Sócios da Associação Humanitária dos Bombeiros da Trofa reelegeram Pedro Ortiga para a presidência, por mais dois anos.

É a associação do concelho com o maior número de associados. Ao todo são quase 9300, mas desses, apenas 5227 têm as cotas em dia e, como tal, só estes poderiam participar na votação para a eleição dos órgãos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa, para o biénio 2012/2013. Poderiam, mas não o fizeram, pois apenas 23 sócios exerceram o direito de voto e elegeram a lista A, única candidata, reconduzindo na presidência da direção Pedro Ortiga.

A fraca participação dos associados no ato eleitoral da passada segunda-feira, é para Pedro Ortiga, “o reflexo de um cenário que já existe noutras associações a nível nacional”. “Podemos interpretar isto como um cheque em branco para podermos trabalhar. Seria no entanto importante para nós, que as pessoas reconhecessem e vivessem a associação. Seria muito mais agradável ter um número de associados expressivo que viesse, por exemplo, inteirar-se sobre o que é a sua associação e quais as suas dificuldades”, referiu. O presidente acredita que muitos dos associados não têm ideia de que a associação “movimenta mais de um milhão de euros por ano”, no entanto, lamenta o facto de muitas pessoas se tornem associadas apenas para terem descontos nos serviços prestados e não com a ideia de ajudar a associação.

Já depois de encerradas as urnas, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa, reuniu-se em Assembleia Geral, onde foram apresentados e aprovados, o plano de atividades e o orçamento para 2012. Os Bombeiros da Trofa contemplaram para o próximo ano, em orçamento, investimentos superiores a 300 mil euros, destacando-se a aquisição de umVeículo Florestal de Combate a Incêndio, comparticipado em 70 por cento pela União Europeia, pelo Programa Operacional Norte ON2 e 30 por cento pelo município da Trofa, e de um veículo de transporte de doentes. Obras de reparação e conservação do quartel também estão previstas pois,  segundo Ortiga, “estas instalações são grandiosas, toda a gente conhece parte daquilo que são as instalações desta associação”, mas “são poucos aqueles que se questionam de quanto custa mantê-las, e estes custos fazem com que exista a necessidade de investimento, para além da situação económica e financeira do país”. “Quando temos um património com esta dimensão, temos de ter o cuidado de o conservar, para que amanhã não venhamos a ter uma fatura ainda mais pesada”, sublinhou.

Contudo, esta é uma despesa pequena, cerca de 65 mil euros, quando comparada com os cerca de um milhão e quatrocentos mil euros previstos para 2012. No entanto, parte dessas despesas serão pagas com o serviço de transporte de doentes, pela prestação de serviço no combate a incêndio à Autoridade Nacional de Proteção Civil, pelo INEM, pela Segurança Social e pelo município da Trofa. A Associação Humanitária poderá também ser uma das coletividades a sofrer um corte de subsídio por parte da Câmara Municipal. Pedro Ortiga, apesar de “compreender a situação económica da câmara”, defende que devem ser “acauteladas as realidades das diversas associações, não menosprezando nenhuma delas, mas fazendo justiça àquelas que têm uma intervenção importante. Nós não procuramos a subsidiodependência, nós pedimos colaboração ao nível de investimento, para uma função que também é da Câmara Municipal, a Proteção Civil, e acreditámos que com o bom senso que o executivo municipal tem, é possível ter um entendimento que nos permita trabalhar e manter o padrão de serviço diário à população do concelho da Trofa. Não estamos a falar em fazer uma festa ou um concerto. Estamos a falar em criar condições para o serviço de socorro às populações. E quando fazemos isto, sabemos que o fazemos com menos custos do que se fosse feito por um corpo de bombeiros profissional”, sob a alçada da autarquia.

No orçamento para 2012, a Associação espera ter de receitas correntes, provenientes do município da Trofa, de cerca de 150 mil euros, valor idêntico ao do ano de 2011.

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