A problemática ambiental representa um dos principais, se não mesmo o principal desafio para as gerações do século XXI.

  Embora a comunidade científica tenha tentado durante décadas alertar para as consequências catastróficas do modelo de crescimento económico adoptado pelas sociedades mais desenvolvidas, estes foram constantemente ignorados pelos poderes políticos, pelos interesses económicos e até pelos próprios cidadãos que não pretendiam abdicar de uma quota parte do bem estar.

Felizmente, hoje em dia, a temática ambiental está na ordem do dia. Graças sobretudo ao aumento da incidência e  da intensidade das catástrofes naturais, e à profunda crise de gestão dos recursos essenciais como a água e os recursos energéticos, o mundo despertou para a eminente crise que pode colocar em risco esta nossa sociedade globalizada.

Mas se os grandes problemas ambientais se colocam a uma escala global, para a qual nós, meros cidadãos, muito pouco podemos fazer, não é menos verdade que a resolução de muitos desses mesmos problemas ambientais podem e devem ser combatidos a uma escala local.

A mudança de hábitos por parte de cada um de nós pode representar um contributo decisivo para a melhoria da qualidade ambiental na nossa comunidade local.

São pequenos gestos, ligeiras mudanças de hábitos, que podem fazer toda a diferença.

A separação dos lixos em casa, de forma a possibilitar a sua reciclagem não tem custos para a família mas traz muitos benefícios para o ambiente.

A redução do consumo de água doméstica, através de gestos simples como fechar uma torneira enquanto se escova os dentes, ou da redução da capacidade de descarga do autoclismo, não só reduz a factura a pagar pela família, como também economiza um dos recursos mais essenciais como é a água potável.

A utilização dos transportes públicos em detrimento do transporte individual pode representar uma significativa poupança no orçamento familiar e contribui, de forma decisiva, para a redução do consumo de recursos energéticos fósseis, assim como, para a redução das emissões de gases poluentes para a atmosfera.

A melhoria da eficiência energética das nossas casas, como seja a redução dos consumos com o aquecimento e a substituição do sistema de iluminação por um mais económico podem levar a redução dos gastos da família com a energia e dá um importante contributo para a redução do consumo dos recursos energéticos.

São apenas exemplos de pequenos gestos que podem representar um enorme contributo para o bem-estar global.

O despertar da nossa consciência cívica para a problemática ambiental deve ter como consequência a mudança de hábitos individuais, mas deve reflectir igualmente o nosso grau de exigência para com aqueles que ao nível económico, empresarial ou político têm a capacidade de promover uma intervenção mais global.

Helder Santos