A celebração dos 20 anos do álbum Viagens deu o mote a uma digressão que trouxe Pedro Abrunhosa e os Comité Caviar ao Coliseu do Porto em sessão tripla. A mítica sala da Invita encheu-se de fãs do cantor para os concertos que este deu nas três últimas noites do mês de Janeiro. Viagens, lançado em 1994, quando os CDs ainda eram bens preciosos, e que contava com a participação dos Bandemónio, atingiu a marca de tripla platina com vendas superiores a 240.000 unidades, e trouxe aos portugueses uma revolução musical recheada de funk, rock, jazz, rythm & blues, referências sexuais e uns quantos palavrões. 20 anos depois muitas coisas mudaram, mas os fãs de Abrunhosa parecem não ter perdido o fôlego, e demonstram o apoio e carinho ao músico ao continuar a esgotar os seus concertos.

O espetáculo do Coliseu no Porto iniciou-se com uma Intro instrumental, que acompanhada de uma projeção vídeo fez antecipar a entrada dos músicos em ritmo lento e de forma individual. Abrunhosa surgiu com uma lanterna que apontou ao público, iluminando a sala. Senhor do Adeus, Pode o Céu Chegar tão Longe e Viagens foram as primeiras músicas da noite, e antecederam a primeira saudação ao público: “Boa noite Porto, bem-vindos a esta viagem que vai durar 3 dias e que começou há 20 anos”. O cantor convidou todos os presentes a subirem ao palco, e depois dos fotógrafos profissionais lhe terem ido fazer companhia, deu-se uma mini-invasão de palco para acompanhar Abrunhosa e a banda em Hoje é o teu Dia. As selfies no palco não pararam e na plateia o público juntou-se nas filas dianteiras para filmar e fotografar. Com os fãs de volta aos seus lugares, seguiram-se temas como Pontes entre Nós, Toma Conta de Mim, O Melhor está pra Vir,Todos Lá pra Trás  (com as primeiras achegas políticas de Abrunhosa ao relembrar que a música foi escrita para aqueles que repetem as mentiras de sempre) e Voámos em ContramãoNão Desistas de Mim atraiu um casal que se aproximou do palco para dançar e que acabou ao lado de Abrunhosa, que sentado ao piano tocava e cantava. O músico não perdeu a oportunidade de dançar com a jovem, mesmo antes de o casal voltar aos seus lugares. Momento, um dos outros hits de Abrunhosa, foi interpretado ao piano, com o apoio massivo do público que em uníssono cantava partes da música. Seguiram-se A.M.O.R., Se Houver um Anjo da Guarda  (dedicado ao amigo Jorge Sousa falecido em 2014, e que acompanhou durante 20 anos o músico), Socorro, É Preciso ter Calma, Talvez Foder  (que segundo um irónico Abrunhosa foi escrito quando o mundo era ainda um caos), Se eu Fosse Um dia O teu Olhar, Acima & Abaixo e Fazer o que Ainda não foi Feito.

O regresso de Abrunhosa e companhia para o encore deu-se num entusiástico desfile de 6 músicas com surpresa pelo meio. Eu Não Sei Quem Te Perdeu abriu a sessão. Seguiram-se Ilumina-me e Para o Braços da Minha Mãe, com a muito aplaudida presença de Camané em palco. Seguiram-se os grandes êxitos dos anos 90 Não Posso +, Lua e Tudo o Que eu te Dou, a fechar em beleza cerca de três horas de um intenso e muito vivido concerto.

Texto: Joana Vaz Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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