“É a segurança das pessoas que está em causa”. O alerta é dado por Dolores Ribeiro, moradora na freguesia do Muro, que teme um dia “ver uma tragédia” junto a uma das pontes sobre a antiga linha de comboio que ligava Guimarães ao Porto.
Na que está situada junto ao cemitério da freguesia, notam-se fissuras e infiltrações de água nos pilares, sinais de que o estado de conservação das estruturas pede uma intervenção. Assim como esta, outras pontes denunciam desgaste, tendo já levado à criação de uma petição a exigir a intervenção do Estado para evitar danos futuros.
Álvaro Neves, atualmente a trabalhar na Agência Europeia para a Segurança na Aviação, é o primeiro subscritor do abaixo-assinado, que foi criado em 2016, e que ainda não atingiu o número suficiente de assinaturas para ir à Assembleia da República.
O documento exige uma intervenção urgente no canal, com enfoque especial para as pontes – entre as quais as que estão na Nacional 14 e 318 junto aos semáforos da Carriça. “Uma vez que nunca houve qualquer intervenção de fundo, foram-se agravando as condições estruturais das duas pontes que cruzam o canal da linha na zona do lugar da Carriça e da que cruza a linha na zona do cemitério do Muro”, pode ler-se na petição, que também pode ser encontrada na internet (www.peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT82282).
A petição coloca a nu ainda um problema de saúde pública: “Há imensos anos que se convive com a escorrência, ao longo do canal da linha que passa junto a habitações, de águas residuais compostas por dejetos humanos e animais de vacarias que existem nas imediações”.
Em 2016, Álvaro Neves afirmou ao NT que “se a Metro do Porto considera que não deve avançar com o metro, pelo menos tem de se responsabilizar pelas infraestruturas do antigo canal”, incluindo “a estação”.