“Foi como se eu tivesse saído da realidade”. Esta foi a forma que o Padre Alberto Vieira encontrou para definir como se sentiu ao encontrar-se “cara a cara” com o Papa Francisco, durante uma viagem a Roma. “Ele (Papa) entrou exatamente pela porta junto a mim, eu estava na primeira fila e quando abriram a porta e veio o Papa senti aquela sensação de ele vir ao meu encontro. E então depois, essa sensação de estar diante de um homem de Deus permaneceu durante todo o tempo, seja da sua intervenção que ele fez, numa receção muito bonita sobre a missão, porque todos os que lá estávamos éramos responsáveis a nível mundial das obras missionárias”.
Alberto Vieira adiantou ainda que no final do encontro foi ter com o Papa, pois levou “umas pagelas que queria que o Papa abençoasse para dar aos amigos”. “Falei-lhe da missão que tinha estado durante 25 anos em Moçambique”, relatou.
Classificando o Papa Francisco como “um homem muito acessível, duma simplicidade ímpar e a sorrir para todos” e “um homem verdadeiramente profeta, porque é capaz de intervir nas situações concretas, sejam políticas, para a igreja,  para o mundo ou para a ecologia”. “Demonstrou ser um homem ao serviço da nova humanidade”, sublinhou. Alberto Vieira vai ficar
um ano em FamalicãoRegressou de Moçambique no verão passado  para fazer “um ano sabático”, uma vez que “há já 15 anos que não parava para rezar, para meditar e para fazer avaliação da vida missionária”. “Até ao Natal estive em Paris, onde tinha feito a minha especialização no final da década de 80, que terminei já depois de ser padre e estive lá a rever algumas matérias que tinha já estudado. Depois  fui para Roma e participei num curso durante alguns meses, com outros colegas de todo o Mundo, da América, da África e, sobretudo, da Europa e que estamos  a trabalhar nas missões”, contou.
A 29 junho, o padre Alberto Vieira completa 34 anos de consagração missionária comboniana que considera “como um dom de Deus”. “Para mim e para os outros. Para os outros, através da minha atividade e entrega aos irmãos por amor de Deus, segundo o carisma de Daniel Comboni e para mim porque a diversidade das culturas de pessoas de situações históricas de continentes onde me encontrei, porque estive também um ano na América Latina, além de ter estado tantíssimos em África em Moçambique e aqui na Europa. Tudo isto é um enriquecimento único que eu não teria se não tivesse verdadeiramente assumido e colhido o dom que Deus me fez; chamava-me a viver a vocação missionária comboniana.
Alberto Vieira fez uma retrospetiva da sua vida missionária, que teve “momentos muitíssimo importantes, alguns muito dolorosos como o tempo da guerra em Moçambique”, com “marcas” que não esquecerá, mas que considera como “um dom de Deus”, porque “é um modo também no sofrimento de podermos sentir, viver e ser com e para o povo”. “Ao comemorar os 34 anos olhei para trás e vi que tudo é graça e que tudo foi dom aquilo que o Senhor me deu”, adiantou.
“Agora vou ficar por cá. Estive em Moçambique nos últimos oito anos, fiz um ano sabático e agora fui destinado aqui ao seminário de Famalicão, onde tinha trabalhado alguns anos até ao momento de  partir para Moçambique em 2006. Tinha ido na primeira vez em 1989, depois vim e estive alguns anos em Famalicão e em 2006 regressei a Moçambique. Estou em Famalicão para continuar o trabalho seminário de animação missionária e vocacional, procurando que o espírito missionário da nossa igreja local portuguesa em Portugal em geral, mas em particular na Sé de Braga e nas nossas paróquias de S. Martinho e Santiago de Bougado se mantenha este espírito missionário. É para isso que eu agora vou ficar aqui no seminário de Famalicão”, explicou o sacerdote.
Alberto Vieira sente-se acarinhado na Trofa onde tem família e muitos amigos, que “estão sempre em sintonia e comunhão com o serviço missionário e manifestam-no de tantas maneiras, com um sorriso, até na missa ou ainda no passado domingo na procissão ao passar por tanta gente que me estava a rever depois destes meses ausente e então a preocupação em querer saudar-me a querer dizer-me um olá são sinais do carinho e de amizade”.  “Não posso nunca deixar de ter presente estas pessoas e agradecer ao senhor por ser de uma terra tão boa como a Trofa”, assinalou.
Alberto Vieira deixou ainda um desafio: “Quero aproveitar para convidar todos os leitores do nosso jornal a visitar o nosso seminário, porque a nossa casa está sempre aberta, para acolher a todos tal como nos ensina o Papa Francisco” concluiu.