A fadista trofense Paula Canossa apresentou o seu primeiro trabalho discográfico, num concerto dinamizado no auditório da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado.

 “A Descobrir o Fado”. Este é o nome do primeiro trabalho discográfico de Paula Canossa. Composto por “12 faixas”, o “primeiro trabalho” retrata que “tipo de artista” a artista trofense quer ser, onde está evidenciado os artistas que a “influenciaram”, como “ Amália Rodrigues, Aldina Duarte, Celeste Rodrigues, entre outras”.

“Os fados vão desde o primeiro fado que aprendi a cantar, que se intitula Minha Mãe, até ao fado que, de certa forma, mostra as influências culturais que recebi desde pequena como o Hortelã Mourisca. Todos os fados que canto têm algo de mim, têm algo de todos nós”, contou Paula Canossa, natural da freguesia de S. Martinho de Bougado.

Esta aventura começou em “jeito de brincadeira” em 2010, onde a fadista cantou, pela “primeira vez”, na sede do Rancho Folclórico da Trofa. Só em 2011, é que “José Maria Paiva e o senhor Joaquim” deram-lhe “um empurrão”, convidando-a para cantar em sua casa, tendo-se seguido um convite, por parte do primeiro, para “ensaiar e aprender”. “O fado estranha-se e depois entranha-se, e como disseram, o fado tem que estar dentro de nós, simplesmente precisa de um empurrão para deixar sair cá para fora”, declarou.

Foi em 2012 que começou a “cantar fado mais a sério” e, a partir daí, andou por “casas de fado no Porto” e em espetáculos, “nomeadamente pelo Norte, na zona de Coimbra, Viana do Castelo”, onde lhe era “pedido” o seu CD, o que motivou a gravação do mesmo, apesar de Paula Canossa “não pensar em gravar tão cedo”. Seguiram-se “muitos meses” de preparação da gravação deste CD, onde a fadista estudou “as músicas que melhor se adequavam à sua voz” e o “significado” que estas têm para si e que “poderia significar para o público”. Já a gravação, que decorreu em dezembro de 2012, durou “cerca de um dia”, graças ao trabalho dos “excelentes profissionais, que tocaram uma perfeição”. “A editora Conquista Estúdios, situada na cidade do Porto, tem técnicos muito profissionais e que fazem acima de tudo, o seu trabalho com gosto. Foi o concretizar de um sonho, especialmente com músicos excelentes como os que me acompanham, foi uma maneira fantástica de celebrar o meu ano de descobertas, de novos sons e de novas amizades”, afirmou.

Duas dessas amizades, os fadistas portuenses Eduardo Pinto e Manuel Salé, estiveram presentes nesta “noite especial” para a fadista, que, acompanhada por Samuel Cabral, na guitarra portuguesa, Paulo Faria de Carvalho, na guitarra clássica, e Susana Castro Santos, no violoncelo, apresentou o lançamento do seu primeiro trabalho discográfico, que decorreu na noite de sábado, dia 13 de abril, no auditório da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado.

O facto da apresentação do trabalho ter sido na “sua terra” teve um “significado diferente”, pois a “maior parte dos cidadãos trofenses não a conheciam e são muito apreciadores de fado”. Paula Canossa ficou “muito feliz” por ter sido “muito bem recebida”, contando com “sala cheia e aplausos de todos”. “O público ajudou bastante, foi fantástico. As pessoas adquiriram o meu trabalho e fiquei realmente muito comovida. Espero sinceramente que todos tenham gostado desta noite de fado diferente”, denotou.

A fadista está muito feliz por já ter percorrido “tanto” em “um ano de fado”. “Não fazia ideia de que num curto espaço de tempo que ia ter a visibilidade que estou a ter agora. Estou grata a Deus, à minha família e a todos os meus amigos pelo apoio que me tem dado, porque tem sido uma aventura”, frisou.

A fadista trofense fez ainda “uns agradecimentos especiais” à Câmara Municipal da Trofa, pelo “apoio logístico e divulgação do concerto”, à Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, pela “cedência do espaço”, à Aclave-Audio Publicidade, pelo “som acústico fantástico”, bem como a “todos os que estiveram presentes para a “ouvir e apoiar”, desde familiares, amigos e público em geral”.

Paula Canossa já tem “alguns espetáculos marcados para maio”. Na cidade da Trofa, vai atuar no dia 23 de junho, na festa da Nossa Senhora do Rosário, que se vai realizar no lugar de Lagoa, em Santiago de Bougado. “Espero que toda a gente compareça em massa, porque vai ser um espetáculo muito bonito, onde vou estar presente, juntamente com Eduardo Pinto e um grupo de fados de Coimbra. Acho que vai ser um espetáculo ainda mais cheio do que este”, concluiu.

Quem também esteve na plateia foi Assis Serra Neves, vereador do pelouro da Cultura da autarquia trofense, que referiu que esta foi “mais uma iniciativa da Câmara Municipal da Trofa de apoio aos artistas e criadores locais, prática que tem sido seguida nos últimos três anos, de incentivo e fomento à arte e à produção dos autores do Município”.