Edição 526
Para quê andar a tentar a inventar a roda?

Os nossos governantes, ao longo dos tempos, não têm tido a capacidade de transformar o nosso país, num país moderno, num país que possa enfrentar as adversidades que periodicamente aparecem a complicar-nos a vida. Fazem experiências, modificam pequenas coisas, para dizerem ao povo que fizeram mudanças. São simples aprendizes, que por vezes estragam mais do que endireitam.
Os nossos governantes estiveram sempre a tentar inventar a roda. Para quê andar a tentar inventar a roda? Ela já está inventada há muitos e muitos anos. Como andam sempre muitos ocupados a fazer política, então deveriam exigir às nossas embaixadas espalhadas pelo mundo, informações da forma como os outros países ultrapassaram com êxito os seus problemas, e se prepararam para enfrentar o século XXI. Depois, aplicá-las em Portugal, com as devidas adaptações à nossa maneira de ser, à nossa idiossincrasia. Será assim tão difícil?
Para nos tornarmos num país ao serviço das pessoas, ao serviço dos portugueses, tantos e bons exemplos que poderíamos ir buscar, e depois «aportuguesá-los», como por exemplo: em Inglaterra, o verdadeiro Serviço Nacional de Saúde; na Finlândia o que foi feito quanto à dignidade dos professores, que é das profissões mais populares entre os jovens, mas também para verem que os alunos são dos que passam menos tempo nas aulas e quase não chumbam, e no entanto os alunos finlandeses têm tido dos melhores resultados do mundo, nos testes internacionais; na Espanha analisar e estudar o seu nacionalismo arreigado; na Alemanha, aprender o que é organização, aprender o que foi feito na qualificação profissional, em que a Alemanha está acima da média, verificar o equilíbrio que existe entre a vida e o trabalho, o emprego e os salários, a segurança e o bem-estar e a qualidade do meio ambiente; na Suíça, estudar o que é o civismo; em Israel, como foi tratado o problema da água; no Japão o espírito de coletividade, a pontualidade nos compromissos e as acessibilidades para os deficientes; na Estónia, a primazia da liberdade individual e a postura de interesse nacional dos partidos políticos; na Noruega o que se tem feito na cultura, nas pescas e em termos da solidariedade ativa e eficaz, quer no desenvolvimento das crianças, quer nas estruturas dedicadas aos mais idosos; etc. etc. etc..
A Noruega, ao longo dos tempos, atacou fortemente as classes mais altas, para favorecer as mais baixas, e com isso, baixaram o fosso existente entre ricos e pobres, deixando de haver noruegueses muito ricos e noruegueses pobres, existindo uma só classe, a classe média. O regime político norueguês está muito longe da perfeição, mas é bom lembrar, que os noruegueses, não ocupam cargos políticos por ambições de carreira, por alternativa ao desemprego ou por vaidades pessoais, pois fazem-no por obrigação cívica.
São tantos os exemplos de coisas bem-feitas, noutros países, a favor das pessoas, que os nossos políticos poderiam aprender e depois adaptar a Portugal. Não é preciso andar constantemente a inventar a roda. Que façam bem o que tem de ser bem feito, para o bem de Portugal e dos portugueses! moreira.da.silva@sapo.pt
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