A decisão de executar a extensão do metro, em linha simples, até à Trofa é uma clara demonstração de que somos o parente pobre da Grande Área Metropolitana do Porto.

afonsopaixao.jpgFoi uma decisão conseguida às prestações e devíamos estar contentes porque, finalmente, parece que o assunto entrou numa direcção que parece não ter retorno. Mas, a decisão de construir a linha do metro em linha simples, deixando estudos preparados para futura duplicação, tem aspectos com os quais não posso estar de acordo.

Para quem ouve falar em tantos milhões para algumas obras públicas, esta decisão aparece como uma indisfarçável má vontade.

Se os trofenses tivessem sido informados, e as autarquias, do que se passaria a seguir, teriam concordado com a desactivação do caminho-de-ferro que nos conduzia a Guimarães e à estação da Trindade, no Porto, incluindo as localidades pelo caminho, algumas das quais do nosso concelho?

Que estudos técnicos suportam esta decisão? Então, uma obra feita em prestações não é muito mais cara do que uma obra feita duma só vez?

E porque é que somos quase os últimos se fomos os únicos prejudicados e estivemos previstos para a primeira fase?

Com a linha simples andamos algumas décadas para trás. Voltamos ao tempo em que o atraso dum comboio provocava o atraso de todos os comboios da mesma via. Com as composições do metro a terem que se cruzar, se houver atraso dalguma, provocará atrasos em cadeia porque apenas podem cruzar nas estações.

Isto é: passaremos a ter um transporte menos desconfortável mas, em termos de rapidez, damos um enorme passo atrás.

Já há muito tempo que temos vindo a ser mal tratados neste assunto.

Primeiro foram os autarcas, administradores da Metropor, que foram puxando a brasa à sua sardinha e quase duplicaram a rede do metro com tantos acréscimos de rede para servir os seus respectivos concelhos prejudicando e adiando, sistematicamente a extensão da Trofa.

Depois, veio o governo que mostrou o cartão amarelo. Só que, em vez de punir os "infractores", decidiu punir o concelho lesado.

E é assim que, mais uma vez, aparecemos na posição de andar a pedir aquilo que temos o direito de exigir.

Porque é que não anulam ou atrasam obras que não estavam previstas no início? Porque é que, invariavelmente, é a Trofa que fica mal no meio desta confusão? É por sermos pequenos?

Não creio que nos devamos acomodar. Temos razão e temos o dever de lutar por ela.

Não será fácil porque o Poder pode muito e quem tem o dinheiro terá que ser conquistado para as nossas razões que são mais do que muitas.

O papel mais importante a desempenhar neste processo caberá, naturalmente, à Câmara Municipal e às freguesias afectadas.

Os utentes terão poucas possibilidades, mas poderão apoiar as suas autarquias que não deixarão de fazer sentir as nossas razões.

Esperemos que este assunto tenha um bom desfecho e a Trofa não seja descaradamente tratada por parente pobre.

 

Afonso Paixão