José Sócrates inaugurou na passada quinta-feira o novo departamento de investigação e desenvolvimento da empresa farmacêutica Bial, na Trofa, e anunciou que pela primeira vez Portugal conseguiu "exportar mais tecnologia do que têxteis e calçado".

   Um investimento de seis milhões de euros, com uma área de 2300 metros quadrados que duplica a área dedicada à Investigação e Desenvolvimento no grupo. Esta é a nova unidade de farmacologia humana da empresa Bial, na Trofa, inaugurada na passada quinta-feira pelo primeiro ministro José Sócrates. De acordo Luís Portela, responsável da Bial, a empresa é com esta nova unidade, a única em Portugal com capacidade para realização de ensaios em Fase 1, ou seja, em humanos saudáveis e está equipada com 20 camas de internamento, dez delas intensivas.

Esta visita ficou ainda marcada pelo anúncio da chegada de um novo anti-epiléptico ao mercado mundial, que será o primeiro medicamento com tecnologia totalmente nacional.

Luís Portela, responsável pela Farmacêutica salientou que nos últimos 10 anos o seu grupo investiu cerca de 300 milhões de euros só em investigação e desenvolvimento, que resultaram no registo de seis patentes, algumas das quais poderão levar à comercialização de novos medicamentos.

Este investimento começou a produzir retorno, com a assinatura do primeiro contrato com a farmacêutica norte-americana Sepracor, que pagou à Bial, só pela licença de comercialização, cerca de 175 milhões de dólares. O anti-epiléptico totalmente desenvolvido pela Bial, estará à venda a partir de 2009, nos Estados Unidos e Canadá.

José Sócrates não poupou elogios à aposta na investigação levada a cabo pela Bial e garantiu que esta empresa é uma das que contribuiu para que Portugal conseguisse pela primeira vez ter resultados positivos na balança tecnológica. "Nós não nos podemos desviar do nosso caminho, da aposta no conhecimento, na inteligencia dos portugueses, não apenas na ciência mas também noutras áreas de ensino", atestou.

Considerando um "momento histórico"a concretização do primeiro licenciamento internacional de um medicamento desenvolvido em Portugal, Sócrates frisou que este "é um momento importante para a Bial e muito importante também para o país", porque "o trabalho que vocês aqui fazem é o que eu chamo um trabalho bem feito", concluiu.

Também presente na inauguração do novo departamento de investigação e desenvolvimento, Bernardino Vasconcelos, presidente da Camara Municipal da Trofa mostrou-se orgulhoso pela "forma como o senhor primeiro ministro quis dar os parabéns e realçar o trabalho feito na região e aqui na Trofa".

A apostar na inovação há 20 anos, a Bial desenvolve uma estratégia de aproximação aos grandes especialistas em qualidade e inovação no sector das farmacêuticas. "Procuramos junto das empresas multinacionais obter informações sobre alguns dos seus bons produtos, algumas das suas inovações e com essa informação procuramos obter algum sucesso comercial nos mercados onde vamos operando. Procuramos aprender também a boa qualidade na produção, na comercialização, na investigação e inovação", afirmou Luís Portela.

Sócrates perguntou pela Linha da Trofa

À chegada ás instalações da Bial José Socrates questionou Bernardino Vasconcelos sobre o ponto de situação da Linha de Metro até à Trofa. Vasconcelos confidenciou ao NT que explicou ao primeiro ministro que " foi adjudicada a execução do projecto a uma empresa agora em Fevereiro, tem essa empresa um gabinete de projectistas que têm um prazo de 4 meses ou seja 120 dias para executar o projecto do metro até à Trofa. Vou ter a oportunidade durante o almoço, se for oportuno, e com certeza que vai ser, falarmos da Trofa e dos seus problemas", concluiu o autarca.

Os números:

A Bial emprega actualmente 92 pessoas, das quais 21 são doutoradas, de sete nacionalidades, nos seus dois centros de investigação e desenvolvimento, na Trofa e em Bilbau, Espanha.