Tem pouco mais do que a largura de um automóvel ligeiro, mas por ali deslizam pesados e circulam peões. Em ambos os sentidos. Para muitos, trata-se de um vagaroso e aturado exercício de paciência diário. Devido à desadequação do tipo de tráfego, a centenária ponte de Caniços, que liga as freguesias de Rebordões, em Santo Tirso, e Bairro, em Vila Nova de Famalicão, apresenta inequívocos sinais de deterioração uma parte da protecção lateral já mergulhou no rio Ave, mercê de sucessivos abalroamentos.

"Em qualquer altura há acidentes", denuncia Amélia Machado, vizinha da ponte há 33 anos. "Aquilo está perigoso. Estamos sempre a ver quando cai um carro ali ao rio". A preocupação da moradora encontra eco na denúncia feita pela concelhia social-democrata após visita à freguesia. Do lado de Santo Tirso, a travessia é precedida por "uma via de grande inclinação que culmina numa curva", alerta Alírio Canceles, líder do PSD/Santo Tirso. "Às vezes, demoro 15 minutos ou meia hora [para atravessar] porque os camiões a fazer a curva lá em cima ficam entalados. Por vezes, não têm espaço e vão contra o muro", explica José Santos. Cruza a travessia "quatro vezes ao dia". "É uma ponte de muito trânsito", refere Amélia, lembrando que, "quando fizeram a estação [ferroviária de Caniços], falava-se em fazer uma nova ponte para carros. Há três ou quatro anos. Mas dizem que não há dinheiro…".

camara-sts-vista-aerea.gifO presidente da Autarquia tirsense, Castro Fernandes, confirma a memória da moradora e refere a existência de um "protocolo de 2001, assinado por Vieira da Silva [então secretário de Estado das Obras Públicas]" que contempla a construção de uma nova ligação. No entanto, na altura "a Refer alterou a localização da estação de Caniços", o que "impediu que o novo tabuleiro fosse feito, porque ia chocar com a estação", explica. Entretanto, a obra passou para a alçada das câmaras de Santo Tirso e de Famalicão. Agora, falta que a Autarquia seja "dotada financeiramente", justifica o autarca.

ACC /jn