Domingo, 27 de janeiro de 2008. A data marca a chegada de José Ramos a Guidões. O padre celebra, este sábado, dez anos de sacerdócio dedicado à paróquia

José Ramos diz ter chegado à paróquia “na pior altura”, uma vez que acumulava “as obras de restauro das igrejas de Alvarelhos e Covelas”. O cenário, ainda por cima, não era o mais desejável. “A princípio foi difícil, quando lá cheguei e vi a paróquia naquele mísero estado. Não havia nada”, recordou. Sem salas para a catequese, com a residência “em muito mau estado”, transformada em centro paroquial, sem salão e com a igreja a necessitar de uma intervenção urgente. “A festa de Natal, até era caricato, iam fazê-la a um salão grande de uma casa particular”, destacou o pároco. Os primeiros anos em Guidões não foram fáceis para o pároco que, confidenciou, chegou mesmo a “desanimar”. “Descobri aqueles imponentes altares arrumados num canto e um altar barroco lindíssimo a cair aos pedaços”, recordou. Achando que “não valia a pena meter mãos à obra”, porque seriam “precisas centenas de milhares de euros”, José Ramos nunca acreditou ver a obra feita. Encorajado pelo, já falecido, tesoureiro da Fábrica da Igreja, Joaquim Maia Ferreira, a quem “presta homenagem”, José Ramos sentiu o apoio do “povo de Guidões” e meteu “mãos à obra, com a colaboração da Fábrica da Igreja”.
A verdade é que, em 2017, a obra estava concluída e a “menina dos olhos” do padre Ramos estava de cara lavada, os “altares restaurados” e um salão paroquial construído, com salas para catequese, aulas de música, ginástica e as mais variadas atividades” e a residência transformada em centro paroquial. “Foi o maior desafio da minha vida sacerdotal”, frisou.
Em “dez anos” investiram-se, adiantou o pároco, “perto de 300 mil euros”. Mas tal só foi possível graças à ajuda dos “membros da Fábrica da Igreja, que constituem uma equipa extraordinária”, e ao “ao povo de Guidões, que foi de uma generosidade extraordinária”, realçou. Quando questionado sobre o que se distingue na personalidade do povo de Guidões, a resposta foi imediata: “Generosidade e bairrismo”.
“Eu nunca tive razão de queixa dos paroquianos por onde passei até hoje, mas Guidões surpreendeu-me e muito. Eu estava longe de imaginar que conseguíssemos, em dez anos, fazer o que fizemos. Isso deve-se à generosidade deste povo, que foi simplesmente fantástico”, elogiou. Além das pessoas, também as empresas da freguesia merecem o elogio do pároco, por colaborarem “sempre e muito”.
Chegou apreensivo, mas dez anos depois cumpriu o sonho que julgava ser “irrealizável”, por isso destaca as obras na igreja como momento mais marcante da década de serviço à paróquia de Guidões. José Ramos foi ordenado padre a 8 de julho de 1990. A 23 de setembro do mesmo ano chegou a Rossas, em Arouca, e, desde então, por onde passou só “herdou ruínas”. Em tom de brincadeira, chega mesmo a dizer: “Pensei que ia ser padre a tempo inteiro, mas sou padre a meio tempo, no outro meio tempo é um misto de engenheiro e arquiteto, porque andei sempre de obra em obra”. Já era pároco de Alvarelhos e Covelas há “sete anos” quando o Bispo lhe entregou a responsabilidade de assumir também a paróquia de Guidões, onde, assume, foi “bem recebido”, em parte, confessa, porque “não era um padre que vinha de fora”.
Quando chegou a Guidões, José Ramos percebeu o quão afastadas as pessoas estavam da igreja, muito devido ao “estado de saúde fragilizado do padre Francisco”. “A formação das pessoas”, assume, “é outra parte difícil”. “Não é fácil voltar a juntar as pessoas, porque foram muitos anos de desagregação. Há um afastamento progressivo dos jovens da vida comunitária”, defende. No entanto, recordou o pároco, há atividades em que já se denota o elevado envolvimentos dos paroquianos. Por enquanto, a única preocupação de José Ramos prende-se com a aquisição de “seis vitrais”, no valor de “15 mil euros”. O restante “está tudo restaurado” e até existe uma “sala-museu”, que alberga “um belo espólio”. Por isso, sente-se de “consciência tranquila”. “Dei o melhor de mim a Guidões”, sublinhou, agradecendo ao povo por “ter compreendido que era um esforço grande, mas tinha que ser”, finalizou.