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Edição 738

Páscoa sem compasso apeado nem sobre rodas

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Respeitando uma nota pastoral do bispo do Porto, D. Manuel Linda, os párocos do concelho da Trofa decidiram cancelar os planos de repetirem o compasso sobre rodas. Há quem não esconda o desagrado da postura do prelado, como o padre José Ramos, que lamenta viver “a Páscoa mais triste” dos 30 anos de sacerdócio. O NT foi saber o que está programado para celebrar a Páscoa.

Este ano, não haverá compasso no Dia de Páscoa. Apesar de terem começado a projetar uma celebração semelhante à do ano passado, com a cruz a percorrer as ruas de cada paróquia com recurso a viaturas, os padres do concelho decidiram acatar o pedido do bispo do Porto, D. Manuel Linda, que, em nota pastoral publicada no site da diocese, refere o comunicado da Conferência Episcopal que desaconselha “vivamente manifestações públicas exteriores, no género de visita pascal”.

“Consideramos que a alternativa da cruz na viatura tinha corrido muito bem o ano passado e é com muito pesar nosso que não o fazemos este ano, mas não quisemos ir contra aquilo que o senhor bispo determinou”, explicou, em declarações ao NT, Luciano Lagoa, pároco de S. Martinho de Bougado e vigário da vigararia Trofa/Vila do Conde.

Esta atitude vem no seguimento da postura da Igreja em harmonia com as recomendações das autoridades de saúde para que se continue a promover o distanciamento social e o cumprimento das restantes regras de contenção da pandemia, apesar da descida acentuada do número de casos no país.

Desta feita, são apenas esperadas as tradicionais celebrações eucarísticas alusivas à Páscoa, como a missa de Ramos, o Tríduo Pascal e a eucaristia do domingo da Ressurreição.

Quem não esconde o desagrado por esta decisão do bispo do Porto é o pároco de Covelas, Guidões e Alvarelhos, José Ramos, que em declarações ao NT lamentou que este ano “seja a Páscoa mais triste” dos 30 anos que leva como pároco. “Nós, os párocos, já tínhamos acertado que este ano faríamos o compasso sobre rodas, como o ano passado, mas o bispo, numa atitude prepotente, decidiu, numa nota que nos surpreendeu, proibir qualquer manifestação pública de fé. Discordamos, mas vamos respeitar”, referiu o sacerdote.

Sendo assim, nas paróquias de José Ramos estão previstas para o domingo de Páscoa as eucaristias habituais, nas igrejas paroquiais: às 8h00, em Covelas, às 9h30, em Alvarelhos e, às 10h45, em Guidões.

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Em S. Martinho de Bougado, a missa de Páscoa realiza-se às 10h30, na concha acústica do Parque Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro. Há ainda mais duas celebrações, às 8h30 e às 19h00, na Igreja Nova.

O Domingo de Ramos, a 28 de março, ficará marcado pela missa campal, na concha acústica do Parque Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro, enquanto o Tríduo Pascal, a 1,2 e 3 de abril, assinala-se na Igreja Nova, com eucaristias marcadas para as 21 horas.

Na paróquia do Muro, da responsabilidade do padre José Ricardo Dias, o Tríduo Pascal é realizado no salão paroquial. As eucaristias estão marcadas para as 21h00, na Quinta e Sexta-feira Santa, e para as 21h30, no Sábado de Aleluia. No Domingo de Páscoa, a eucaristia realiza-se às 9h30, em princípio, também no salão paroquial.

O mesmo espaço será palco da eucaristia no Domingo de Ramos, no próximo fim de semana, às 9h30.

Em Santiago de Bougado, com o padre Bruno Ferreira, a bênção dos ramos merecerá quatro momentos. No sábado, 27 de março, há eucaristias às 16h30 e 20h00, na Igreja Matriz, enquanto no domingo, às 8h00, celebra-se na Capela de Bairros, às 9h45, na Capela de Lantemil e, às 11h00, no Souto da Lagoa, com missa campal. Nesse mesmo dia, cumpre-se a via sacra, às 16h00, na Igreja Matriz.

Quanto ao Tríduo Pascal, as celebrações têm lugar na Igreja Matriz: na Quinta-feira Santa, às 21 horas, na Sexta-feira Santa, às 15h00 (Via Sacra) e às 21h00, e no Sábado de Aleluia, às 21h00.

No Domingo de Páscoa, há três eucaristias solenes campais, no Souto da Lagoa, com bênção do santíssimo sacramento: às 9h00, às 11h00 e às 18h00.

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As paróquias de S. Romão e S. Mamede do Coronado, a cargo do padre Micael Silva, lançaram um programa celebrativo da Páscoa em conjunto. A bênção de ramos acontecerá em vários momentos: na Igreja de S. Mamede há celebrações no sábado, às 17h30, e no domingo, às 8h30, enquanto na Igreja de S. Romão, as celebrações estão agendadas para as 19h00, no sábado, e às 10h00, no domingo.

Relativamente ao Tríduo Pascal, na Igreja de S. Mamede, as eucaristias realizam-se na Quinta e Sexta-Feira Santa, às 19h30, enquanto em S. Romão, as mesmas celebrações acontecem às 21h00. No Sábado de Aleluia, a Vigília Pascal tem lugar na Igreja de S. Mamede, às 21h00.

No Domingo da Ressurreição, há eucaristias em S. Romão, às 10h00, na Igreja, e às 19h00, na Capela de S. Bartolomeu. Em S. Mamede, as missas realizam-se na Igreja Paroquial, às 8h30 e 17h00.

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Edição 738

Memórias e Histórias da Trofa: Mudanças na Feira Semanal da Trofa

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A realização de feiras é uma tradição secular no nosso país, a concretização daquele tipo de eventos numa localidade era sinal de progresso e dinamismo económico e também social num patamar mais secundário.

Não existindo os meios atuais para as trocas comerciais esta era a solução mais fácil de as realizar, como também na referida fase inicial era comum a vinda de mercadores de zonas longínquas para aquelas atividades.

As feiras no território da Trofa são intemporais, sobretudo aquelas que eram realizadas em S. Mamede do Coronado que são em idade superior às de S. Martinho de Bougado, demonstrando a vitalidade daquela localidade em tempos idos, enquanto a da Trofa deve-se sobretudo enaltecer a postura de D. João VI que percebeu que este burgo já necessitava da realização deste tipo de equipamentos.

Os anos foram passando e a feira atingiu um importante ponto de crescimento, demonstrando a importância destes eventos para com a localidade e em 1900 eis que a feira que se costumava realizar quinzenalmente e apenas aos sábados no local do terreiro da Capela da Senhora das Dores e no espaço envolvente iria passar se a realizar todas as semanas e também ao domingo, uma medida incentivada pelo poder local da Câmara Municipal de Santo Tirso.

Uma feira que segundo as crónicas tinha a visita de vários clientes e vendedores de outros pontos geográficos além da cidade da Trofa, continuando a demonstrar a importância económica que tem vindo a ser descrita nestes parágrafos.

Por último, uma pequena curiosidade para si estimado leitor que esta é a crónica 100 desta rúbrica que já o acompanha desde 2015…

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Edição 738

Escrita com Norte: “Acontece”

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O meio era pequeno, com o tempo cresceu, e as famílias eram grandes, com o tempo “encolheram”, e todos se conheciam (agora também, sem saberem quem são). E conheciam-se tão bem, nesse tempo, que na rua todos pareciam irmãos e mesmo daqueles de quem não se gostava, gostava-se de uma forma peculiar, dando bênção à sua existência por tornar a vida mais emotiva!

Lá, como em todos os outros sítios, as brincadeiras na rua e a fome eram normais, como agora a “fome” pela exposição, e os jovens desta altura, na maioridade, recebiam uma carta de embarque em vez da de condução.

Claro que quando chegava a altura do, “Adeus até um dia, porque eu vou para África”, os Maneis, os Antónios, os Chicos, os Josés, os Gustos, os…, já tinham descoberto há muitos anos que eram diferentes das “Marias”, apesar de estas lhes parecerem iguais no tempo das brincadeiras de rua, e todas estas diferenças que excitavam os rapazes eram discutidas com entusiasmo, mas sem o mesmo ardor que o futebol, nos únicos cafés que havia, o “São Martinho”, o “Dom Pedro V” e o café “Himalaia”.

A despedida era longa, por norma dois anos, e a viagem de barco demorava semanas. Um jovem criado em “Democracia” compreende o conceito de que, “Já que a viagem é longa, convém prolongar a estadia.”, e no regresso, isto para quem regressava, vir inteiro era a maior das sortes (cicatrizes de estilhaços e de balas não contavam). Ter os dois braços, as duas pernas, apesar de manco, e os dois olhos, mesmo com a vista diminuída, era um ser perfeitinho que a mãe recebia, trazido por uma cegonha de África em vez de Paris, era o renascimento do filho, com direito a noites mal dormidas pelos pesadelos do adulto petiz!

Estes dois anos de ausência atiçavam e confundiam os sentimentos das pessoas da terra. A Inês que não suportava o Manel, com a ausência deste na Guiné, pensava que o amava; a Manuela que gostava do Mendes, apaixonou-se pelo Carlinhos, fugido para França, porque o primo deste esteve em Angola; o Vasco, que não gostava da sua madrinha de guerra, sentiu um peso desumano no coração pelo Toni, regressado sem glória de Goa; e a Tininha, que ainda não sabia que gostava do Gusto!

Gusto retomava os hábitos deixados dois anos antes, quando partiu para o Ultramar.

Depois do trabalho, numa Companhia de Seguros, frequentava o café “São Martinho”, onde encontrava os amigos e conhecidos, que lhe gabavam o jeito para o bilhar livre (cheguei a vê-lo jogar, quando começava ele a partida, o adversário era tão assistente como eu, chegando a não dar uso ao taco). No final, o percurso costumeiro, de postura altiva “desfilava” até casa, falando com quem aparecia às janelas.

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  • Olá Tininha! És tão bonita! Se não fosses tão novinha casava contigo!
  • Oh! – respondia a Tininha com uma interjeição e fugia para dentro de casa, refugiando-se na mãe. – Ó mãezinha, o Gusto da Dona Quinhas é que é um chato! (imagino o sorriso terno da mãe).
    Gusto seguia caminho e mais frases como esta iria dizer em cada janela onde estivesse poisada uma rapariga.
    Devido ao aprumo exigido pela sua actividade profissional, mandava fazer, por ano, quatro fatos à medida. Sempre impecável subia a rua do café até casa, onde Tininha o esperava para ouvir um piropo, para gostar cada vez menos dele – Oh mãezinha, o Gusto da Dona Quinhas é que é um chato! – até que um dia, Gusto sobe a rua com um fato novo, azul marinho:
  • Olá Tininha, estás muito…
    Sem deixar acabar, da janela, Tininha vira costas e vai ter com a mãe.
  • Ó mãezinha, o Gusto da Dona Quinhas é que é bonito! (imagino o sorriso terno da mãe).
    Desde então, Tininha, com a sua sobrinha ao colo, esperava que Gusto passase, pedindo à criança para deixar cair um fio, não fosse Gusto passar distraído, garantindo assim momentos de conversa.
    Certo dia, sem a sobrinha, Tininha desce ao pátio e na passagem de Gusto pergunta-lhe se viu o Pluto, o cão da família.
  • Ele está atrás de ti! – responde, deixando-a corada.
    Achando a cena engraçada, em concordância, envergando o seu fato azul marinho, diz uma piada – Um dia havemos de casar!
    Dias depois, no café, todos lhe deram os parabéns e ao passar debaixo da janela da Tininha, esta diz-lhe – Gusto, vamos casar em Março!

Com um simples fato azul marinho, Gusto comprometeu a sua vida, a 24 de Março de 1973!

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