Mais de 18 anos depois de se instalar na Freguesia de Covelas, no concelho da Trofa a empresa Savinor continua a dar que falar.

Mais de 150 pessoas participaram na sessão pública

 

Em causa está o pedido de Licença Ambiental solicitado pela empresa ao Instituto do Ambiente, e cuja discussão pública terminou na passada terça-feira, dando assim oportunidade aos cidadãos daquela zona para se pronunciarem.

Na passada sexta-feira a Camara Municipal da Trofa e ADAPTA – Associação de Defesa do Ambiente e Património na Região da Trofa, juntaram-se a uma sala repleta de moradores para discutir mais de 18 anos de queixas e maus cheiros provocados pela Savinor – Sociedade Avícola do Norte SA. Mais de 150 pessoas, das freguesias de Covelas e S.Romão do Coronado não quiseram deixar passar em branco a oportunidade de se expressarem e de fazerem chegar as suas preocupações à CCDR-Norte( Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte), onde decorreu até 13 de Fevereiro a Consulta Pública do pedido de Licença Ambiental.

A empresa Savinor é acusada pelos moradores de fazerem descargas de "águas sem tratamento no Rio de Covelas, de proceder ao transporte e deposição ilegal das lamas provenientes da ETAR, em terrenos florestais, junto ao aviário da empresa e ainda de ser responsável pelos maus cheiros emitidos para a atmosfera e que fazem com que o ar se torne irrespirável, sobretudo à noite e ao fim-de-semana.

Nesta sessão pública o vereador do Ambiente da autarquia fez a apresentação cronológica de todas iniciativas e atitudes tomadas pela Camara para tentar solucionar o problema. António Pontes salientou que “em Fevereiro de 2001 a camara solicitou à DRAOT Norte – Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Terrítório do Norte, uma reunião para análise do processo Savinor para tentar obter mais informações para a resolução do problema, mas a esta solicitação não obtivemos resposta”, frisou. Segundo o responsável, ainda em 2001 “a autarquia avançou com a elaboração de um estudo de odores, uma auditorial Ambiental e uma avaliação de impacto hídrico para tentar fazer uma avaliação da dimensão da poluição que a empresa estava a causar”, acrescentou.

Depois de vários anos de queixas de moradores, de muita tinta ter corrido nas páginas dos jornais a autarquia e a Adapta continuam a enviar às entidades competentes, DRAOT Norte , à DRAEDM – Direcção Regional da Agricultura de Entre Douro e Minho, Ministério do Ambiente, Instituto do Ambiente e à CCDR-Norte, tendo esta ultima convocado a Camara Municipal da Trofa, já em 2006 para uma reunião de trabalho, juntamente com a DRAEDM, onde são discutidas as continuas queixas contra a laboração da Savinor. Na reunião, e segundo António Pontes, o Vice-presidente da CCDR-Norte “sugeriu a realização de um diagnóstico da situação ambiental, em que fossem elencadas medidas necessárias, para minimizar os odores, associados a um programa de acção.

Assumiu a responsabilidade de contactar a Secretaria de Estado do Ambiente e a Secretaria de Estado da Agricultura e das Pescas para identificar os sistemas de incentivo disponíveis para financiar o projecto de requalificação ambiental da Savinor”.

Depois disto deu entrada um pedido de Licença Ambiental da empresa na CCDR-Norte que foi colocado à discussão publica a Savinor salientar que “não se prevê odores incómodos significativos na envolvente da instalação” o que segundo António Pontes não corresponde à verdade já que os odores continuam a ser sentidos a vários quilómetros de distância”.

Também a ADAPTA vez uma referencia a todas as iniciativas levadas a cabo para por fim “a esta situação, desde o envio de cartas, oficios, comunicados e conferencias de imprensa”. Manuel Silva Presidente da Direcção da Associação Ambientalista avançou que “no âmbito da consulta pública, fizemos uma avaliação do pedido da Savinor e, por considerarmos que estão em causa questões ambientais e de saúde publica, deve ser exigida uma Avaliação de Impacte Ambiental antes da concessão da licença Ambiental à empresa”. Os ambientalistas vão mais longe e dizem que “não estão reunidas as condições necessárias e indispensáveis para que seja concedida a licença ambiental à empresa, pois isso seria o mesmo que lhe renovar o direito a poluir e a incomodar gravemente as populações.

Na opinião da ADAPTA “ou a Savinor assume a sua responsabilidade social e ambiental, comprometendo-se a resolver os problemas sinalizados, em tempo curto e bem definido, processo que deverá ser acompanhado por uma Comissão Técnica Independente ou não lhe deverá ser concedida essa licença ambiental e a SAVINOR deverá ser obrigada a encerrar o sistema produtivo responsável pelos graves problemas ambientais e saúde pública, nomeadamente a linha de tratamento de resíduos animais para a produção de farinhas” acrescentou.

Nova Administração da Savinor há três meses

Na sessão publica de sexta-feira participou o antigo administrador da Savinor Ernesto Almeida, que assegurou que “a nova administração está empenhada em resolver este problema com a maior brevidade possível” acrescentando que a nova administração da empresa, tomou posse há apenas três meses pelo que está ainda a tentar inteirar-se da realidade da Savinor. Com ele estava também um dos engenheiros de uma empresa de consultadoria ambiental, que assegurou que “a empresa está neste momento a recolher todos os dados sobre as incomodidades causadas pela laboração da unidade industrial e tem inclusive visitado vários países da Europa para ver quais técnicas disponíveis para acabar de vez com os odores”, frisou.

A Savinor foi adquirida pelo grupo Soja do qual fazem parte a Avicasal, a Agromar, a Culmar, a Sorgal e a Sojainveste, empresas ligadas à alimentação humana, alimentação animal e à imobiliária.