Honório Novo, do PCP, questionou o Governo sobre a “construção da Linha do Metro para a Trofa” e sobre a “segunda fase da rede do Metro do Porto”. JSD da Trofa também mostrou o seu descontentamento sobre todo o processo.

Depois da chamada de atenção da população do Muro, nas eleições presidenciais, o assunto voltou à Assembleia da República, através das questões colocadas pelo deputado do PCP, Honório Novo. Nas perguntas colocadas ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, no dia 27 de Janeiro, o comunista, a propósito das declarações de Ricardo Fonseca, presidente da Metro do Porto, que, lê-se no documento, afirmou que o metro “só chegaria à Trofa depois de 2014”. Terá declarado ainda que, “mesmo nessa hipótese, ‘o lançamento dessa empreitada estará dependente de estudos’”. “Conclui-se que, a confirmarem-se estas declarações públicas prestadas aos órgãos de comunicação social, Ricardo Fonseca faz depender a construção da Linha do metro para a Trofa, mesmo depois de 2014, do resultado de estudos”, acrescenta o deputado no documento enviado.

Honório Novo refere ainda as afirmações da presidente da Câmara Municipal da Trofa, Joana Lima, que classifica como “não menos surreais e contraditórias”. “Sublinhou então esta autarca que a ‘Metro do Porto está disponível para participar na empreitada de regeneração urbana, gastando milhões de euros no Parque Nossa Senhora das Dores’, sendo ‘esta uma prova de boa-fé que a Metro do Porto está a dar’. Ora, estando a construção da Linha do Metro para a Trofa adiada para depois de 2014 e, mesmo nestas condições, pelos vistos dependente de estudos que não se sabe o que ditarão, não se percebe como é que a Metro do Porto vai participar no financiamento de obras de regeneração urbana num Parque da Trofa”, acusa o deputado.

Perante declarações “tão polémicas”, Novo pediu esclarecimentos ao Ministério responsável pela tutela, indagando se  está confirmado “que é intenção da Metro do Porto avançar com a construção da linha da Trofa ‘só depois de 2014’” e “que ‘estudos’ são estes que vão ser ainda realizados, quando e por quem” e de que forma “podem condicionar uma obra prometida há dez anos, que fazia parte da primeira fase da rede do metro, e que, neste momento, faz com que as populações entre a Maia e a Trofa não tenham nem metro nem comboio”.

Num outro documento, o deputado comunista volta a questionar o Governo sobre a segunda fase do Metro do Porto. Destaque para a pergunta referente ao processo da conclusão da Linha Verde até à Trofa: “Face à recente decisão de anular o concurso da construção da linha da Trofa, está ou não o Governo disposto a integrar esta linha da primeira fase da rede no concurso para a construção da segunda fase do metro? Está ou não o Governo disposto a aceitar esta proposta para, no mínimo, reparar as injustiças, os atropelos e a quebra total de compromissos com a população da Trofa, que tem sido praticada desde há dez anos a esta parte?”.

JSD Trofa também quer Metro para a Trofa

Ainda sobre o mesmo assunto, a JSD da Trofa fez chegar à redacção um comunicado onde “com grande preocupação”, recorda todo o processo desde 1998, quando foi anunciado que “a linha da Trofa estava prevista para a 1ª fase da Linha do Metro”, até Janeiro deste ano, quando “Ricardo Fonseca desejou que a Linha da Trofa só avançasse após outras linhas incluídas na 2ª fase de investimentos”. “Joana Lima considerou estas afirmações como as ‘mais normais possíveis’”, pode ainda ler-se no documento.

“Perante este desenrolar de acontecimentos, constatáveis nos diversos meios de comunicação social, a JSD Trofa não pode deixar de manifestar o seu repúdio pelos responsáveis por toda esta situação”, acrescentam, defendendo que “com o anterior executivo camarário (PSD) o metro até à Trofa era uma realidade” que com o executivo socialista “está cada vez mais distante”. “Os responsáveis por esta situação não podem ficar incólumes e têm de ser denunciados. A JSD Trofa esteve, está e estará sempre na defesa da Verdade, para que a Trofa ganhe (…) e na defesa intransigente dos interesses da Trofa, mas não pode deixar que a população seja enganada por atitudes populistas e hipócritas. Só percebendo o passado é que podemos construir o futuro”, defende a juventude partidária.