcionamento de 110 Estações de Tratamento de Águas Residuais, com cerca de 1237 quilómetros de interceptores, 175 estações elevatórias, uma unidade de secagem térmica e ainda três aterros sanitários de lamas.

Esta fusão, proposta pela AdP, às três empresas, surgiu através das recomendações do Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais – PEAASAR II, e pretende beneficiar “a população servida, à qual é garantido um serviço de qualidade a melhores preços”, confirmou a AdP à Lusa.

Recorde-se que Castro Fernandes apresentou, na Assembleia Geral da Empresas do Ave, no passado dia 12 de Outubro, uma proposta para que a Empresa Águas de Portugal prosseguisse com as negociações para a fusão das empresas Águas do Ave, Águas do Cávado e Águas do Minho e Lima.

Esta proposta, aprovada pela AMAVE – Associação de Municípios do Vale do Ave, e pelas Câmaras Municipais de Santo Tirso, Trofa, Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Guimarães, Fafe, Famalicão e Vizela, teve ainda a colaboração dos recentes municípios integrados neste sistema, Amarante, Amares, Cabeceiras de Basto, Felgueiras, Esposende, Lousada, Mondim de Basto, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Terras de Bouro e Vila Verde.

Para Castro Fernandes, “o voto favorável”, da AMAVE, seria para que a Empresa Águas de Portugal, prosseguisse “com a preparação do processo de uma eventual fusão”, visto que pretende salvaguardar “os interesses de desenvolvimento económico e social desta Região”.

Como a Região do Vale do Ave e o seu processo de desenvolvimento, sempre estiveram ligados à água, a AMAVE e cerca de 350 empresas do Vale do Ave e os seus municípios, investiram desde logo na despoluição do Rio Ave e no tratamento dos resíduos sólidos urbanos, passando a ser cobrada uma “tarifa de saneamento” e “tarifa do lixo”, que em muitos municípios, ainda não é conhecida. Todas estas medidas são encetadas em prol do desenvolvimento e respeito pelo meio ambiente.

Para um desenvolvimento contínuo da região, foi criado ainda um programa, em parceria com a Universidade do Minho, do CITEVE, e outras entidades, que visa a requalificação da mão de obra, incentivando as empresas, na sua maioria do sector têxtil, vestuário e calçado, à modernização.

A concorrência desleal, por parte de empresas nomeadamente da Índia e China, que não respeitam as normas sociais, ambientais e económicas estabelecidas, levam muitas dessas empresas a fechar, arrastando para o desemprego centenas de pessoas. Segundo o IEFP, o Vale do Ave, atinge agora uma taxa de desemprego de 14 por cento, o dobro da média nacional. Para alterar estes números, a AMAVE, quer apostar na requalificação dos trabalhadores.

A associação espera ainda, o apoio do Governo e do Ministro do Ambiente, do Ordenamento e do Desenvolvimento Regional, para a elaboração de um Programa de Apoio ao Desenvolvimento Integrado do Vale do Ave, para que em 2015, esta seja uma Região de Conhecimento e Inovação e um Território de Responsabilidade Social.