Cinco alunos do 12º ano de escolaridade da Escola Secundária da Trofa escolheram o tema das ciências forenses para apresentar um trabalho na disciplina de Área de Projecto. Pinto da Costa, doutorado em medicina legal, foi o convidado especial para a palestra realizada pelos estudantes, na passada sexta-feira.

 pinto_costa_csi.jpg Um grupo de alunos da Escola Secundária da Trofa promoveu uma palestra sobre investigação criminal, para a qual contaram com a presença do especialista em medicina legal José Eduardo Pinto da Costa.

Integrada num trabalho da disciplina de Área de Projecto, a palestra realizou-se no salão polivalente do estabelecimento de ensino, que foi pequeno para acolher todos os interessados pelo tema das ciências forenses.

Cinco alunos do 12º ano de escolaridade escolheram o tema influenciados pelas "séries televisivas" que invadiram as grelhas dos canais televisivos no Verão, associando-o também ao facto de estar "integrado na área da saúde", pretendida para seguir no percurso académico.

Em declarações ao NT, Gisela Silva explicou os passos do trabalho que começou com um trabalho teórico, que mereceu a nota máxima de 20 valores: "Tínhamos que traçar objectivos para no final apresentarmos um trabalho à escola. Como trabalho teórico apresentamos um filme do género "CSI" (Crime Sob Investigação) para chamarmos à atenção dos alunos para a dificuldade destes processos, porque ao contrário do que surge nos filmes, não são em dois dias que se resolvem um crime. Para esse trabalho contamos com a colaboração dos Bombeiros Voluntários da Trofa, GNR da Trofa, de uma pastelaria da cidade, do Sargento Fernandes, de Nuno Araújo, presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, José Sá, e do vereador do pelouro da Acção Social, Jaime Moreira".

Apesar do entrave à afluência de alguns alunos do 10º ano, que estiveram ocupados com uma ficha de avaliação intermédia a Física e Química, Gisela Silva, Cláudia Azevedo, Joana Guimarães, João Alves e Fábio Ferreira mostraram-se satisfeitos com o número de participantes e sublinharam o interesse demonstrado pelos alunos, "que durante a preparação da palestra vinham ter connosco perguntar sobre o trabalho".

A dificuldade no agendamento da palestra não impediu José Eduardo Pinto da Costa de estar presente nesta iniciativa na Escola Secundária da Trofa, uma das muitas que lhe solicitam participação em trabalhos do género. "Tive de enquadrar as datas no meio de todas as actividades que tenho. Mas foi com muito prazer que estive aqui porque nunca pensei que iria aparecer tantos alunos", referiu. O número de alunos presentes na sala traduz "o interesse que a investigação criminal desperta junto da juventude, que se mostra também com uma certa ansiedade, à espera de respostas mais céleres, pois talvez têm consciência que as coisas na justiça andam um bocadinho mais lentas".

Sobre o sistema que regula os mecanismos para a resolução de processos criminais em Portugal, Pinto da Costa referiu que é premente a integração de técnicos na polícia portuguesa. "A polícia não dispõe de técnicos em número suficiente. Terá que haver uma reformulação para que possamos beneficiar das mais altas tecnologias a nível internacional. O grande drama é que existem os recursos materiais mas não temos recursos humanos. Podemos ter grandes aparelhos de ponta, mas se não houver alguém que saiba trabalhar com eles é como se não existisse nada, com a agravante de que com o tempo os aparelhos vão-se deteriorando", frisou.

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