O Projeto “Segurança Sénior”, que visa aproximar a Polícia Municipal da Trofa e os idosos, conta com mais de cem inscritos. Comandante afirma que faz parte dos objetivos conseguir identificar todos os casos de isolamento.

Sabia que os agentes da Polícia Municipal da Trofa fazem muito mais do que aplicar multas? Implementado em setembro de 2011, o serviço “Segurança Sénior”, da Câmara Municipal desenvolvido pela Polícia Municipal da Trofa, tem como principal objetivo aproximar os agentes dos idosos trofenses, fazendo-os sentiremse mais seguros.

Sérgio Inverneiro, Comandante da Polícia Municipal, aproveitou o passeio de idosos organizado pela autarquia a Espinho, para contactar com eles e saber o que precisavam, desde acompanhamento presencial a sensibilizações de segurança. “Vimos que havia uma falta de acompanhamento presencial nos idosos a viverem sozinhos, e que precisavam desse apoio para refletirem um pouco sobre as questões de segurança, para se protegerem, nomeadamente quando abandonam a residência”, afirmou. 

E foi a partir daí que o projeto começou a ganhar forma. Com a permissão dos seniores, interessados neste acompanhamento, foram criadas bases de dados. De seguida, seguiu-se uma visita pelas associações e paróquias, para que pudessem recolher o maior número de idosos, que estejam “numa situação mais frágil”. “No início ficam um bocado desconfiados, mas depois vão progredindo e veem que é uma mais-valia. Até eles próprios sentem falta quando nós não vamos nos dias, que pensam que vamos”, acrescentou.

Cerca de 11 elementos da polícia deslocam-se a casa das pessoas inscritas neste projeto, para verificarem as condições de segurança. Se detetarem alguns sinais de anormalidade entram de imediato “em contacto com o familiar de apoio, para saber o que se passa”. Caso não haja respostas são acionadas as autoridades competentes, GNR e Bombeiros Voluntários da Trofa, para poderem entrar na habitação. Estas visitas não têm um dia definido, deste modo, além de não criarem uma habituação, dá mais segurança “ao idoso, pois aparecemos a qualquer hora, sem ninguém estar à espera” evitando assim criar rotinas.

Além deste serviço, os idosos também têm ao seu dispor o helphone, sistema de telefone, onde quatro agentes estão vocacionados para o contacto pessoal com os cerca de 77 beneficiários. Este processo tem uma lista de espera, pois é necessário serem analisadas as condições obrigatórias, tais como, ter uma linha telefónica instalada. 

“Temos tido uma boa aceitação por parte de alguns idosos e familiares. Estes ficaram contentes com este serviço, porque lhes veio dar algum descanso, pois normalmente estavam preocupados no local de trabalho”, asseverou.

Com este projeto, a polícia municipal “está mais visível”, tendo um maior contacto com os cidadãos. Graças a isso, e numa conversa informal com o idoso, verificam o que se passa, para saber que tipo de policiamento é necessário levar a cabo.

O comandante tem conhecimento de “casos que ainda estão por sinalizar”, mais precisamente nos apartamentos, pois são locais onde não existe “uma grande convivência entre vizinhos”, como nas zonas rurais, tornando “o abandono mais perigoso”. “Uma perspectiva que vai mudar devido a um maior empenhamento dos polícias”, garantiu.

Rolinda Reis sente-se “mais segura e acarinhada”, desde que se encontra inscrita neste projeto. Apesar de ter muitos filhos, Rolinda sentia-se muito sozinha, pois estes encontravam-se a trabalhar. Também Rosa Carvalho se sente mais segura. Inscrita há cerca de seis meses, acha esta iniciativa bastante importante, “principalmente para as pessoas de idade, que vivem sozinhas e precisam de apoio”. “Fico contente, quando me visitam. Conversamos, perguntam se preciso de alguma coisa”, afirmou.

O casal Bernardino e Maria Adelaide Ferreira louvam a ação da polícia municipal, pois, segundo os próprios, “é muito agradável” passar por eles, na rua, e estarem um pouco à conversa. O que lhes dá “uma certa confiança, conforto”, pois sabem que nunca estão sós. Bernardino Ferreira afirmou ser importante existir um aparelho portátil, para que as pessoas, que tenham uma maior dificuldade motora ou se sintam indispostas, só tenham que carregar no botão, acionando de imediato as autoridades.

Para Maria Costa este projeto trouxe-lhe uma maior qualidade de vida, pois, desde a morte do seu marido, “andava sempre assustada”, evitando sair de casa. Graças a este apoio sente-se “mais bem apoiada”, aconselhando amigos de S. Romão do Coronado e Covelas a seguirem os seus passos.

“Recomendo, porque eles fazem companhia às pessoas e elas não se sentem tão sós, dando outro ânimo à vida”, acrescentou. Qualquer pessoa, com idade a partir de 65 anos, pode candidatar-se a este serviço da Câmara Municipal da Trofa, que é gratuito. Para isso, tem que se dirigir ao posto da Polícia Municipal, onde preencherá uma ficha de inscrição com os seus dados pessoais, um contacto de um familiar mais próximo e uma fotografia, para ser reconhecido pelos restantes polícias.

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