Daniel Figueiredo“A manifestação em Lisboa foi um espectáculo de civismo”

Uma década depois Daniel Figueiredo, presidente da Assembleia Municipal e um dos membros da Comissão Promotora, sente “vaidade” por fazer parte de um concelho novo. A festa do dia 19 de Novembro “durou toda a noite”, recordou, e todo o esforço conjunto da Comissão “justificou-se, porque o concelho veio-nos dar aquilo que pretendíamos”.

Uma “luta difícil” que culminou “num momento impossível de esquecer”. Foi desta forma que Daniel Figueiredo, actual presidente da Assembleia Municipal (AM) da Trofa, descreveu o dia 19 de Novembro de 1998, data que marcou o nascimento do concelho.

Antes da manifestação em Lisboa mantinha funções como presidente da Assembleia da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado e foi nessa qualidade que integrou a Comissão Promotora do concelho da Trofa.

Figueiredo afirma que a luta pelo concelho foi preenchida de momentos bons e maus, pelas inúmeras deslocações à Assembleia da República, onde a Comissão falou com partidos e comissões parlamentares. “Mas nem sempre vínhamos animados, pois muitas pessoas não queriam que a Trofa fosse concelho”, referiu o presidente da AM, em entrevista ao NT/TrofaTv.

Depois de muitas actividades e reuniões na Junta de Freguesia do Muro, “o trabalho de equipa” acabou por se revelar na “grande vantagem”, pois “todos, indepentemente do partido que defendiam estavam virados para o mesmo lado”.

Um dos momentos “decisivos” da luta trofense viveu-se na preparação da ida a Lisboa. “Havia o problema de transportar os trofenses a Lisboa e apenas uma semana para decidir. Houve um momento de hesitação, porque denotava-se dificuldades de compromisso para arranjar tantas viaturas. Mas a presença dos trofenses foi determinante, porque influenciou os decisores da Assembleia da República”, acrescentou.

A manifestação dos 10 mil trofenses na capital foi para Daniel Figueiredo um “espectáculo de civismo”, através da qual “a Trofa ficou marcada, para sempre, a nível nacional”.

A festa “durou toda a noite”, recordou, e todo o esforço conjunto da comissão “justificou-se, porque o concelho veio-nos dar aquilo que pretendíamos”.

Uma década depois do “grito do Ipiranga” Daniel Figueiredo sente “vaidade” por fazer parte de um concelho novo.

“É um concelho com pessoas dinâmicas. Temos um povo que quer fazer mais e melhor, que tem ambição e vontade de crescer. A Trofa possui um núcleo duro, onde todos participam, tanto empresários como comerciantes que criam uma dinâmica que se espalha. Esta dinâmica motoriza o crescimento e por isso é que a Trofa continua a ser uma terra onde esperamos sempre mais”, frisou.

A comandar a Assembleia Municipal, Daniel Figueiredo classifica as reuniões municipais como um momento em que “existem sempre ideias diferentes, umas mais vivas que outras, mas todos os membros, de todos os partidos, procuram o melhor para a Trofa. E muitas vezes conseguimos consenso depois de muitas divergências. A democracia processa-se assim mesmo”, atestou.

Quanto ao futuro, o presidente da AM da Trofa espera “muito” do concelho que hoje “nada tem a ver com há 10 anos atrás”. Daniel Figueiredo considera que “há que reconhecer que se fez obra” e que agora a preocupação deverá estar “no que falta fazer”. Apesar de se estar a atravessar uma crise universal, Figueiredo adopta um discurso optimista: “Não podemos ser pessimistas. Temos que arregaçar as mangas e não estar à espera de um milagre ou de uma medida sobrenatural. Temos que mudar a mentalidade e apostar no rigor. Temos já muita coisa boa feita, que nos permite combater a crise. É preciso ver que na Trofa temos boas indústrias, pessoas a trabalharem bem e isso é um ponto que nos pode catapultar para um futuro melhor”, concluiu.