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Ano 2008

Portugal Inanimado.

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 A principal virtualidade extraída da recente, e ainda operativa, "Greve dos Camionistas" (ou das Transportadoras, se quisermos maior exactidão), centra-se, indubitavelmente, na demonstração prática do que pode, hodiernamente, constituir uma carestia de alimentos e combustível.

 Os relatos de armazenamento dos ditos alimentos e combustíveis pelo comum cidadão português sucedem-se. São criados autênticos stocks de prevenção ao que aí vem. E bem serão precisos, a confirmar-se a sobranceria do actual Governo, condimentada com certos laivos de desprezo pelo que o bloqueio significa para o país. Na verdade, para além de nas principais cidades os combustíveis derivados do petróleo já rarearem, para além de bens de primeira necessidade, como leite, arroz, pão, carne, peixe, frutas e legumes, também o aeroporto da Portela está semi-inanimado, consequência do fim da reserva de combustível para abastecer os aviões comerciais.

Pese embora representarem o principal sector afectado, de forma assaz séria e grave, os agricultores, a exemplo do que experimentaram já os homens ligados à pesca, abalançam-se para, também eles, abraçarem esta forma de luta. Segundo a CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), os agricultores "reivindicam exactamente o mesmo que os camionistas, gasóleo profissional ao preço de Espanha", e custos "mais baixos para os factores de produção".

Ora, quem circula nas estradas portuguesas, tem assistido nos últimos dias ao formigar de "piquetes" de camionistas que tentam dissuadir colegas seus a seguirem a sua marcha. Apesar de podermos subscrever, no essencial, os motivos e a substância da inactividade das transportadoras de mercadorias, formalmente este género de manifestação e de vincar posições levanta-nos sérias reservas. É uma forma de luta com o seu quê de desrazoável, para não dizer já de ilegal. Agressões, pedradas, incendiamentos e atropelamentos à parte, sempre se dirá que estes actos não têm tanto de greve, mas mais de "lock-out", porquanto parecem ser os empresários a emitir ordens aos seus camionistas para deixarem de prestar o seu trabalho, impedindo-os de circularem nos camiões.

Deste modo, forçoso é concluir que o Governo não tem coragem. E, consequentemente, vê reduzir-se o seu ângulo de manobra. Não basta ao executivo enviar, a espaços, forças de segurança "de choque" ao encontro dos camionistas – a propósito, o Governo do Professor Cavaco Silva já o havia experimentado na sua última legislatura, nomeadamente no episódio da Ponte 25 de Abril, e deu-se mal. É necessário prover de resposta quem está indignado com o ponto de insustentabilidade a que a situação chegou: e indignados não estão apenas os camionistas, outrossim todos os portugueses. Importa sublinhar que a indignação dos portugueses não se prende apenas com a escalada do preço dos combustíveis (que poderia, em grande medida, ser atenuada por uma redução fiscal), mas também com a absoluta passividade do Governo para com a situação de paralisação do país. Seria possível e desejável que o Senhor Primeiro-Ministro tivesse, ele mesmo, já tomado em mãos este assunto e ordenado accionar uma plano de emergência nacional, que garanta a eficácia dos serviços essenciais e abastecimento dos bens de primeira necessidade, para impedir mais este tiro no pé ao país que trabalha e que, a bem do seu sustento, necessita continuar a trabalhar. Pois esse é um país sem outra forma de luta que não seja exercer o seu direito à indignação, e, no momento próprio, o voto.

Helder Reis

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Ano 2008

Cinco mulheres atropeladas, duas em estado grave

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 Dois feridos graves e três ligeiros é o balanço de um acidente de viação, esta segunda-feira, junto à empresa Ricon, em Ribeirão. O condutor do veículo terá ligado ao sogro a pedir auxílio, abandonando depois o local do sinistro, visivelmente transtornado. As mulheres já não correm risco de vida.

 José Marcelino nem queria acreditar no que viu quando regressou de uma tarde de pescaria. “Quando me aproximei do meu carro, que tinha ficado estacionado no sentido Ribeirão/EN14, vi que estava virado em sentido contrário e só quando cheguei perto da viatura me apercebi do que tinha acontecido. Tinha o carro com a parte lateral esquerda completamente desfeita”, adiantou ao NT, José Marcelino ainda mal refeito do susto.

O proprietário do Opel Vectra ainda estava incrédulo com os contornos deste acidente. “Ouvi sirenes enquanto estava a pescar mas como tinha o meu carro bem estacionado nunca pensei que a minha viatura estivesse envolvida”, adiantou.

O palco do acidente foi a Avenida da Indústria, perto da empresa têxtil Ricon, envolvendo três viaturas ligeiras e, segundo o NT conseguiu apurar, resultou de “uma colisão lateral entre dois ligeiros seguida de despiste e atropelamento de cinco peões”, adiantou fonte da Brigada de Trânsito de Braga, que esteve no local.

Alegadamente, as duas viaturas seguiam no mesmo sentido: “Uma das viaturas ia estacionar e a outra tocou-lhe, despistou-se e atropelou as pessoas que iam na berma, batendo ainda numa terceira viatura que estava estacionada. De acordo com a Brigada, trata-se de uma zona sem passeio, mas os peões “circulavam do lado correcto da estrada, com o trânsito de frente”. Os veículos seguiam no sentido poente-nascente, em direcção à EN14.

O acidente terá acontecido às 12.50 horas quando as vítimas, com idades entre os 30 e os 45 anos, regressavam ao trabalho após a hora de almoço. Segundo o NT conseguiu apurar, duas das mulheres são residentes na Trofa e as outras três serão de Ribeirão.

As vítimas foram transportadas para o Hospital S. Marcos em Braga e para o Centro Hospitalar do Médio Ave, unidade de Famalicão.

A mulher de 34 anos de idade, residente na cidade da Trofa, está estável e internada em Braga e segundo um familiar contactado pelo NT, “sofreu fracturas nas duas pernas, num braço e na bacia, apresentando ainda costelas partidas com perfuração dos pulmões, mas não corre riscos de vida”, adiantou. A vítima esteve consciente e contou aos familiares como tudo aconteceu: “Estava a chover, o veículo seguia em direcção à EN 14, estava a ultrapassar um outro que se encontrava parado, acabando por embater no veículo, abalroando ainda uma segunda viatura, e acabou por colher as cinco funcionárias da Ricon”.

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Outra das vítimas, que se encontra internada no Hospital de S. Marcos, apresenta lesões na coluna.

O condutor do veículo, que ficou “transtornado com o acidente”, abandonou o local “com medo que lhe batessem”, segundo confirmou a esposa, garantindo que ele ia entregar-se às autoridades.

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Ano 2008

Campeonato nacional é objectivo a alcançar

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Juniores do Trofense lideram campeonato

 Todas as equipas dos diferentes escalões do Clube Desportivo Trofense aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital.

 O frio que se sente no Complexo de Paradela nesta altura do ano não é obstáculo para os jovens que integram os escalões do Clube Desportivo Trofense. O sonho de um dia chegar ao patamar mais alto do futebol faz com que os poucos graus centígrados sejam esquecidos e a bola torna-se no único acessório de valor para os pequenos craques em altura de treinos e jogos.

Com a nova direcção liderada por Rui Silva, o departamento de futebol do Trofense modificou estratégias e delineou novas metas, numa clara aposta na formação para conferir ao clube expressividade na captação de jovens talentos. Todas as equipas dos diferentes escalões aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital, com quatro pontos de avanço sobre o segundo classificado, Paços de Ferreira. Todos alimentam o sonho de qualquer jovem no seu lugar: serem chamados para integrar o plantel sénior da equipa.

Jorge Gonçalves é o treinador da equipa há três anos. Já tinha integrado o departamento de formação noutra altura e depois de um período em que experimentou outros clubes decidiu “aceitar o convite do coordenador Jorge Maia” para abraçar um projecto de quatro anos, que está “a correr conforme o planeado”, afirmou em entrevista exclusiva ao NT/TrofaTv.

Os dois primeiros anos serviram para “criar condições para tornar a equipa competitiva”, no sentido de atingir a subida aos nacionais. “Esse é o patamar onde os jogadores poderão evoluir melhor”, referiu.

O projecto não abrangeu apenas o escalão júnior e os resultados de um trabalho “árduo” começam a notar-se: “Neste momento, nas camadas jovens, os juniores estão em primeiro lugar, os juvenis estão em terceiro lugar a um ponto do segundo, os iniciados estão em segundo lugar e os infantis ocupam o terceiro lugar”.

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Actualmente a ocupar, confortavelmente a liderança, os jogadores desfrutam do sucesso “confiantes no seu valor”. No entanto, há necessidade de “equilibrar as mentalidades para que eles não se deslumbrem”, adiantou Jorge Gonçalves que reforçou o facto dos feitos de hoje “serem fruto de um trabalho de três anos”.

O técnico considera que os resultados positivos são fruto da sintonia entre o departamento de formação e a direcção do clube e sabe que Tulipa, treinador da equipa sénior, está atento ao trabalho desenvolvido pelos juniores. “Existe uma grande comunicação entre o departamento e a equipa técnica profissional. Sei que (Tulipa) já veio ver um ou dois jogos da equipa e alguns juniores têm ido treinar com os seniores com alguma regularidade. Integraram, aliás, o jogo da Liga Intercalar e fizeram uma boa figura, com um excelente desempenho”, acrescentou.

O treinador acredita nas capacidades dos jovens para poderem fazer parte do plantel sénior, mas não esquece que “existem muitos outros factores, como estar no sítio certo no momento certo, a posição do jogador ou se o treinador estiver mais necessitado e também há o aspecto da coragem para o fazer”.

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