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Daniel Silva venceu o Grande Prémio Liberty, neste que foi a sua primeira grande vitória na carreira. Depois do “brilharete” na Volta a Portugal, em que foi um dos elementos fundamentais do Centro de Ciclismo de Loulé, o ciclista trofense conseguiu alcançar a liderança depois da notícia da desistência da equipa anfitriã Liberty Seguros.

Daniel Silva, que na primeira e mais dura etapa conseguiu o segundo lugar, beneficiou da desistência da Liberty e da consequente desclassificação de Filipe Cardoso e assumiu a liderança da prova. “Como sabia que a primeira etapa deste prémio era a mais dura, teria que atacar para tentar fazer a diferença. Nos últimos 20 quilómetros ataquei e levei comigo Filipe Cardoso e com a aproximação da meta, o Filipe deixou de colaborar e eu assumi as despesas da corrida, porque tinha que continuar a puxar para manter a distância que levava para o grupo que seguia atrás. O Filipe, menos desgastado por vir na roda, ganhou a etapa e eu faço 2º lugar a três segundos dele. Mas mesmo fazendo o 2º lugar fiquei logo com a sensação que tinha grandes hipóteses de vencer o prémio”, contou.

Na sexta-feira a prova foi atingida pela notícia do controlo anti-doping positivo ao atleta Nuno Ribeiro da Liberty e apanhou toda a gente de surpresa. “Acordámos com a triste e grave notícia que três ciclistas da Liberty deram positivo num controlo anti-doping na volta a Portugal, sendo que já não alinharam a partida para a segunda etapa. Como estava em 2º, passei a ser o líder da corrida no final dessa etapa”, explicou.

A partir daí, a táctica “mudou completamente”. Daniel Silva deixou de jogar ao ataque e como beneficiava de 20 segundos de vantagem sobre o 2º classificado, o atleta passou a defender a posição com a equipa na frente a controlar a corrida.

Na quinta e última etapa tudo se decidia e o nervosismo pela inexperiência invadiu o atleta que, confessa, contou com “o apoio da equipa, principalmente dos mais velhos, que foram fundamentais para acalmar e transmitir confiança”.

A discussão estava reduzia a três atletas. Daniel Silva, Rui Costa (Selecção Nacional) e Tiago Machado (Madeinox) estavam separados por 23 segundos. “Eles dois lançaram ataques fortíssimos na parte final, mas a minha equipa foi espectacular anulando todos esses ataques e acabei por vencer este prémio”, sublinhou.

O prémio, que o atleta trofense dedica aos pais “pelo sacrifício” que fazem por ele, é ainda mais saboroso por saber que os três atletas que o sucedem na classificação vão participar no Campeonato do Mundo de Ciclismo.

Este triunfo vai ficar marcado “na memória” de Daniel Silva por várias razões. Primeiro, porque esta foi a primeira camisola amarela que vestiu como ciclista profissional e depois “pelo ano de sacrifício e dedicação” que teve esta época, que para ele começou um mês antes da prova, altura em que entrou para o CC Loulé.

Daniel Silva não esquece a ajuda do “grande amigo” e também ciclista João Cabreira e, dificilmente, esquecerá este ano de afirmação “com uma vitória muito moralizadora, que traz muito ânimo e vontade de trabalhar mais e melhor para poder evoluir e crescer”.

Antes desta grande vitória, Daniel Silva já tinha conquistado a camisola azul no Prémio de Gondomar, foi vencedor da montanha e 9º classificado na geral individual.