O nosso país, se quiser ser um país moderno, independente, e com qualidade de vida, precisa de efetuar grandes mudanças. É na saúde, no ensino, na segurança social, nas relações laborais, na indústria, na agricultura, nas pescas, na segurança, na justiça, no ambiente, na cultura. Enfim, são tantas as transformações que nós precisamos, mas andamos há muitos anos, a fazer muitas experiências e pequenas modificações, para ficar tudo na mesma, ou ainda ficar pior.
Os nossos governantes, ao longo dos tempos, não têm tido a capacidade de transformar o nosso país, num país moderno, num país que possa enfrentar as adversidades que periodicamente aparecem a complicar-nos a vida. Fazem experiências, modificam pequenas coisas, para dizerem ao povo que fizeram mudanças. São simples aprendizes, que por vezes estragam mais do que endireitam.
Os nossos governantes estiveram sempre a tentar inventar a roda. Para quê andar a tentar inventar a roda? Ela já está inventada há muitos e muitos anos. Como andam sempre muitos ocupados a fazer política, então deveriam exigir às nossas embaixadas espalhadas pelo mundo, informações da forma como os outros países ultrapassaram com êxito os seus problemas, e se prepararam para enfrentar o século XXI. Depois, aplicá-las em Portugal, com as devidas adaptações à nossa maneira de ser, à nossa idiossincrasia. Será assim tão difícil?
Para nos tornarmos num país ao serviço das pessoas, ao serviço dos portugueses, tantos e bons exemplos que poderíamos ir buscar, e depois «aportuguesá-los», como por exemplo: em Inglaterra, o verdadeiro Serviço Nacional de Saúde; na Finlândia o que foi feito quanto à dignidade dos professores, que é das profissões mais populares entre os jovens, mas também para verem que os alunos são dos que passam menos tempo nas aulas e quase não chumbam, e no entanto os alunos finlandeses têm tido dos melhores resultados do mundo, nos testes internacionais; na Espanha analisar e estudar o seu nacionalismo arreigado; na Alemanha, aprender o que é organização, aprender o que foi feito na qualificação profissional, em que a Alemanha está acima da média, verificar o equilíbrio que existe entre a vida e o trabalho, o emprego e os salários, a segurança e o bem-estar e a qualidade do meio ambiente; na Suíça, estudar o que é o civismo; em Israel, como foi tratado o problema da água; no Japão o espírito de coletividade, a pontualidade nos compromissos e as acessibilidades para os deficientes; na Estónia, a primazia da liberdade individual e a postura de interesse nacional dos partidos políticos; na Noruega o que se tem feito na cultura, nas pescas e em termos da solidariedade ativa e eficaz, quer no desenvolvimento das crianças, quer nas estruturas dedicadas aos mais idosos; etc. etc. etc..
A Noruega, ao longo dos tempos, atacou fortemente as classes mais altas, para favorecer as mais baixas, e com isso, baixaram o fosso existente entre ricos e pobres, deixando de haver noruegueses muito ricos e noruegueses pobres, existindo uma só classe, a classe média. O regime político norueguês está muito longe da perfeição, mas é bom lembrar, que os noruegueses, não ocupam cargos políticos por ambições de carreira, por alternativa ao desemprego ou por vaidades pessoais, pois fazem-no por obrigação cívica.
São tantos os exemplos de coisas bem-feitas, noutros países, a favor das pessoas, que os nossos políticos poderiam aprender e depois adaptar a Portugal. Não é preciso andar constantemente a inventar a roda. Que façam bem o que tem de ser bem feito, para o bem de Portugal e dos portugueses!   moreira.da.silva@sapo.pt
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