Pedro Passos Coelho apresentou, no sábado, na Associação Empresarial do Baixo Ave (AEBA), na Trofa, uma alternativa à Estrada Nacional (EN) 14, para terminar o congestionamento de trânsito na ligação entre Famalicão, Trofa e Maia. Primeiro-ministro também visitou Continental Mabor, em Famalicão, e terminou o dia na Maia.

“Económica, mas eficiente”. Foi desta forma que Pedro Passos Coelho falou da alternativa que o Governo encontrou para a Estrada Nacional 14, numa visita à AEBA, na Trofa. O projeto, que coloca de lado a variante projetada há quase duas décadas, foi uma solução de “36 milhões de euros” encontrada para travar o congestionamento de uma das vias mais movimentadas da Área Metropolitana do Porto, com grande incidência no trânsito pesado, face à ligação com várias zonas industriais da Trofa, Vila Nova de Famalicão e Maia.
Para Pedro Passos Coelho, a variante orçada em 190 milhões de euros foi projetada “quando se achava que havia dinheiro para tudo e mais alguma coisa”, pelo que atualmente se desadequava com o contexto económico e financeiro do país.
O primeiro-ministro delegou no presidente das Estradas de Portugal a explicação do que vai ser a nova alternativa, batizada de “Circular da Trofa”. António Ramalho explicou que o projeto, traçado em via simples com rotundas em vez de nós desnivelados, foi pensado para criar um interface rodoferroviário, com articulação com a rede de autoestradas. Permitirá, afirmou, “ganhos de tempo médio de viagem superiores a 20 minutos nas deslocações entre as sedes dos concelhos” envolvidos.

O traçado da Circular

Mas vamos ao traçado. A ligação entre Vila Nova de Famalicão e a Trofa far-se-á através de uma via intermunicipal, que começa numa nova rotunda na atual Estrada Nacional 14, em Ferreiros, junto à chamada “curva da morte”, em Ribeirão. A nova estrada passará junto à Continental, em Lousado, e, através de uma ponte, atravessa do rio perto da antiga fábrica da Mabor.
Já no território da Trofa, a nova estrada passará nas traseiras do Hospital privado, utilizando parte da linha de comboio desativada, até à rotunda da EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques. Aí o trânsito pode fluir para a Estrada Nacional 104 (Trofa-Santo Tirso) ou prosseguir pela Rua Cesário Verde (atualmente denominada Avenida 19 de Novembro), junto à nova estação de comboios.
No final dessa via, e já em terreno de Valdeirigo, será construído o novo traçado que ligará a Trofa à Maia, seguindo o projeto que estava definido no antigo projeto delineado para a variante. A nova via fará ligação à zona da Transmaia, em S. Mamede do Coronado, através de uma rotunda e prossegue até a um novo nó construído perto do Jumbo da Maia.
O presidente das EP afirmou que, com o projeto, será possível a “segmentação da tipologia de tráfego através da transferência dos pesados para a nova circular”. Ou seja, prevê-se grande movimentação de camiões na zona da nova estação de comboios e perto da EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques, uma das áreas do concelho da Trofa que mais tem crescido do ponto de vista urbano.

Prazos da obra

Uma vez que o traçado que liga a Trofa à Maia já contempla estudo de impacte ambiental e projeto desenhado, a obra, orçada em 20 milhões de euros, está prevista para começar no terceiro trimestre deste ano.
Já a via intermunicipal que fará a ligação da Trofa a Famalicão, incluindo a nova travessia sobre o Rio Ave, ainda não tem os pressupostos legais cumpridos nem a fase do projeto, cujo concurso será lançado “esta semana”, anunciou António Ramalho. Esta empreitada terá o custo de 12 milhões de euros e tem data de início para “o segundo trimestre de 2016”. Só em 2018, todo o projeto deverá estar concluído, projetou o presidente das Estradas de Portugal.

Acessos a zonas industriais de Ribeirão e Lousado

Ficou também acordada a execução de acessos às zonas industriais de Sam (Ribeirão) e Lousado, num projeto concertado entre a CCDRN (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte), as Estradas de Portugal e a autarquia de Famalicão. As ligações serão construídas “dentro do contexto temporal de toda a obra”, com perspetiva de obterem fundos comunitários por “potenciar a economia” daqueles polos industriais.
A ligação à Zona Industrial de Sam, no valor de 4,5 milhões de euros, será feita a partir da rotunda do Lago Discount e a outra à Zona Industrial de Lousado, orçada em 3,5 milhões de euros, será executada através da nova rotunda, perto da “curva da morte”, que ligará a via intermunicipal até à Trofa.
Está ainda prevista a duplicação da EN14 a partir da nova rotunda que está a ser construída pela autarquia famalicense no Alto da Vitória, em Calendário, até à Variante Nascente.
No acordo entre as entidades para a execução deste projeto, ficou patente que as autarquias da Maia e Vila Nova de Famalicão assumem a jurisdição do troço da EN14, numa extensão de seis quilómetros, acompanhando a Trofa, que municipalizou a via há uma década. Por outro lado, a Rua Cesário Verde passa a ser responsabilidade das Estradas de Portugal.

“Precisamos de amealhar para criar condições para o investimento”

Numa “pequena pesquisa” pelo Google, Sérgio Monteiro encontrou “12 anúncios” da construção da variante à EN14, em “datas diferentes”. Este exemplo serviu para o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações garantir às centenas de pessoas que encheram a AEBA – auditório estava tão cheio que houve pessoas que ficaram à porta – que a Circular da Trofa vai ser executada. No entanto, foi perentório: “O mandato que o senhor primeiro-ministro nos deu foi claro. Precisamos primeiro de amealhar para criar condições para este investimento”. 

Sérgio Monteiro afirmou ainda que Pedro Passos Coelho, pediu “à tutela” que os investimentos que compõem o Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas “ – e no qual a Circular da Trofa está inserida – “fossem anunciados de uma vez e dados a conhecer a todos” e num espaço temporal “bem distante da data eleitoral para que não parecesse eleitoralismo o que se andou a fazer ao longo de três anos”.

O secretário de Estado também louvou o empenho “das Estradas de Portugal” e dos “municípios”, ressalvando que “já não é comum os presidentes de câmara irem aos gabinetes do governo pedirem coisas que sejam irracionais”. “Agora levam estudos económicos e o impacto do investimento que estão a pedir para o desenvolvimento do tecido económico. A cultura do país está a mudar, assim como a forma como se olha para as estradas”, sustentou.

Quanto à circular da Trofa, Sérgio Monteiro considerou-a “realista” e capaz de “responder às necessidades das pessoas”.

Já António Ramalho, presidente do conselho de administração das Estradas de Portugal (EP), entidade que vai executar o projeto, apelidou-o de “prático” e “concretizável”. “Não vimos fazer promessas, vamos dizer que, dentro das exigências do que definimos para os próximos cinco anos de plano de proximidade e plano de investimentos, esta é a nossa capacidade de realização”, afiançou..