Cerca de 30 sócios marcaram presença na assembleia-geral do Trofense, que serviu para a direção anunciar a homologação do plano de recuperação do clube, que diminuiu o passivo para dois milhões e 700 mil euros. Relatório e contas de 2012/2013 foi aprovado.

A homologação por parte do Tribunal de Santo Tirso do plano de recuperação do Clube Desportivo Trofense, a 8 de abril, foi um dos assuntos que esteve em cima da mesa da Assembleia-geral de sócios, que se realizou na noite de sexta-feira, 11 de abril, no auditório da Junta de Freguesia de Bougado, em S. Martinho.

A aprovação do plano, que estava inserido no processo de insolvência do clube, fez com que o passivo passasse de cerca de sete milhões para dois milhões e 470 mil euros, pagáveis a 13 anos.

Durante a sessão, e depois em declarações ao NT, Paulo Melro, presidente da direção do Trofense, explicou que esta decisão do tribunal “vai permitir regularizar a situação dos fundos negativos” e “fazer alguma engenharia contabilística de limpeza, relativamente ao problema de caixa que existe há vários anos”. Consequência? As contas no final de 2014 serão “bem mais saudáveis” do que as da época 2012/2013.

“(O plano de recuperação) foi uma das grandes lutas que tivemos durante este mandato e tivemos uma sensação de alívio quando foi homologado. O tribunal acabou por considerar como válido o trabalho que foi feito conjuntamente com os credores. Contudo, apesar de melhorarmos as contas, temos ainda dois milhões e 700 mil euros de passivo a longo prazo para enfrentar e cá estaremos nós e os restantes órgãos sociais e sócios para procurar soluções”, frisou.

Paulo Melro afirmou que o plano de recuperação “não é a solução ideal”, mas sim “a possível”, contribuindo para diminuir o volume do passivo e “regular no tempo” a amortização da dívida. Mais, com a situação “mais confortável”, a direção quer “garantir a sustentabilidade” do clube no futuro e “caminhar no sentido de formar uma SAD (Sociedade Anónima Desportiva)”, numa “partilha” que poderá ser feita “com credores” e “pessoas da terra que mostrem credibilidade para se juntar ao projeto”.

Sobre este assunto, Paulo Melro informou na assembleia-geral que iria solicitar ao conselho fiscal a abertura de um processo disciplinar “ao sócio Eugénio Gomes”, por este “ter tentado inviabilizar o plano de recuperação ao marcar uma reunião com os credores”.

O documento do relatório e contas da época 2012/2013 foi aprovado com uma abstenção e nenhum voto desfavorável. Paulo Melro anunciou que as contas desse período fecharam com um “resultado negativo na ordem dos 800 mil euros”, cujo “resultado operacional” saldou-se nos “200 mil euros”, uma vez que “os restantes 600 mil” referem-se “à amortização de parte do investimento feito no estádio”.

Já o orçamento relativo à presente época foi aprovado por unanimidade. A direção conta obter um resultado positivo de 19.878 euros, sem contar com os gastos inerentes à equipa profissional, que estão arrolados à Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas (SDUQ).

Na Assembleia também foi apresentada uma proposta para a revisão estatutária e outra para a alteração da data da assembleia eleitoral. Sobre o primeiro tema, Paulo Melro explicou que a intenção é “regrar a relação entre o clube e a SDUQ e/ou SAD, caso esta seja formada no futuro”. Mas a revisão, acrescenta, deve ser feita pelos sócios, por isso encontra-se aberto um período para consulta dos atuais regulamentos e para apresentação de propostas de alteração. Os estatutos encontram-se disponíveis na loja/secretaria e serão brevemente publicados no site e facebook do clube.

Já sobre a assembleia eleitoral, a direção entende que deve “coincidir com o início da época”, por isso propôs à mesa da assembleia o mês de maio para a realização das eleições. “A intenção não é de atrasar eleições, como foi dito aqui na assembleia, mas sim de antecipar um processo eleitoral para que quem sair eleito deste processo inicie a época 2014/2015 em pleno funcionamento”, concluiu.